Agricultura familiar está associada ao consumo próprio e comercialização

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19/02/2019 Por
Agricultura familiar está associada ao consumo próprio e comercialização

Como funciona a agricultura familiar e como é praticada nos meios rurais?

Ligada a métodos tradicionais e com maior preocupação com o meio ambiente, a agricultura familiar é praticada entre os pequenos agricultores dos meios rurais espalhados em diversas regiões.

No entanto, algumas dificuldades enfrentadas no campo tem acarretado problemas para as atividades praticadas pela agricultura familiar e resultado em algumas mudanças para os agricultores.

Agricultura familiar: plantação de hortaliças

O que é agricultura familiar?

Agricultura familiar é o nome dado à produções rurais e cultivos de terra feitos principalmente em pequenas propriedades rurais (minifúndios), ou seja, entre os agricultores de grupos familiares. O alimento colhido é usado para consumo próprio além de ser comercializado em diversos outros lugares. Assim, as atividades agropecuárias são as principais fontes de renda e o agricultor familiar tem relação direta com a terra, sendo seu local de moradia e trabalho.

Ao contrário da agricultura patronal, a agricultura familiar não dispõe da contratação de trabalhadores e realiza suas atividades em pequenos espaços de terra, possuindo produtividade mais diversificada.

As principais características da agricultura familiar: 

  • Realizada em propriedades pequenas, chamadas de minifúndios;
  • Mão de obra familiar, os familiares são os próprios administradores e agricultores;
  • Produção voltada para consumo próprio e comercialização;
  • Pouco uso de pesticidas;
  • Grande variedade de produtos cultivados, ou seja, prática da policultura.

Dessa forma, este tipo de agricultura é responsável pelo manejo e cultivo de diversos produtos, sendo os principais:

  • Café;
  • Milho;
  • Mandioca;
  • Trigo;
  • Arroz;
  • Leite;
  • Carne de aves;
  • Carne suína;
  • Carne bovina.

Diferença entre agricultura familiar e agricultura de subsistência

Muitas pessoas confundem estes dois tipos de produções agrícolas e agropecuárias, por mais que tenham semelhanças são duas atividades com objetivos e formas de administração divergentes. Enquanto a familiar produz para consumo próprio e para comercialização, a agricultura de subsistência está voltada somente para o próprio sustento ou para comunidades vizinhas.

No entanto, assim como a atividade familiar, a agricultura de subsistência faz pouco uso de materiais e tecnologias desenvolvidas, além de também ser praticada em propriedades menores.

Além disso, a agricultura familiar possui grandes semelhanças com outros tipos de atividade agrícolas, como, por exemplo:

  • A agricultura itinerante (encontrada principalmente nas regiões mais pobres do mundo);
  • A agricultura de jardinagem (encontrada no sul e sudeste da Ásia);
  • Os cinturões verdes (encontrada principalmente em volta das grandes cidades urbanas).

Importância da agricultura familiar

Agricultura familiar: plantação de milho

Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), aproximadamente 70% dos alimentos consumidos no país são provenientes da agricultura familiar. Sendo que, no Brasil, a atividade faz uso de conhecimentos populares e práticas tradicionais de extrativismo e cultivo dos produtos.

Por viverem da venda dos produtos que plantam e manejam, os agricultores familiares possuem a agricultura como principal fonte de renda e possibilidade de trabalho realizado em equipe dentro do meio rural.

Além disso, ela também possui possibilidades de geração de emprego no campo e renda, fazendo uso e melhorando as técnicas de sustentabilidade agrícola. Isso resulta em maior qualidade dos produtos.

Sendo assim, este tipo de agricultura tem grande importância para a segurança alimentar. Garante sustento e condições adequadas de consumo, com produtos de maior qualidade e melhor procedência.

No entanto, a reforma agrária também está ligada diretamente com as atividades agrícolas de pequenas famílias. Facilitando a redistribuição de terras, o auxílio aos camponeses e famílias rurais, que fazem uso da terra para moradia e trabalho, garantirá melhores condições e qualidades para eles.

Atividades agrícolas no Brasil

Segundo dados da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a agricultura familiar no Brasil é realizada em mais de 80% das propriedades rurais, sendo que metade da porcentagem refere-se a região do Nordeste (responsável por 1/3 do total da produção).

Entretanto, problemas sociais e econômicos têm sido gerados por causa dos obstáculos acarretados e do crescimento do agronegócio no país. Problemas como a intensa mecanização tem sido um dos principais fatores.

O êxodo rural, por exemplo, tem crescido nos últimos anos entre muitas famílias e abaixado as taxas de empregabilidade no campo. Este nome é dado a partida da população do campo em direção à grandes cidades, ou seja, saída do campo para as cidades urbanas.

Isso acontece principalmente porque agricultores e familiares estão em busca de melhores qualidades de vida, mais oportunidades de emprego, melhor acessibilidade à serviços voltados para saúde, educação e saneamento básico adequado. Dessa forma, sem esperanças, com desigualdade social e baixa infraestrutura, eles decidem partir.

No entanto, o crescente êxodo, resulta no maior crescimento da população metropolitana, ou seja, a superlotação das grandes cidades.

Outro fator consequente de problemas no campo é o intenso uso de pesticidas nos latifúndios (grandes propriedades). O uso de agroquímicos e a prática da monocultura tem gerado grandes problemas para os familiares e agricultores do meio rural.

Apesar das grandes dificuldades, o Brasil ainda comporta um alto consumo de produtos provenientes desta agricultura. Este resultado é dado principalmente devido a relação do agronegócio com o mercado de commodities. Um dos sustentos desta relação é a exportação dos produtos, ainda muito comercializados no comércio externo

Questões ambientais

A ligação entre agricultura familiar e sustentabilidade está entre as escolhas tradicionais de plantio e cultivo. Além disso, práticas que possuem pouquíssimos impactos ambientais, visando a maior responsabilidade socioambiental. Um exemplo disso é a plantação de alimentos orgânicos.

Por outro lado, a questão da mecanização intensiva também acarreta problemas no meio ambiente. Ela acaba por interferir no ecossistema, na fauna e na flora das regiões. Devido isso, a diminuição do uso de pesticidas e atividades de desmatamentos estão sendo analisadas e evitadas, por causarem danos ambientais, como:

  • Empobrecimento do solo;
  • Desertificação;
  • Erosão;
  • Poluição.

No entanto, há o incentivo de alguns programas como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa Garantia Safra. Estes agem atuando para a melhoria da qualidade de vida das pessoas no campo, principalmente auxiliando os agricultores familiares.

O Ano Internacional da Agricultura Familiar

O ano de 2014 foi declarado como o “Ano Internacional da Agricultura Familiar”, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, reconhecendo esta atividade agrícola em todo o mundo.

O enfoque está principalmente na aniquilação da fome e pobreza por meio da agricultura familiar. Ou seja, para garantir a segurança alimentar e a nutrição de diversas pessoas do mundo. Melhorando as atividades de subsistência, os recursos naturais utilizados para a realização das atividades, cuidando da saúde do meio ambiente em concordância à sustentabilidade.

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