Meio Ambiente

Xerófilas evoluíram para sobreviver em solos secos e áridos

Xerófilas evoluíram para sobreviver em solos secos e áridos

Xerófilas são plantas com características que as ajudam a sobreviver nas regiões mais secas e quentes do mundo

A xerófila mais conhecida é o cacto, porém existem diversas espécies que pertencem a este grupo. A palavra tem origem grega: xerós (seco) e phyto (planta ou vegetal).

A xerófila se adaptou para sobreviver em climas secos e desérticos. Essa adaptação inclui caules e folhas carnudas para armazenar água e espinhos que as protegem de animais.

O mandacaru é uma xerófila nativa do Brasil

Características das xerófilas

As xerófilas são mesmo plantas especiais. Muita gente pensa que elas precisam de pouca água, mas o segredo da sobrevivência da espécie é outro. Na verdade, ela consome muita água, mas consegue armazenar a quantidade de que precisa para sobreviver.

Por outro lado, elas suportam tão bem o calor e a aridez graças às suas estruturas vegetais conhecidas como parênquimas aquíferos. Essas estruturas são capazes de armazenar água por longo período de tempo. Além disso, as possuem estruturas que reduzem significativamente a sua evaporação de água. Outras características das xenófilas:

  • Grande quantidade de espinhos
  • Folhas de tamanho pequeno e cerosas (com uma espécie de cobertura parecida com a cera), que fazem com que a evaporação da água se torne menor
  • Raízes longas para buscar água nas áreas mais profundas do solo
  • Caules carnudos para armazenar água

Exemplo de xerófilas

Embora tenham poucas folhas, a maioria das espécies de xerófilas produz flores e frutos. No Brasil, a vegetação xerófila é abundante no Nordeste. Nos períodos de estiagem e seca, comuns na região, a água é um artigo raro, inclusive para os humanos e outros animais. Por essa razão, as plantas xerófilas que vivem no sertão desenvolveram mecanismos de sobrevivência e conseguiram se adaptar a essas condições tão adversas.

Fotossíntese diferente

Para evitar a perda da água, as plantas xerófilas fazem com que os seus estômatos (estrutura que controla a entrada e a saída de gases) fiquem fechados durante o dia, retendo a água, e abertos durante a noite. Graças a esse mecanismo, a perda de água é muito reduzida. Isso acontece porque a temperatura mais amena da noite ameniza a evaporação.

As xerófilas realizam a fotossíntese através do metabolismo CAM, ou seja, captam gás carbônico no período noturno e depois o transforma em ácidos orgânicos. Durante o dia, esses ácidos se degradam e liberam o gás carbônico necessário para a fotossíntese diurna, quando os estômatos da planta estão fechados.

Espécies de xerófilas

Entre as diferentes espécies existentes de xerófilas, algumas se destacam pela popularidade. Entre as mais conhecidas do público em geral, podemos citar:

  • Aloe Vera: conhecida popularmente no Brasil como babosa, é uma espécie vegetal xerófila muito usada pela indústria de cosméticos graças às suas propriedades hidratantes e cicatrizantes. O Aloe Vera funciona como antioxidante e regenerador natural.
  • Mandacaru: planta nativa do Brasil, o mandacaru pertence à família das cactáceas e é típica da caatinga. É uma espécie vegetal abundante na região Nordeste. Produz uma bela flor que, quando aparece, sinaliza que a seca chegou ao fim. Planta repleta de espinhos, armazena grande quantidade de água. O Mandacaru também é usado como alimento pelo gado, por aves típicas da caatinga e até por humanos.
  • Cactos: os cactos são conhecidos pelos seus espinhos. No entanto, o que muita gente não sabe é que eles são, na verdade, folhas modificadas e adaptadas para a sobrevivência da planta nos ambientes secos. Os cactos são cultivados em todo o mundo e se destacam não só capacidade de armazenamento de água, mas por sua longevidade: essas plantas podem viver mais de 200 anos
  • Xiquexique: outra xerófila nativa do nordeste brasileiro, o xiquexique é uma planta espinhosa que produz deliciosos e nutritivos frutos comestíveis.

As xerófilas são ainda muito utilizadas como plantas decorativas, sobretudo por necessitarem de poucos cuidados na sua manutenção.

ACESSO RÁPIDO
    Joana Gall
    Joana Gall é técnica em agropecuária pelo Instituto Federal Catarinense e atua na pesquisa sobre as mulheres rurais de Camboriú, em Santa Catarina.

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