Coamo, cooperativa agro-industrial brasileira, foi fundada em 1969

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14/08/2019 Por
Coamo, cooperativa agro-industrial brasileira, foi fundada em 1969

A Coamo é uma das 30 maiores empresas de exportação do Brasil

A paranaense Coamo completa, no ano de 2019, cinquenta anos de fundação. E se há uma palavra que pode definir esse meio século de existência certamente é solidez. A cooperativa nunca enfrentou uma crise profunda ou foi absorvida por outra companhia. Pelo contrário, absorveu outras cooperativas aos seus negócios.

O faturamento anual da Coamo ultrapassa os 14 bilhões de reais. Assim, se consolida como uma das principais exportadoras do país, a 23ª, mais precisamente. Sem dúvida, é a maior empresa embarcadora de produtos no porto de Paranaguá. Além disso, é a maior cooperativa da América Latina e corresponder a 3,5% da produção nacional de grãos.

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O que é Coamo?

Coamo é uma cooperativa agroindustrial brasileira que armazena e comercializa grãos de safra, além de desenvolver produtos a partir dos grãos que recebe em suas instalações industriais.

O sistema de cooperativa funciona com o trabalho conjunto de membros de determinado grupo econômico ou social. Tal grupo deve pretender desempenhar, em benefício comum, determinada atividade. O trabalho é colaborativo e os lucros são divididos entre os associados.

O trabalho exercido pela cooperativa atende demanda tanto interna como externa. Atualmente, conta com entrepostos em 63 municípios nos estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

A história da Coamo

A Coamo Agroindustrial Cooperativa surgiu em 1969 na cidade de Campo Mourão, situada a noroeste do estado do Paraná. Foi fundada com a união de 79 produtores liderados pelo engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassani.

Foi por intermédio dos conhecimentos e testes realizados por Gallassani que os agricultores de Campo Mourão puderam ter acesso a novas tecnologias. Dessa forma, conseguiram produzir mais, aumentando a prosperidade e eficiência do plantio.

Gallassani era recém-formado e prestador de serviço da Acarpa, que mais tarde se tornaria a Emater.

O primeiro foco de produção foi o trigo, posteriormente a soja. Depois que conseguiram produzir safra suficiente para o sustento das famílias, os agricultores começaram a se questionar para quem vender o excedente. Tal questionamento fez brotar a ideia de montar uma cooperativa de produtores rurais.

Os primeiros desafios da empresa Coamo

De imediato, um dos desafios para fazer uma cooperativa na região de Campo Mourão era a acidez do solo. Tal fator tornava a exploração imprópria. Outra dificuldade era o desconhecimento dos agricultores quanto a tecnologia agrícola. Existiam, a fim de ilustração, apenas 5 tratores na região.

José Aroldo Gallassani foi o agrônomo encarregado de tornar viáveis as condições rurais do lugar.

Juntamente às lideranças locais, a Coamo foi fundada sob a gerência do agrônomo. Sem dúvida, ele sabia da importância de se ter uma cooperativa para o desenvolvimento rural do lugar.

Com a Coamo, que é sigla de Cooperativa Agropecuária Mourãoense, a produção de trigo aumentou. Isso levou ao aluguel de armazéns para receber o volume.

Durante a década de 1970, a Coamo abriu seu primeiro armazém próprio e seus primeiros entrepostos em Mamborê e Engenheiro Beltrão.

A partir de então, a escalada de crescimento, abertura de armazéns, entrepostos e exportações foi certeira com o decorrer dos anos. Assim, novos negócios foram sendo investidos. Em 2000, por exemplo, foi inaugurada a fábrica de margarina.

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O antes e depois da Coamo

O que divide a história da Coamo em duas partes importantes é o processo de industrialização.

Na fase de origem, que depreende os anos 1970, as atividades da Coamo se restringiam ao armazenamento, recebimento e comercialização da safra. A companhia também mantinha negócios menores como a comercialização de insumo e sementes.

A segunda fase, por sua vez, corresponde à era da industrialização que ocorreu nos anos 1980. Essa fase é chamada de agroindustrial. Nesse período foram criadas as unidades de esmagamento de soja, além das refinarias de óleo de soja, a já citada fábrica de margarina e ainda a fiação de algodão.

A era industrial alavancou em definitivo a produção da Coamo. Isso, então, refletiu em seu número de exportações e na possibilidade de abastecimento em mais entrepostos.

Atualmente a Coamo representa 3,5% da produção nacional de grãos. Vende mais de 7 bilhões em produtos Coamo de origem agrícola, exporta mais de 4 milhões de toneladas ao ano e fatura quase 1 bilhão de reais com venda de alimentos. Ainda, conta com mais de 28 mil associados.

Esse salto de produção e de expansão do mercado só pôde ocorrer com o processo de industrialização dos meios agrícolas.

A trajetória de solidez

Ao longo de seus 50 anos de existência, a Coamo jamais passou por fase que ameaçasse a operação de seus negócios. Nunca houve grande abalo, mesmo com as instabilidades que o país viveu nesse período, principalmente na crise do petróleo dos anos 1970, a hiperinflação nos anos 1990 ou mesmo agora com a crise instalada em 2016.

Nesse período, em vez de ser engolida por algum conglomerado, outra cooperativa ou até mesmo multinacional, a Coamo incorporou novos associados. Oito cooperativas que estava prestes a fechar ou já tinham encerrado as atividades encontraram novos colaboradores.

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E qual o segredo dessa solidez nesses anos todo em nosso conturbado país que chegou a derrubar até mesmo gigantes pelo caminho?

Segundo José Aroldo Gallassini, que veio a se tornar presidente do Coamo após os primeiros quatro anos da cooperativa, em entrevista de 2010, o segredo está em sempre fazer compras à vista ou em pagamentos antecipados. Essa estratégia permite melhor escolha de preços, acesso a um melhor suporte de crédito, além de aumentar a confiança na empresa.

O grande problema das cooperativas que faliram nos últimos anos foi o endividamento altíssimo dos associados dos grupos. Desse mal, a Coamo não sofreu, justamente por preferir pagamento à vista. Isso, certamente, propiciou que incorporasse essas associações falimentares à sua estrutura.

Pensando no futuro

Outra prática que explica a admirável solidez da Coamo durante todas as suas décadas de existência é o de não pensar somente no presente, mas, também, vislumbrar o futuro.

Seja investindo em pioneirismo, tecnologia ou na formação dos mais novos, a Coamo nunca parou no tempo. Suas novas lideranças vão assumir posteriormente o conselho fiscal, os comitês educativos e o conselho de administração, trazendo benefícios a todos os envolvidos.

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