Anaplasma pode provocar anaplasmose benigna ou maligna, dependendo da espécie
Qualquer rebanho está sujeito a ser acometido por doenças provocadas pela bactéria do gênero anaplasma. Então, manter o calendário de vacinas sempre em dia e diagnosticar enfermidades com rapidez são formas de prevenir grandes prejuízos.
Mas, é importante saber que existem duas espécies de anaplasma que podem causar a anaplasmose bovina. Uma doença que afeta diretamente a produtividade agropecuária. Por isso, é fundamental que o produtor rural esteja atento às diferenças entre espécies de anaplasma para que possa, assim, tomar medidas para prevenção e controle.
O que é Anaplasma?
Anaplasma é um gênero de bactérias pertencentes à família Anaplasmataceae e que ataca principalmente animais ruminantes como bovinos. A espécie phagocytophilum causa a febre da pastagem, já a centrale e marginale a anaplasmose bovina. Enquanto isso, a bovis causa Nopi e o ruminantium o coração d’água.
E a anaplasmose bovina?
Causada por bactérias do gênero Anaplasma, a anaplasmose bovina é uma doença infecciosa que em versão maligna pode gerar grandes prejuízos produtivos.
No entanto, a doença pode ser transmitida tanto por carrapatos e mosquitos como por transmissão transplacentária, durante a gestação, ou iatrogenicamente; ou seja, por meio de procedimentos como castração, cirurgias, retiradas de chifres e agulhas de tatuagens não esterilizadas.
O meio mais comum de transmissão são os carrapatos, já que não voam ou saltam. Porém, atenção: ser picado por um carrapato não quer dizer que você vai contrair a doença. Isso só ocorre se ele estiver infectado e estiver fixado em alguém por mais de 12 horas. Por isso mesmo que é uma doença mais suscetível de ocorrer nos bovinos.
Além de ser uma doença fatal para 10 a 25% do gado, pode provocar abortos, infertilidade, queda de produtividade e gastos altos com medidas preventivas.
Assim como a babesiose, a anaplasmose bovina faz parte do complexo de doenças da Tristeza Parasitária Bovina. Um conjunto de enfermidades provocadas pela riquétsia Anaplasma marginale e/ou protozoários como a Babesia bovis.
Espécies de anaplasma que causam a anaplasmose bovina
As principais diferenças entre as bactérias causadoras da doença bovina são de espécie e de distribuição geográfica. O agente causador da anaplasmose benigna é o anaplasma centrale. Contudo, é importante saber que é uma bactéria com pouca distribuição geográfica.
Já em sua versão maligna, a doença é provocada pelo anaplasma marginale e, nesse caso, encontra-se distribuída em todo o mundo. O parasita contamina as hemácias do sangue de ruminantes domésticos e silvestres e também pode ser transmitida para humanos. Mas, como o próprio nome diz, a espécie com maior incidência é a bovina.
Diagnóstico da anaplasmose
Para diagnosticar a doença em sua versão maligna é preciso observar a presença dos seguintes sintomas clínicos:
- anemia;
- cansaço;
- depressão;
- desidratação;
- emagrecimento;
- enfraquecimento;
- febre acima de 40ºC;
- fezes escuras;
- icterícia (presença de uma coloração amarelada nos olhos, pele ou mucosas);
- pelos arrepiados;
- perda do apetite;
- redução dos movimentos de ruminação;
- e taquicardia.
Mas, como são sintomas parecidos com outras doenças bovinas pode ser necessária a realização de testes laboratoriais para confirmação do diagnóstico.
É importante lembrar que, quanto mais novo for o animal menor a gravidade da enfermidade e maior a rapidez na recuperação. Já nos casos crônicos, os bois não chegam a apresentar quaisquer desses sintomas.
Tratamento da anaplasmose
Entre os medicamentos utilizados para o combate à doença o mais comum entre os veterinários é a oxitetraciclina. Um remédio que geralmente é receitado para ser usado simultaneamente com protetores hepáticos. Pode ser combinado com analgésicos e antitérmicos. O boi enfermo deve se recuperar mais rápido ingerindo bastante líquido.
Em casos mais graves, pode precisar de transfusão sanguínea.
Prevenção do anaplasma
Para evitar problemas e prejuízos maiores em função da contaminação pela bactéria existem medidas preventivas que podem ser estabelecidas, como por exemplo, a premunição, quimioprofilaxia, uso de carrapaticidas e vacinas.
Outras precauções contra a versão maligna da doença provocada pelo anaplasma também podem ser empregadas. Entre elas, medidas higiênicas e sanitárias e avaliação dos níveis de anticorpos do animal. Quanto mais cedo houver a prevenção, menores as chances de contaminação.