Virola é madeira muito utilizada para fazer compensados

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18/01/2021 Por
Virola é madeira muito utilizada para fazer compensados

Por causa da sua aparência, leveza e boa fixação, a virola tem sido cada vez mais usada para produção de madeira compensada. Além disso, ela tem a grande vantagem de que a maior parte do seu tronco pode ser aproveitada.

Original da região amazônica do Brasil, a virola é bastante comum nas florestas de várzea. Além da madeira, essa árvore também produz uma semente que é bastante valorizada comercialmente.

Virola

O que é virola?

Virola é uma árvore de grande porte muito comum na região norte do Brasil. Em média, a árvore virola tem cerca de trinta metros de altura, e entre sessenta e noventa centímetros de diâmetro. Além disso, ela tem poucos galhos e seu tronco é limpo, cilíndrico e reto, atingindo cerca de dois terços da altura da árvore.

Em contrapartida, a madeira de virola tem coloração bege clara bem homogênea, é leve (cerca de 370 a 480 kg/m³) e tem boa resistência mecânica.

Embora ela não seja imune à umidade e ao apodrecimento, essa madeira tem superfície lisa, opaca e textura média. Como a sua umidade é de 15% e seu cheiro e sabor são imperceptíveis, as fábricas usam muito a virola para produção de madeira compensada.

Outra característica da madeira de virola é a secagem natural demorada. Além disso, ela tem tendência a empenamentos, rachaduras e colapso. Entretanto, ela tem a vantagem de ser fácil de trabalhar com qualquer tipo de máquina ou ferramenta.

Ademais, sua colagem é muito boa. Por isso, usa-se a madeira de virola na marcenaria em geral, para fabricação de molduras, embalagens leves, lambris, forros, painéis compensados, lápis, brinquedos, palitos de sorvete e fósforo.

Porém, os profissionais não a indicam para telhados, estruturas e móveis que exigem esforço mecânico, como cadeiras.

Qual a diferença entre compensado naval e virola?

De forma resumida, produz-se o compensado com várias laminas de madeira entrelaçadas e coladas com sentido do veio em direções opostas umas das outras. Dessa forma, é possível produzir uma placa resistente e leve ao mesmo tempo.

A colagem do material pode ser feita com resina ureia formol ou fenólica. A diferença entre esses dois tipos de cola é que a resina fenólica é aplicada em peças que precisam de resistência a água. Por isso, as fábricas costumam usá-la na confecção do compensado naval. Em contrapartida, a indústria moveleira utiliza principalmente a resina ureia formo.

De fato, a maior diferença entre o compensado de virola e o naval é a sua resistência à água.

Embora a madeira de virola tenha superfície lisa e sem nós, ela não é resistente à água e nem ao apodrecimento. Por outro lado, o compensado naval é totalmente à prova de água e tem maior resistência mecânica em relação à virola.

Contudo, a resistência da madeira utilizada para fabricação do compensado naval tem grande influência na qualidade do produto. Por exemplo, se a fábrica usar uma madeira que não é resistente ao apodrecimento, como a virola, o compensado corre o risco de apodrecer, embora não descole.

No mais, o compensado naval é bastante resistente e pode ser utilizado em diversas funções. Enquanto isso, indica-se a virola para capa e contracapa do compensado, pois tem aspecto visual mais agradável.

Virola

Virola surinamensis, nativa da várzea da região amazônica

Atualmente, a espécie mais utilizada para produção de compensados é a Virola surinamensis. Essa árvore, conhecida popularmente como ucuúba, é nativa da várzea amazônica.

Geralmente, ela se encontra em regiões pantanosas e férteis da zona fluvial amazônica, como margens de rios, águas barrentas e igarapés.

Confira suas principais características:

  • Casca: tem coloração castanho-amarelada e com regiões esbranquiçadas e acinzentadas. Sua textura é lisa e levemente enrugada e estriada no sentido vertical;
  • Folhas: são simples e variam entre coriáceas e sub membranáceas. Embora o tamanho das folhas varie bastante, geralmente elas são alongadas, de margens paralelas e com pecíolos curtos;
  • Flores: por ser uma planta dioica, a árvore apresenta flores diferentes dependendo do seu sexo. Por exemplo, as flores masculinas são paniculadas, densas e ramificadas. Em contrapartida, as femininas têm entre dois e oito centímetros de comprimento, e entre três e seis flores por grupo;
  • Frutos: têm textura semelhante ao couro, forma alongada ou globulosa e de coloração bege escura. Em média, o fruto da virola mede 21 milímetros de comprimento e 18 milímetros de largura;
  • Semente: pesa mais ou menos uma grama e meia, sendo 19% casca e 88% amêndoa. Ademais, ela é fina, lisa, quebradiça e envolvida por arilo avermelhado. Também conhecida como sebo de ucuúba, utiliza-se bastante essa semente na fabricação de sabão, velas, cosméticos e perfumes.

Virola

Plantação de virola

A virola é uma árvore predominante no clima tipo Afi (classificação de Kõppen). Via de regra, essa planta prefere solos com textura argilosa, mal drenados, com pH ácido e com lençol freático alto. Além disso, ela é tolerante à sombra.

Naturalmente, a árvore virola é polinizada por insetos e a dispersão de sementes é feita por pássaros grandes e aves pequenas de voo curto, ou pelas fezes de macacos.

Então, depois de duas a cinco semanas, a sementes germinam. A floração da virola ocorre entre os meses de agosto e novembro. Já a frutificação, entre janeiro e julho.

Para plantação de virola em cativeiro, o recomendado é semear as sementes em sacos plásticos de polietileno, com profundidade de dois a quatro centímetros. Nesse caso, é importante iniciar a semeadura logo após a coleta das sementes. Em média, a produção das mudas pode levar cerca de quatro meses.

De acordo com a Embrapa, o ideal é que a transferência das mudas para o campo seja feita quando elas atingirem 40 centímetros de comprimento. Além disso, o agricultor deve usar três partes de substrato para uma parte de areia e uma parte de matéria orgânica.

Embora a virola seja tolerante a sombra, a espécie também tem uma taxa de sobrevivência muito alta (mais de 90%) em plantios a pleno sol em climas do tipo Afi.

No caso de plantios puros, a recomendação da Embrapa é de espaçamento de três metros entre plantas e fileiras. Dessa forma, o produtor rural pode comercializar tanto a madeira como as sementes da virola.

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