Colostro é essencial para a saúde e desenvolvimento dos bezerros

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O leite secretado pela vaca nas primeiras 24 horas após o parto pode ser crucial para a vida do filhote

18/02/2019 Por
Colostro é essencial para a saúde e desenvolvimento dos bezerros

Colostro é essencial para a saúde de bezerros recém-nascidos

Entre os cuidados necessários para os bezerros recém-nascidos, o colostro pede uma atenção ainda maior por influenciar diretamente no desenvolvimento e na saúde dos filhotes.

A ausência do colostro pode levar o animal à morte logo nos primeiros meses de vida, além de refletir na sua produção de leite no futuro e no seu ganho de peso durante os primeiros meses de vida.

Colostro

O que é colostro?

O colostro bovino, primeiro leite expelido pela vaca após o parto, é composto por altas quantidades de proteínas, gorduras, minerais e vitaminas. Elas fazem com que o bezerro cresça e se desenvolva de forma mais saudável. Mas sua principal função é outra: permitir que o organismo do bezerro receba os anticorpos necessários para se defender de possíveis doenças.

Durante a gestação, as imunoglobulinas (como os anticorpos também são chamados) não passam pela placenta da vaca. Consequentemente, o filhote nasce sem elas, ficando vulnerável a vírus, bactérias e protozoários, que podem vir a gerar problemas. Por isso, é imprescindível que ele receba o colostro. Assim, garante sua sobrevivência até seu próprio organismo passar a produzir células de defesa – o que acontece cerca de três semanas após seu nascimento. Sua qualidade, ou seja, a quantidade de anticorpos, pode variar entre as ordenhas e também entre as raças das vacas.

Banco de colostro

As três primeiras horas de vida do animal são cruciais. A ausência de atividade gástrica logo após o nascimento torna possível a absorção intacta do anticorpo presente no colostro animal pelo intestino delgado, sem ser digerido. Mas nem sempre isso é possível. Algumas situações podem dificultar a ingestão do leite direto da mãe pelo filhote. Assim, torna-se necessário recorrer a uma reserva de colostro e à amamentação manual.

A morte da vaca após o parto é um exemplo, mas existem outros casos que podem deixar o bezerro sem colostro bovino. Um exemplo é a ausência de produção devido a problemas nutricionais. Pode acontecer também de existirem patologias que podem ser transmitidas da vaca para o filhote.

E, apesar de raros, há casos de vacas que iniciam a produção de colostro muito tempo antes do parto. Isso torna o colostro produzido depois do parto pobre em anticorpos, ou seja, ruim para o desenvolvimento do bezerro. Outra situação que pode vir a acontecer é o filhote não conseguir se levantar durante as primeiras horas de vida e, por isso, demorar a mamar.

Quando alguma dessas situações acontece, deve-se recorrer à um banco de colostro e fazer a amamentação por meio de mamadeira. Mas como criar um banco de colostro? É bem simples: basta armazená-lo. O armazenamento pode ser em garrafas ou sacos de plástico de no máximo dois litros. Sua conservação pode ser feita na geladeira por até uma semana ou no freezer por até um ano. E seu descongelamento em água morna (até 50º C) ou no microondas em baixa potência.

Bezerro mamando nas glândulas mamárias da vaca e recebendo o colostro.

Qual é a melhor forma de fornecer colostro?

É imprescindível que algumas regras sejam seguidas para que o fornecimento de colostro seja adequado, sendo elas:

  • alimentar bem a vaca seca (período entre uma lactação e outra) para que elas produzam um colostro de boa qualidade;
  • alimentar o animal com colostro nos seus três primeiros dias de vida, dando dois litros nas primeiras horas de vida e quatro em duas refeições por dia;
  • dar o colostro na mamadeira caso o bezerro não tenha tomado durante as seis primeiras horas de vida;
  • o piquete maternidade deve ser limpo, seco e com boa ventilação;
  • ordenhá-la somente quando o bezerro tiver mamado uma grande quantidade de leite;
  • não fornecer o colostro com sangue;
  • ter um banco de colostro.

É importante lembrar que o animal pode receber o colostro até seu terceiro dia de vida. Depois disso, seu organismo passa a rejeitar as imunoglobulinas, podendo causar diarreia.

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