A verminose atinge o gado bovino e traz consequências para o pecuarista

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30/03/2019 Por
A verminose atinge o gado bovino e traz consequências para o pecuarista

Verminose mata mais de 10 milhões de cabeças de gado por ano em todo o mundo

Os animais contaminados com a verminose estão sujeitos à transmitir a doença para todo o rebanho. E, embora um tratamento que seja iniciado de maneira rápida possa ser eficaz, em muitos casos, o animal infectado pode vir a óbito; prejudicando o rebanho de maneira geral e, consequentemente, a produção e os lucros do pecuarista.

A verminose é mais conhecida como uma doença que atinge os seres humanos. Entretanto, ela também é presente na vida dos rebanhos bovinos e suínos. A maneira mais efetiva de evitar as doenças que as verminoses ocasionam é a partir do controle preventivo; feito por meio de vacinas e da higienização adequada dos ambientes em que os animais vivem.

gado afetado por verminose

O que é verminose?

A verminose é uma doença caracterizada por uma infecção intestinal. Esta infecção é provocada por determinados agentes, sendo os mais comuns os parasitas, em especial, os chamados de endoparasitas; organismos que possuem a característica de buscar um hospedeiro para se alojar.

Conforme citado anteriormente, a verminose é uma zoonose; portanto, atinge tanto os animais como os seres humanos. No caso das pessoas, a doença pode afetar tanto adultos como crianças, e alguns dos sintomas da verminose mais graves podem provocar o óbito. Por outro lado, no caso dos animais, os vermes podem ser transmitidos por todos os ambientes em que eles circulam; tais como o pasto e os ambiente que servem para a sua alimentação.

O maior rebanho comercial de gado do mundo está concentrado no Brasil. Por isso, o nível de cuidados com a prevenção de doenças deve ser maior que em qualquer outro país; tendo em vista que a verminose pode afetar os sistemas gastrointestinal e até mesmo os pulmões do gado, tendo uma evolução relativamente rápida e devastadora.

Verminose na pecuária brasileira

No Brasil, não há cálculos de qual a porcentagem de animais atingidos pela doença. No entanto, é sabido que a perda na produtividade acontece em todos os casos em que há animais contaminados. No país, um dos fatores que mais agrava este quadro de doença no rebanho é o clima a que estão sujeitos.

Isso porque o clima típico brasileiro, tropical, aumenta relativamente a incidência de verminoses no local de criação. Um fato que ajuda a comprovar este fenômeno é o alto nível de venda de vermífugos no país. Tido como o principal meio de combate para a contaminação, os pecuaristas aplicam o vermífugo no rebanho com auxílio de mão de obra especializada.

Embora nem todas as vezes os animais contaminados apresentem sintomas evidentes, é importante que o pecuarista esteja atento na baixa produtividade de leite e a perda de peso do gado. Estes fatores acontecem pois a verminose é de natureza evolutiva crônica.

Tipos de verminoses

Os tipos de verminoses estão diretamente relacionados com o tipo de verme que atinge o animal. Entretanto, o tipo mais comum no Brasil é o da família Trichostrongylidae. Este organismo se infiltra no intestino do animal e prejudica a produção leiteira do gado. Outro sintoma é a aparência anêmica do animal, resultado da perda de peso em excesso.

Este vírus é causado por nematóides (filo de animais de caráter fino e alongado); e é possível que estes parasitas estejam presentes em todos os rebanhos de gado do mundo. De modo geral, a verminose pode ser classificada de duas maneiras: clínica e subclínica. Em função disso, mais de 90% dos casos de verminoses em rebanhos são causados por agentes tidos como subclínicos; ou seja, que não demonstram sintomas muito claros, embora haja perda de peso constante.

Outra característica da doença em seu estado subclínico é a falta de apetite dos animais. A redução na alimentação pode chegar até 20% menos que o normal. Este sintoma ocasiona baixa no crescimento e na absorção de nutrientes e minerais na carne do animal; o que, consequentemente, faz com que não atinjam o peso ideal à tempo para o abate.

Quais os sintomas da verminose?

Os sintomas aparentes que as verminoses podem causar nos animais depende do grau de infecção. E há diversos fatores que acarretam em um aumento progressivo da contaminação pela doença em um rebanho; como, por exemplo, o feno que o rebanho utiliza para descansar.

A baixa na produtividade depende da resistência do boi, assim como a carga que o parasita alojado nele carrega. Outra característica do parasita que dificulta o tratamento é a sua facilidade em se multiplicar. Com isso, a erradicação da doença é muito difícil e, uma vez contaminado, sempre haverá algum indício da verminose no animal.

O que pode ser feito pelo cuidador é manter a taxa de vermes muito baixa, evitando os riscos de que sua carne transmita doenças ao consumidor e; portanto, mantendo a produtividade.

No setor do gado leiteiro, uma vaca pode chegar a produzir mais de 80 mil ovos de vermes diariamente quando infectada. Estes vermes produzidos pela vaca são capazes de sobreviver por até oito meses, e são capazes de contaminar qualquer animal ou ser humano que pise no solo onde estão os vermes.

animais sem verminose

Controle da verminose

O controle da verminose bovina deve ser feito a partir de limpeza dos ambientes que o gado transita. Este tipo de prevenção é importante tanto para a saúde do animal como em questões financeiras. Com esse tipo de cuidado, podem ser evitados tanto a baixa produtividade do rebanho como a transmissão dos agentes patógenos.

Durante o tratamento dos animais já infectados, é importante que se o pecuarista utilize vermífugos e endectocidas – produtos medicinais utilizados para tratar parasitas internos e os externos (como o carrapato, por exemplo).

Para se certificar de que o rebanho não apresente uma grande incidência da doença, é necessário que o pecuarista trate do rebanho desde o nascimento da ninhada. É muito comum que bezerros sejam contaminados pelo meio em que vivem, pois há algum boi ou vaca com uma pequena parcela do agente transmissor. Outro aspecto em que o criador deve estar atento é para a parcela mais velha do rebanho; pois, quanto maior a idade, mais facilmente o parasita pode se instalar.

Uma forma que manter o rebanho sempre saudável é fazer o controle estratégico. Este tipo de prevenção ajuda o pecuarista a identificar mais rapidamente possíveis doenças no rebanho. O procedimento pode ser feito no clima mais sujeito a doenças no rebanho, como o inverno. Neste período, a quantidade de parasitas nos animais é maior do que no período de pastagem. A ação é eficaz e reduz em grande quantidade a porcentagem de bovinos doentes.

Tendo em vista que a verminose é uma das principais causadoras de prejuízos no ramo da pecuária, agir de forma preventiva é essencial; e o criador de bovinos deve estar atento para prevenir a contaminação e para lidar com todo tipo de parasitas que os animais possam adquirir.

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