Caramujo pode representar ameaça à saúde pública

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01/06/2019 Por
Caramujo pode representar ameaça à saúde pública

Caramujo africano preocupou as autoridades nos últimos anos

O caramujo ocupa diferentes ambientes e, embora seja conhecido por se locomover lentamente, se reproduz com enorme velocidade. Alguns tipos de caramujo podem causar doenças, por isso a proliferação deste molusco é caso de saúde pública. Nos últimos anos, autoridades demonstraram preocupação com a infestação destas espécies no Brasil.

Caramujo é um molusco que, em geral, habita locais abrigados e com pouca correnteza, como córregos, riachos, valas e represas. Por suas características geográficas, o Brasil apresenta condições muito favoráveis à proliferação desta animal.

Caramujo

O que é caramujo?

O caramujo é um molusco gastrópode, que vive, sobretudo, na água doce. Em resumo, se concentram basicamente em córregos, riachos, valas e represas.

As lesmas também fazem parte da família dos gastrópodes. Para se protegerem contra elementos externos, desenvolveram uma concha em espiral. Desta forma, a carcaça funciona como uma grande casa, na qual eles podem se esconder quando uma ameaça aparece.

Tipos de caramujo

Há diversos tipos de caramujo, a maioria deles inofensivos. No entanto, algumas espécies podem ser vetores de doenças e atacar lavouras, como os caramujos africanos. Há espécies terrestres, como os caracóis e as lesmas, e outras aquáticas como o caramujo aquático ou Biomphalaria.

Classes de moluscos

  • Aplacophora: Estes desconhecidos moluscos marinhos têm corpo vermiforme e vivem em grandes profundidades. Diferentemente dos caramujos, não possuem concha.
  • Monoplacophora: Também vivem nas áreas profundas dos oceanos. O corpo desses moluscos é totalmente recoberto por uma concha.
  • Polyplacophora: Conhecidos também como quítons, vivem junto a rochas submersas pela água ou expostas em maré baixa. Tem uma concha formada por placas articuladas.
  • Scaphoda: Os escafópodos, como são chamados, são seres exclusivamente marinhos. São encontrados, em sua maioria, na areia ou no lodo. São conhecidos ainda com o nome de concha-dente.
  • Bivalvia: Trata-se de um grupo diverso e muito numeroso, dividido entre espécies marinhas e de água doce. Os exemplares mais conhecidos deste grupo são os mariscos, as ostras, os mexilhões. Seu corpo é coberto por uma concha composta por duas partes articuladas.
  • Cephalopoda: São seres exclusivamente marinhos. O grupo inclui as lulas, polvos, sépias e náutilos. Nem todos tem concha, como é o caso dos polvos.
  • Gastrópodes: Os gastrópodes, grupo dos caramujos, é o mais numeroso dos moluscos. Reúne espécies das mais diversas, que vivem tanto na água doce, como no mar e na terra. As lesmas, caracóis de jardim e os caramujos estão entre os exemplares mais conhecidos deste grupo. Existem gastrópodes com concha, como os caracóis e caramujos, ou sem concha, como as lesmas.

Caramujo africano

Considerado uma praga, o caramujo africano (Achatina fulica) é um tipo terrestre originário do leste e nordeste da África. Foi introduzido ilegalmente no Brasil em 1988, como uma alternativa culinária ao escargot, um conhecido caracol comestível.

Costumam ser maiores que os caramujos comuns. Um adulto da espécie, por exemplo, pode pesar mais 200g e carregar uma concha de 15 centímetros de comprimento. Por serem hermafroditas, se reproduzem rapidamente. São capazes de pôr de 50 a 400 ovos de uma só vez.

A invasão do caramujo africano no Brasil é um problema típico de áreas urbanas, mas também houve registro de infestação em áreas rurais.

O caramujo africano ataca as lavouras e é considerado uma praga agrícola. Além disso, é responsável pela transmissão de parasitos que causam doenças graves em humanos, como meningite eosinofílica, que ataca o sistema nervoso central, e a angiostrangilíase abdominal.

Caramujos em áreas agrícolas

Em países com clima tropical como o Brasil, os caramujos encontram condições favoráveis pra se proliferar. Quando infestam as lavouras, estes animais trazem enormes prejuízos à agricultura. Além de destruir as plantações, também atacam a camada superficial do solo. Além disso, o custo com mão de obra e insumos necessários para eliminar os moluscos é alto.

Controle do caramujo

Para combater infestação de caramujos, são adotadas diferentes estratégias físicas, químicas e biológicas. No entanto, o controle ativo ainda é considerado o método mais eficiente e barato. Este método, em suma, consiste na coleta e destruição dos caramujos e seus ovos das áreas infestadas.

O processo de retirada deve ser repetido com frequência por causa da alta capacidade de reprodução da espécie. A fiscalização, tanto em áreas urbanas quanto em áreas agrícolas, também precisa ser ostensiva.

O controle químico também é uma possibilidade. No entanto, o custo econômico e tecnológico da manutenção e prevenção é considerado muito alto.

Caramujo de aquário

O caramujo de aquário é a espécie mais encontrada no Brasil. Este caramujo é conhecido sobretudo por ser o hospedeiro do parasito que causa a esquistossomose. Está presente em rios e lagos, sobretudo onde não há tratamento de esgoto. O controle da proliferação desta espécie é um desafio, já que se reproduz muito rapidamente e encontra no país condições perfeitamente propícias ao seu desenvolvimento.

Caramujo

Caramujo de jardim

O caramujo de jardim é bem pequeno, porém não é difícil identificá-lo. Apesar do tamanho, é uma espécie nociva para o ser humano por ser hospedeira de uma doença chamada estrongiloidíase, que causa lesões cutâneas e pulmonares.

Caramujo do mar

O caramujo do mar é uma espécie  que habita o planeta há milhões de anos. Para se ter uma ideia, eles já estavam nos oceanos muito antes dos peixes surgirem. No entanto, eles eram bem diferentes e muito maiores do que os caramujos de hoje. Fósseis de conchas encontradas por especialistas chegam a 2,5 metros.

Este tipo de caramujo pode ser encontrado tanto em rochas como nas areias do fundo dos oceanos.

Criação de caramujos

No Brasil e em determinas regiões de Portugal, alguns caramujos são conhecidos como caracóis. A definição é usada, principalmente, para denominar espécies terrestres do caramujo brasileiro. Neste grupo estão incluídos os escargots, uma espécie comestível. A criação de caramujos tem como objetivo o cultivo desta iguaria tão presente em cardápios mais requintados.

Doença de caramujo

As principais doenças causadas pelo caramujo são a esquistossomose, popularmente conhecida como barriga d’água. Além disso, estes animais podem transmitir a meningite eosinofílica e a estrongiloidíase.

O caramujo que hospeda o schistosoma mansoni, causador da esquitossomose (ou doença do caramujo), é o Biomphalaria glabrata. A esquistossomose atinge mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo e provoca febre, dor na cabeça, calafrios, suores, fraqueza, falta de apetite, dor muscular, tosse e diarréia. Em alguns casos, o fígado e o baço inflamam e aumentam de tamanho (daí o nome barriga d’água). .

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