El Niño: o que é e quais as suas consequências para o mundo

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18/04/2019 Por
El Niño: o que é e quais as suas consequências para o mundo

O fenômeno El Niño acontece no oceano Pacífico e atinge o mundo todo

O El Nniño é um fenômeno decorrido de fatores climáticos em uma determinada região, contudo, suas consequências são em grande escala. Além de atingir boa parte do globo terrestre, este evento é uma situação de calamidade mundial e seus efeitos variam de acordo com cada região atingida.

O evento El Niño é conhecido em todo o mundo e está acontecendo com maior frequência nos últimos anos em decorrência de problemas climáticos como o aquecimento global e o efeito estufa, por exemplo.

Efeitos do El niño no mundo

O que é El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático de proporção global e que tem origem na faixa equatorial do planeta. Este fenômeno se caracteriza pelo aquecimento anormal do Oceano Pacífico Equatorial;  e provoca mudanças na circulação dos ventos da atmosfera. Suas consequências são de nível mundial e provocam outros fenômenos de extremos, incluindo tanto a seca como fortes incidências de chuvas.

Em épocas que este fenômeno está normalizado, as águas do Oceano Pacífico Equatorial Oeste ficam mais quentes do que quando estão junto à costa Oeste da América do Sul; embora essas águas sejam, geralmente, um pouco mais frias.

Os ventos alísios – deslocamento de massas de ar quente e úmida – sopram do leste para o oeste. Este fenômeno faz com que a água quente se acumule nas camadas superiores do Oceano Pacífico, próximo as regiões da Austrália e Indonésia.

Um fato curioso sobre a nomenclatura do fenômeno é que, em razão da época em que ele acontece (em dezembro, está próximo ao Natal),recebeu o nome de El Niño; fazendo alusão ao Menino Jesus, em espanhol, “Niño Jesus”.

Como ocorre o El Niño?

O El Niño se repete em intervalos irregulares – geralmente a cada cerca de 4 anos e durante o mês de dezembro – em uma determinada região a partir de fatores climáticos.

Ele acontece devido ao superaquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico, em especial próximo ao Peru e países vizinhos. Por consequência deste esquentamento das águas, o fenômeno costuma gerar mais consequência nas regiões próximas ao litoral.

Em razão das águas do Pacífico Oeste serem mais quentes, acontece o processo de evaporação com maior frequência. Este evento faz com o que a evaporação suba até as nuvens e se acumulem em uma grande área.

Enquanto isso, nos níveis superiores à atmosfera, acontece um processo conhecido como Circulação de Walker. Este evento é caracterizado pelos ventos que circulam do oeste para o leste. Deste modo, o ar frio desce até o Pacífico Leste.

Em uma recente teoria sobre o surgimento deste evento é explicado o aquecimento das águas a partir de ação do magma dos vulcões; embora muitos cientistas expliquem o El Niño como decorrente da ação humana.

El Niño

Consequências do El Niño no Brasil

O Brasil é um país banhado pelo oceano Atlântico. Contudo, apesar de o El Niño acontecer nas águas do Pacífico, há consequências no território brasileiro decorrente deste fenômeno.

Os impactos são bastante variados e cada parte do país é atingida de uma maneira, dependendo das dimensões continentais. Em algumas áreas, por exemplo, ele causa uma seca extrema; enquanto há outras em que apenas se elevam as temperaturas.

Na região Norte costuma provocar a redução de chuvas na região próxima à Floresta Amazônica. Este evento se caracteriza por estiagens de caráter cíclico na região florestal. Por consequência, aumenta o problema das queimadas.

Na região Centro-Oeste acontece o inverso, e há um aumento dos índices de chuvas durante o verão, além de uma elevação significativa das temperaturas durante os meses de outubro e novembro – em que já faz calor.

Na região Nordeste, o fenômeno provoca seca intensa nas regiões central e norte do Nordeste brasileiro. Além disso, ele afeta a região do Polígono das Secas, conhecida por vivenciar crises hídricas o ano todo. No Sul, ele causa chuvas muito forte que podem afetar os espaços rurais da região; e há também um forte agravamento das temperaturas, tanto quentes como frias.

Na região Sudeste, o El Niño aumenta as temperaturas frias da segunda estação do ano. Além disso, agrava os períodos de chuva, em especial nas regiões metropolitanas da região. Um evento curioso que aconteceu no Sudeste, em 2014, foi que a região enfrentava diversos problemas de altas temperaturas e falta de chuvas; e as reservas hídricas foram secando.

Por isso, neste ano torceu-se muito para que o fenômeno climático voltasse a acontecer e provocasse altas chuvas; por consequência, diminuindo as temperaturas.

Impactos do El Niño no mundo

O fenômeno acontece em âmbito mundial, por isso, cada região é afetada de uma maneira. O Peru – país mais próximo da área oceânica que ele acontece – é o mais atingido. O maior impacto é a alteração da vida marinha entre os EUA, Canadá e Peru. Sem contar o aumento significativo das chuvas, em especial nos países da América do Sul.

Na América Central também há incidência de alterações climáticas. Os países localizados no continente africano e no sudeste da Ásia também sofrem com as fortes tempestades tropicais.

El Niño

El Niño e La Niña

O El Niño e La Niña são ambos fenômenos, e sua principal diferença que é atuam exatamente de inverso modo um do outro. Enquanto El Niño representa o superaquecimento das águas, La Niña provoca o resfriamento intenso do oceano Pacífico. Além disso, os dois eventos são de caráter cíclico, em outras palavras, acontecem de tempos em tempos.

O fenômeno La Niña acontece em razão da alta circulação dos ventos alísios; que também atuam para o aumento da temperatura. Portanto, a água fria no fundo do oceano sobe até a superfície, evapora e carrega as nuvens próximas, as deixando com uma massa densa.

Por outro lado, o El Niño é mais frequente em decorrência dos atuais eventos climáticos no mundo. Segundo especialistas, o aquecimento global é um dos principais fatores que contribuiu para o aumento da frequência do evento ao longo dos últimos anos. Um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no ano de 2015, inclusive, comprova que houve um agravamento do fenômeno.

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