Fischer é uma das maiores na produção e exportação de suco de laranja

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14/08/2019 Por
Fischer é uma das maiores na produção e exportação de suco de laranja

A Fischer é responsável por 25% do consumo mundial de suco de laranja

No país que é líder mundial de exportação de suco de laranja, quem se destaca na produção e exportação se gabarita como uma das principais empresas no mundo no segmento. É o caso da Citrosuco, uma das empresas sob domínio do Grupo Fischer.

A empresa foi uma das primeiras crias da Fischer, em 1963, e conseguiu se tornar a segunda maior exportadora de suco de laranja do mundo. Em 2010, anunciou fusão com a Citrovita, controlada pelo grupo Votorantim. Assim, juntas, deram forma a uma nova empresa, uma nova fase da Citrosuco. Essa empresa, então, ultrapassou a Cutrale em participação no mercado global e vendas, até então a líder do mercado.

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O que é Fischer?

Fischer é um conglomerado de empresas na área de produção e exportação de suco de laranja. Essas empresas atuam em todos os segmentos possíveis desse processo de produção, até a entrega ao consumidor final nos mais diferentes países. Isto, por sua vez, envolve trabalhos em terra e mar.

Essa diversidade de empresas da Fischer é representada nas divisões de fábricas que compõem o grupo, espalhadas pelo Brasil e EUA.

Na Fischer, há divisões de:

  • Fischer agropecuária;
  • Fischer frutas;
  • Fischer sucos.

Apesar de ter participação no controle e nos lucros dessas empresas, muitas delas são geridas de forma autônoma, com o Grupo Fischer exercendo mais o papel de parceiro do que dono.

Esse sistema de parcerias deixa o grupo em uma posição discreta em termos midiáticos, nas sombras, ou seja, com outras marcas e parceiros exercendo as funções vitais. Mas essa discrição não tem afetado em nada os negócios. Em contrapartida, de alguma forma, todos os envolvidos na cadeia de produção e distribuição se relacionam com a marca.

A história da Fischer

Se você está se perguntando como começou esse império construído à base de suco de laranja, é hora de falarmos sobre isso.

Quem enxergou as potencialidades de produção do solo fértil e rico brasileiro? Quem teve a ideia de exportar para outras regiões do planeta?

Tudo começou na Alemanha. Se em 2014 a lição foi de bola, com o emblemático 7 x 1 na semifinal da Copa do Mundo de 2014, no começo do século XX foi de produção e exportação de frutas. O responsável por explorar as qualidades do nosso solo e as oportunidades de mercado daí resultante foi Carl Fischer.

Nascido em Bentheim, um pequeno vilarejo localizado ao norte da Alemanha, viveu os dias difíceis da Europa do pós Primeira Guerra Mundial. Aos 19 anos, seduzido pelas promessas de boas oportunidades no “novo mundo”, resolveu partir para os EUA.

Contudo, não apresentava os requisitos exigidos pelo consulado norte-americano e foi impedido de entrar no país. O revés não o abateu e tentou a sorte no Canadá. Lá, também foi rejeitado pelo mesmo motivo.

Perseverante, resolveu embarcar para a Argentina. De lá, desembarcaria no Porto de Santos, no Brasil, para uma parada. Apaixonado por barcos, logo ficou maravilhado pelo nosso porto e resolveu ficar por ali mesmo.

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Fischer no Brasil

Os primeiros anos não foram fáceis. Como era de se esperar para qualquer imigrante sem posses, não havia dinheiro ou contatos em uma terra estrangeira.

Entretanto, o final já revelado dessa história mostra algo diferente. As dificuldades não foram suficientes para abalar a determinação de Fischer. Assim, ele seguiu para alcançar o sucesso na terra que o acolhera.

Seu primeiro emprego foi na própria cidade de Santos, em uma olaria. Passava as noites no Clube de Regatas Saldanha da Gama, no galpão, após conquistar uma vaga na equipe de Remo. Tal vaga lhe garantia o café da manhã e as refeições nos fins de semana.

Não muito tempo depois disso, Fischer foi trabalhar na área externa de um banco alemão. Trabalhando nesse banco, teve a inspiração para plantar a semente de seu império que, hoje, conta com mais de 15 mil funcionários, faturamento de 1 bilhão de dólares anual e integra a lista dos 100 maiores grupos privados do Brasil.

Mas é aqui que a história fica um pouco nebulosa.

Iniciativa, demissão e conquista

Como ocorreu a fagulha para a ideia que revolucionou sua vida? Essa história um tanto imprecisa e cercada de lenda.

Uns dizem que Fischer simplesmente observou o preço baixo das frutas no Brasil e decidiu exportá-las para o exterior. Outros dizem que a importação foi para a Alemanha ou EUA.

Outra versão sobre o insight das frutas foi a de que ouviu no rádio, enquanto recebia os serviços de um barbeiro, a notícia de que uma geada havia dizimado os pomares da Flórida, EUA. Seu entusiasmo com a notícia foi tão grande que nem mesmo esperou o término do trabalho do barbeiro.

É bem possível que as duas versões tenham ocorrido, ainda que com algumas imprecisões quanto aos primeiros contatos e clientes. Fischer podia ter notado de pronto o baixo custo das frutas e, assim, aguardado uma boa oportunidade de negócio.

O fato é que aproveitou os contatos do banco em que trabalhava para pegar os nomes dos principais importadores de frutas de outros países. Essa ação foi descoberta pelos seus superiores e lhe rendeu a demissão do posto.

No entanto, sua inteligência e perseverança certamente serviram para convencer seus antigos patrões de que valia fazer uma aposta. Diante disso, emprestaram-lhe uma quantia para prosseguir com os seus negócios.

Dessa forma, Fischer foi um dos primeiros a exportar frutas e sucos no Brasil.

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O crescimento e parcerias

Com o negócio prosperando, o grande salto do empreendimento de Fischer se deu com a compra de fazendas no interior do estado de São Paulo.

Em 1963, foi o ano das grandes parcerias. Carl Fischer se uniu com a Pasco Packing Company, produtora de sucos no estado norte-americano da Flórida. Também houve uma união com a Eckes, importadora na Alemanha.

Essas uniões geraram a primeira fábrica de suco de laranja e subprodutos do grupo Fischer, localizado na cidade de Matão (SP): a Citrosuco Paulista. Hoje, essa empresa é responsável por quase metade das vendas da Fischer e metade da exportação brasileira de suco de laranja.

Na década de 1990, o grupo adquiriu as partes dos parceiros iniciais e tomou o controle total da empresa. Os anos seguintes ao das parcerias foi de continuação de investimento em fazendas e construção da segunda fábrica em Limeira (SP).

Na década de 1980, a Fischer revolucionou a logística de exportação de suco concentrado na construção de um sistema integrado, com tank farm, para estocagem, aquisição de navios especiais, terminal de exportação em Santos e distribuição na Europa.

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