Baunilha é especiaria amada mundialmente e cada vez mais valorizada

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29/08/2019 Por
Baunilha é especiaria amada mundialmente e cada vez mais valorizada

Das cerca de 100 espécies de baunilha, apenas algumas são usadas em alimentos e cosméticos

Vai para o México o título de “pai da baunilha”, pois os colonizadores da América Central descobriram o uso das sementes da planta no preparo de alimentos. A combinação foi tão apreciada que rapidamente ganhou a Europa e depois o planeta inteiro.

Certamente os primeiros a ganharem foram os nobres do velho continente, pois baunilha não é uma planta fácil de cultivar, muito menos retirar a essência para aromatizar alimentos e produtos domésticos. Tal dificuldade se mantém mesmo nos dias atuais com tecnologia já avançada, o que reflete no preço do produto.

baunilha

O que é baunilha?

Baunilha é uma especiaria, amplamente utilizada como aromatizante, que vem dos favos de uma planta que pertence à família Orchidaceae, portanto, uma herbácea. É do gênero Vanilla. Essas espécies de plantas são originárias da América Central e florestas do México.

Existe uma grande diversidade de plantas da mesma família de baunilha. No entanto, somente algumas são utilizadas em alimentos como sorvetes, chocolate e até algumas bebidas. As que são usadas para tal finalidade são as espécies do tipo Vanilla planifolia.

O extrato natural da baunilha tem um valor elevadíssimo, podendo chegar a até 4 mil dólares o quilo. E mesmo assim é disputada vorazmente pelas indústrias alimentícias e de perfumes. Essa procura explica-se pelo consumo anual de baunilha no planeta, que chega a 5,5 milhões de toneladas, segundo dados mais recentes.

Mas por que a baunilha é tão difícil de se plantar e, principalmente, de se extrair sua essência?

Para fornecer tal explicação, nada melhor do que mostrar como plantar uma baunilha. Confira a seguir.

Como plantar baunilha?

Os colonizadores da América Central que levaram a novidade asteca para o velho continente experimentaram inicialmente uma série de insucessos para o cultivo da planta. E mesmo com o cuidado de se plantar em regiões favoráveis ao cultivo, com boa incidência de sol, não lograram êxito.

Isso porque a baunilha floresce em condições desgastantes, em tempo muito quente, não podendo ficar abaixo de 20ºC. Não é recomendado colocá-las em ambientes abertos, pois necessitam ficar sob sombra, e sol somente pela manhã. Apreciam alta umidade do ar e ambiente bem arejado.

Mesmo com essas condições, o período para floração é, em média, 2 anos.

No entanto, apesar de descobrir essas especificidades do cultivo da baunilha, a planta florescendo e alcançando até 2 metros de altura, os europeus tiveram que enfrentar outra dificuldade que sem dúvida deve ter tido efeito desanimador.

Mesmo com o crescimento da baunilha e da floração vistosa, as plantas nasciam, cresciam e morriam sem fornecer uma fava sequer. É da fava, o fruto, que se extrai a essência de baunilha.

O que esse explica esse fracasso? Por que a baunilha dá frutos somente em seu habitat? Demorou um tempo para se descobrir que é necessário recorrer a polinizadores especializados para frutificar a planta.

baunilha

Quem são os polinizadores?

Polinizadores são os animais, insetos e pássaros, que transferem pólen de uma flor masculina para uma feminina. No caso da baunilha, esses polinizadores são abelhas e beija-flores originários da América Central.

Esses polinizadores naturais são capazes de se esquivar da complexa morfologia das flores da baunilha e levar o pólen até o ovário.

Após esse processo de polinização, é necessário ainda esperar noves meses para a gestação da fava.

E qual foi a solução dos europeus diante dessa descoberta? Tiveram que importar as abelhas e beija-flores para que fizessem o trabalho em terras europeias. Sem dúvida, um processo trabalhoso.

Mas será que a jornada para plantação da espécie fora de seu habitat continua a mesma?

O trabalho de extração da baunilha

Quanto às condições de cultivo, não houve diferença. Ainda é necessário que a planta seja cultivada em local com altas temperaturas, portanto, jamais abaixo de 20ºC, local com sombra e arejado. Mas a importação de polinizadores já não é um recurso indispensável, o que não significa grande avanço.

Os produtores de baunilha, atualmente, ao não transportarem os animais até o local de plantio, recorrem ao processo manual de polinização. Manual e artificial. Utilizam um pincel para pincelar cada flor e tentar fecundá-las. Sem dúvida, um trabalhoso penoso e delicado.

Mas isso não encerra o trabalho de extração. Afinal, essa fase é apenas da fecundação.

Passados noves meses e a planta dando frutos, é necessário pegar esses frutos e banhá-los por três vezes em água a ponto de fervura. Esse é o pré-estágio da fase de fermentação e secagem. Essa fase é essencial para aumentar o perfume das pequenas sementes. Porém, não elimina o risco de contaminação por bactérias.

Tamanhos entraves e trabalho contribuem muito para que o valor final da baunilha seja muito alto, o que é bem compreensível diante das exigências para cultivo e extração.

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Baunilha no Brasil

Claro que, com um clima intenso como o nosso e terras tão férteis e maravilhosas, é possível cultivar essa planta de essência tão disputada e cara. Contudo, a plantação de baunilha brasileira ainda é modesta e se concentra em grande parte na região amazônica e na Mata Atlântica. Nesses locais, a planta apoia-se em mudas de seringueiras e limoeiros.

No entanto, o Brasil enfrenta a mesma dificuldade que os europeus quando o assunto é a polinização. Também é preciso importar os insetos ou os pássaros. Como tal importação é trabalhosa e encarece ainda mais o produto, o processo de fecundação das flores é manual. Isso explica o plantio baixo produzido no país.

A história da baunilha

Falamos de passagem sobre a história dessa planta que rende aroma tão agradável em alimentos saborosos e produtos cosméticos, mas não demos os detalhes que a história merece.

A baunilha foi conhecida pelos colonizadores espanhóis quando o último líder Asteca presenteou-os com as sementes secas de Vanilla planifolia. A novidade agradou muito os espanhóis que perceberam que os Astecas utilizavam as sementes em alimentos e na elaboração de primitivos cosméticos que as mulheres usavam para ocasiões especiais, como festas e rituais religiosos.

No primeiro contato com a baunilha, os espanhóis a chamaram de “vainilla”, que significa vagens pequenas. Isto se deu pelo fato dos favos alongados lembrarem as vagens, “vainas”, de algumas plantas leguminosas.

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