Fluvial, às vezes confundido com pluvial, se refere às águas de rios

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13/07/2020 Por
Fluvial, às vezes confundido com pluvial, se refere às águas de rios

O Brasil dispõe de 27,5 mil km de vias de água fluvial navegável. Apesar de ser um país que concentra 14% das reservas mundiais de água doce do mundo e contar com 12 bacias hidrográficas, o Brasil usa pouco sua capacidade de navegação fluvial.

Mais de 50% do que é produzido pelas empresas no país é transportado por vias rodoviárias, apesar de o custo de transporte por rota fluvial ser bem menor, menos poluente e mais seguro. Com as tecnologias disponíveis na atualidade, é possível aproveitar mais dos 64% do potencial hidroviário do país. Estima-se que não levaria mais de uma década para fazer esse meio de transporte ter um grande salto no Brasil.

Fluvial

O que é fluvial?

Fluvial é um termo utilizado para se referir à água, mas não para qualquer tipo de água. Assim, se refere à água que se origina dos rios.

Também pode ser referida como bacia fluvial, água fluvial e manancial fluvial.

Esses termos são empregados costumeiramente nos noticiários e certamente fazem parte do dia a dia de estudantes e mestres de Geografia.

Portanto, ao ouvir o termo “fluvial”, esteja certo que faz referência a “rios”.

Essa palavra é muito confundida com outras bem parecidas e bem próximas em termos de significado, mas que se referem a coisas distintas. É o caso de pluvial, mais frequente, e nival, mais raro.

Definitivamente não se tratam de sinônimos. Veja a diferença entre os termos a seguir.

Fluvial e pluvial

Como informado mais acima, fluvial se refere às águas que se originam dos rios. Pluvial também tem relação com água, no entanto, a diferença reside na origem do líquido essencial para a vida na Terra.

A água que o termo pluvial se refere origina-se da chuva. Portanto, usar o termo pluvial é o mesmo que dizer “água da chuva”.

  • Fluvial = água do rio;
  • Pluvial = água da chuva.

Na TV é comum ouvir “índice pluviométrico”, principalmente no quadro de previsão de tempo. A terminologia alude à medição da chuva, a quantidade de milímetros a sobrevir sobre determinadas regiões ou que já atingiram essas áreas.

Fluvial

Fluvial e nival

Outra confusão feita, embora bem mais rara – e logo você irá entender o porquê –, é com fluvial e nival.

Nival é um termo usado para designar a água provinda do degelo, isto é, que se origina de neve derretida.

Como o Brasil, como se sabe, não é um país onde neva em grande parte de seu território nacional, apenas em algumas cidades localizadas no extremo sul, é bem mais raro ouvir o termo, mas em países em que seu uso é mais frequente, é normal a confusão entre essas palavras.

Portanto, temos:

  • Fluvial = água de rio;
  • Nival = água de neve derretida.

O transporte hidroviário no país

Já ouviu falar de hidrovia? Provavelmente sim, mas talvez nunca tenha parado para pensar sobre o que se trata exatamente. Trata-se de uma solução para um setor importante e estratégico para o Brasil: transporte, logística.

Lembra-se da greve dos caminhoneiros de 2018? Nela, percebemos como somos dependentes do transporte de cargas em rodovias. Bastou uma categoria promover uma paralisação para o país ficar à beira de um colapso.

Isso poderia ser evitado investindo mais em hidrovias e outras formas de transporte, não só para evitar tamanha dependência de um único modal de transporte, mas para baratear custos e poluir menos o ambiente.

Analisando a palavra, fica mais fácil identificar o tema que versa.

“Hidro” é o mesmo que “água” e “via” é o mesmo que “caminho”, “percurso”, “rua”. Ou seja, “caminho de água”, “caminho pela água”, “estrada de água”.

Hidrovia se trata de transporte marítimo.

Uma pesquisa realizada pela Custos Logísticos no Brasil, atualizada pela Fundação Dom Cabral, mostra que quase 76% das empresas em 2017 optaram pelo transporte rodoviário para a distribuição e escoamento de bens.

Outras formas de transporte, como o aéreo, ferrovias e hidrovias (fluvial), representam menos de 12%. Hidrovias têm a menor participação, com 0,7%. Um contrassenso ao considerar que o país tem 27,5 mil km de vias fluviais navegáveis.

O Brasil conta com 12 bacias hidrográficas que fazem do país um dos com mais quantidade de rios e lagos no mundo.

Fluvial

As vantagens das vias hidrográficas

O custo do transporte marítimo é menos elevado do que o rodoviário. Uma das causas é que é possível levar muito mais carga em um barco preparado para o transporte de cargas do que em um caminhão.

A segurança ajuda a explicar esse barateamento, pois não há dificuldades de vias mal conservadas como ocorre com o transporte de asfalto.

Isso, sem dúvida, diminui o custeio com manutenções emergenciais ou pagamento de seguros.

Outro fator que faz desse modal de transporte mais vantajoso – não só em termos comerciais, mas como de qualidade de vida para a sociedade – é o de se emitir menos gases poluentes na atmosfera.

As dificuldades do transporte marítimo

Nem todo o potencial hidrográfico do Brasil pode ser utilizado hoje devido a questões de topografias.

O terreno para a implantação do transporte hidrográfico deve ser plano. Se for acidentado, a implantação da hidrovia torna-se inviável.

Com a tecnologia disponível na atualidade, já é possível adaptar muitos terrenos que não atendem completamente essa condição.

Contudo, mesmo ainda não sendo possível explorar todo o potencial de água fluvial navegável, os terrenos navegáveis são diversos e amplos e não justifica tão pouco investimento nessa modalidade de transporte tão vantajosa, ainda mais considerando que nem todos os países contam com condições topográficas para explorar essa possibilidade.

O território brasileiro fornece uma vantagem talvez única.

Certamente o que explica essa falta de investimento é a falta de visão estratégica dos gestores públicos de perceber a potencialidade desse transporte no país e as vantagens que pode proporcionar a logística de recursos brasileiros.

O lobby de setores que se beneficiam com a priorização do transporte rodoviário é outro fator que contribuiu para a manutenção dessa lógica de investimento que não se mostra como a mais racional e vantajosa.

Especialistas de logística apontam que a vontade política, aliada ao investimento correto e no volume exigido, poderia facilmente dobrar a produção transportada por via fluvial no Brasil em apenas uma década.

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