Videira, a árvore da uva, foi introduzida no Brasil em meados de 1500

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29/08/2019 Por
Videira, a árvore da uva, foi introduzida no Brasil em meados de 1500

A videira oferece uma das frutas mais gostosas e utilizadas em bebidas no mundo todo

A primeira videira foi trazida ao Brasil através de Martim Afonso de Souza, que veio de Portugal intencionando a disseminação da agricultura na recente colônia.

A muda de Vitis vinifera, ou videira, foi plantada no sudeste, mais especificamente na capitania de São Vicente. Entretanto, as desfavoráveis condições do solo e do clima impediram que as experiências com a planta seguissem em frente.

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O que é videira?

Videira é uma planta nativa da Eurásia e da América do Norte, que carrega uvas usadas para comer ou fazer vinificação. É, de fato, interessante, mas não apenas por produzir algumas das melhores frutas da terra.

A parreira, como também é chamada, é uma planta permanente, mas difere de outras em várias maneiras. Portanto, para mantê-la com sucesso e produzir as melhores uvas possíveis, é importante conhecer todas suas partes e funções.

Ela é trepadeira, pois cresce naturalmente nas árvores e arbustos, altos e em formas amplas. Na vinha, seu crescimento é mantido com a poda, a fim de controlar a quantidade e a qualidade das uvas.

Para entender o que é videira, é preciso saber que, como qualquer outra planta, ela também tem sua parte subterrânea e acima do solo.

A parte subterrânea consiste em um tronco com o sistema radicular, enquanto a parte acima do solo consiste no tronco, bengalas e brotos. Nos brotos de um ano de idade, existem folhas, gavinhas, flores e uvas.

Como é a parreira?

Pertencendo à família Vitaceae, a parreira frutifica depois do 3º ano de plantio. Em geral, sua “época”, nas regiões do Sul, fica entre novembro e março; já no Nordeste, é durante todo o ano.

As videiras possuem diversas espécies, bem como cruzamentos (híbridos). Comercialmente, classificam-se em basicamente dois grupos:

  • Finas (Vitis vinifera L.);
  • Rústicas (V. bourguina e V. labrusca).

Algumas demais espécies são usadas para fabricar vinhos, sucos e doces, entretanto, em escala menor (V. aestivalis, V. rotundifolia e V. riparia).

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A história da videira no Brasil

Ao que parece, as vinhas antecedem o surgimento da espécie humana. Há 300.000 anos, durante o Período Terciário e a Era Cenozóica, é que surgiu a primeiríssima videira.

A Vitis labrusca é uma das espécies mais cultivadas no sul. Destaca-se por conta do aroma característico foxado, bem como a obtenção do suco da uva com qualidade superior.

No fim da dita Idade Média, quando se deu o começo das navegações, também começou a fase nova da expansão das viticulturas. No ano de 1493, Cristóvão Colombo fez uma viagem que resultou na descoberta da América. Com ele, vieram bacelos das videiras até as Antilhas, estas que posteriormente chegaram ao Peru e ao México.

Missionários difundindo o cristianismo acabaram levando a videira basicamente até todo o continente americano.

Já no nosso país, a planta surgiu em 1532, através de Martim Afonso de Souza, em São Paulo, pela capitania de São Vicente. Três anos depois chegou a Pernambuco e na Bahia. Somente no ano de 1551 foi que Brás Cubas produziu, em terras tupiniquins, os primeiros vinhos.

Roque Gonzáles de Santa Cruz, um jesuíta, introduziu em 1626 a videira nas terras do Rio Grande do Sul. Outra introdução ocorreu pelas mãos dos madeirenses e açorianos em 1742.

Em 1875, imigrantes italianos trouxeram bacelos de viníferas à Serra Gaúcha. Entretanto, não conseguiram cultivá-la com sucesso por conta das doenças fúngicas que atacaram as plantas. Não satisfeitos, substituíram as Vitis vinifera por Vitis labrusca.

O cultivo da uva

Entre as árvores frutíferas que são cultivadas, de fato, a uva é uma das que mais exige grandes investimentos e indivíduos mais capacitados. Envolve risco alto, mas também possui uma atrativa lucratividade.

Uma exploração racional do vinhedo vai depender de determinados fatores que afetarão o desempenho produtivo, tal como a viabilidade econômica.

Tais fatores precisam ser de domínio amplo do produtor, como:

  • As variedades plantadas;
  • O espaçamento;
  • O clima;
  • O solo;
  • A incidência de doenças e pragas;
  • O rendimento do cultivo;
  • O custo de produção;
  • Os preços dos produtos;
  • O atendimento, conhecimento e manutenção dos mercados consumidores, externos e internos.

Utilização de agricultura de precisão no cultivo de vinhedos

É deveras reconhecido nos dias de hoje que existe uma crescente necessidade de gestões localizadas dentro da agricultura. Tal ocorrência se dá por conta das pressões ambientais e econômicas.

Contudo, tal gestão exige um exato conhecimento acerca da variação espacial de propriedades da planta e do solo dentro das lavouras. Na viticultura, a compreensão das extensões, das causas de variabilidade e natureza auxilia os enólogos e viticultores.

Eles podem utilizar as ferramentas agrícolas de precisão para a melhoria das práticas da gestão dentro da vinícola, como:

  • Irrigação;
  • Adubação;
  • Poda;
  • Colheita;
  • Destino de produção.

Em tal contexto, a viticultura de precisão ainda está em desenvolvimento. Explora o conhecimento das variabilidades espaciais dentro dos vinhedos. Sendo assim, é possível projetar as estratégias da gestão localizada.

Sua aplicabilidade, no entanto, depende não só da disponibilidade, mas também da precisão das informações da planta e do solo.

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O mercado da uva

As produções nacionais da uva de mesa são destinadas ao mercado internacional e doméstico. As produções de vinhos, sucos de uva, bem como de derivados, concentram-se no Sul.

É lá que são elaborados cerca de 300 milhões em litros de vinhos. Isso chega a ser a representação de aproximadamente 95% das produções nacionais.

Dentro do mercado interno, os produtores convivem com os excessos das ofertas nos picos das safras. É o que provoca uma redução significativa nos preços da lavoura, estendendo-se para os consumidores.

Como as ofertas internas são menores que os consumos, tal redução dos preços amplia as demandas. Entretanto, isso ocorre onde a população tem um poder aquisitivo menor. Portanto, não há descarte ou perdas nas produções.

Nos mercados externos, existem dois bons períodos durante o ano para se exportar as uvas brasileiras:

  • De abril até junho: é quando há a comercialização normal de 1/3 do volume que se exporta;
  • De outubro até dezembro: é quando são embarcados os outros 2/3 do volume de exportações.

O mercado nacional, mesmo com as exportações, é um bom importador de uvas, bem como dos seus derivados. Existem, portanto, espaços abertos para produtores novos ampliarem as ofertas nacionais. Entretanto, somente quando parâmetros de qualidade e eficiência são observados.

Sendo assim, pode-se dizer que a videira, trazida pelos colonizadores portugueses, trouxe grandes oportunidades para o país.

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