Importante para organismos, a apoptose é uma morte celular programada

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10/11/2019 Por
Importante para organismos, a apoptose é uma morte celular programada

Apoptose pode ajudar a evitar doenças como o câncer

Muitas células do corpo humano têm a capacidade inerente de sofrer apoptose ou, como é também conhecida, “morte celular programada”.

Basicamente, a apoptose é uma maneira geral e conveniente de remover células que não devem mais fazer parte do organismo. Mas você sabe o que é apoptose e qual sua importância para o organismo?

apoptose

O que é apoptose?

Apoptose é o que pode ser chamado de “morte celular programada”. A palavra deriva do grego apoptosis, onde apo significa “desde” e ptosis significa “queda”. Isto é, o termo grego faz alusão à queda de folhas nos galhos das árvores.

De fato, a apoptose é fundamental para o desenvolvimento da espécie animal. Por exemplo, diariamente, a morte intracelular é ativada por bilhões de células nos tecidos de um homem saudável. A ativação desse programa é realizada por intermédio de variados e complexos mecanismos celulares.

Em suma, nos animais, a apoptose é a principal razão de morte celular, sendo considerada um entre diversos outros mecanismos para controle celular. Atualmente, os cientistas estão tentando aprender como podem modular a apoptose para que possam controlar quais células vivem e quais sofrem morte celular programada.

Drogas anticâncer e radiação, por exemplo, funcionam desencadeando apoptose em células doentes. Sem dúvida, muitas doenças e distúrbios estão relacionados à vida e morte das células.

O aumento da apoptose, por exemplo, é uma característica da AIDS, da doença de Alzheimer e de Parkinson. Enquanto isso, a diminuição do apoptose pode sinalizar lúpus ou câncer. Por isso, entender como regular a apoptose pode ser o primeiro passo para o tratamento dessas condições.

Apoptose e necrose

Existem duas maneiras pelas quais uma célula pode morrer: apoptose e necrose.

A necrose ocorre quando uma célula é danificada por uma força externa como veneno, lesão corporal, infecção ou corte do suprimento sanguíneo (que pode ocorrer durante um ataque cardíaco ou derrame, por exemplo). Quando as células morrem por necrose, a morte causa inflamação, que pode causar mais sofrimento ou ferimentos no corpo.

A apoptose, por outro lado, é quando uma célula comete suicídio. Às vezes é chamada de “morte celular programada” e, de fato, o processo de apoptose segue uma rotina previsível e controlada.

Quando uma célula é obrigada a cometer suicídio, proteínas chamadas caspases entram em ação. Isto é, elas quebram os componentes celulares necessários para a sobrevivência e estimulam a produção de enzimas conhecidas como DNases.

As DNases, por sua vez, destroem o DNA no núcleo da célula. A célula diminui e envia sinais de socorro, que são respondidos por “aspiradores de pó” conhecidos como macrófagos. Por fim, os macrófagos limpam as células encolhidas sem deixar vestígios. Portanto, essas células não têm chance de causar o dano causado pelas células necróticas.

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Apoptose celular

A apoptose celular também difere da necrose pois é essencial para o desenvolvimento humano. Por exemplo, no útero, nossos dedos das mãos e pés estão conectados um ao outro por uma espécie de “membrana”. A morte celular programada é o que causa o desaparecimento dessas membranas, deixando-nos com dez dedos separados.

Além disso, à medida que nosso cérebro se desenvolve, o corpo cria milhões de células a mais do que precisa. Por isso, as que não formam conexões sinápticas sofrem apoptose para que as células restantes funcionem bem. A morte celular programada também é necessária, por exemplo, para iniciar o processo de menstruação.

Isso não quer dizer que a apoptose seja um processo perfeito, pois existem gatilhos diferentes. Às vezes, as células erradas se matam e, às vezes, as que deveriam morrer permanecem intactas. Ou seja, em vez de morrer devido à lesão, as células que passam pela apoptose morrem em resposta a sinais dentro do corpo.

Quando as células reconhecem vírus e mutações genéticas, elas podem induzir a morte para impedir que os danos se espalhem. Quando as células estão sob estresse, como pode acontecer quando os radicais livres estão à solta ou quando uma pessoa sofre radiação, pode ocorrer apoptose.

Mas também existem sinais no corpo que enviam a mensagem de que uma célula deve continuar vivendo. Todas as células têm níveis variados de sensibilidade aos gatilhos positivo e negativo; portanto, às vezes, as células erradas vivem e morrem.

Por que as células sofrem apoptose?

Algumas células precisam ser “excluídas” durante o desenvolvimento. Além disso, algumas células são anormais e podem prejudicar o resto do organismo se sobreviverem, como células com infecções virais ou danos ao DNA.

As células de um organismo adulto também podem ser eliminadas para manter o equilíbrio, isto é, abrir caminho para novas células ou remover células necessárias apenas para tarefas temporárias.

Morte celular programada faz parte do desenvolvimento

A morte celular programada também desempenha um papel fundamental no desenvolvimento humano. Como já vimos, quando você era um embrião, sua mão começou revestida por uma “membrana” semelhante a uma pá. A “pá” foi esculpida na sua mão pela apoptose das células entre os dedos em desenvolvimento.

Esse processo ocorre em todos os tipos de espécies de vertebrados que têm dedos semelhantes aos humanos. Por isso, menos morte celular programada resulta em mais “dedos grudados”. Ou seja, se ocorrer um pequeno erro durante o desenvolvimento dos dedos das mãos ou dos pés, a apoptose pode estar incompleta, levando, por exemplo, a dedos fundidos, isto é, “colados” uns nos outros.

apoptose

Outros exemplos de apoptose durante o desenvolvimento normal incluem a perda da cauda de um girino, que se transforma em sapo. Isto, além da remoção de neurônios desnecessários, à medida que os circuitos neurais no cérebro são “conectados”.

A apoptose pode eliminar células infectadas ou cancerígenas

Em alguns casos, uma célula pode representar uma ameaça para o resto do corpo, se sobreviver. Por exemplo, este pode ser o caso de células com danos no DNA, células pré-cancerígenas e células infectadas por vírus. Assim, se essas células sofrem morte celular programada, a ameaça para o resto do organismo (como câncer ou disseminação de uma infecção viral) é removida.

Quando o DNA de uma célula é danificado, ele normalmente detecta o dano e tenta repará-lo. Se o dano estiver além do reparo, a célula normalmente se envia para a apoptose, garantindo que não transmita seu DNA danificado. Quando as células sofrem danos no DNA, mas não sofrem morte celular programada, elas podem desencadear câncer.

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