Esquistossomose é uma doença cujo verme é carregado por caracóis

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28/08/2019 Por
Esquistossomose é uma doença cujo verme é carregado por caracóis

Esquistossomose é doença tropical recorrente no Brasil

Esquistossomose é uma doença tropical e subtropical que permanece endêmica em terras brasileiras. A contaminação ocorre através de um parasita de água doce.

Em alguns lugares, a esquistossomose ainda pode ser conhecida como barriga d’água.

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O que é esquistossomose?

Esquistossomose é uma doença tropical causada por um parasita. A transmissão do parasita ocorre por intermédio do contato com a água doce contaminada com larvas.

Chamada também de bilharzíase, a doença atinge uma média de 240 milhões de pessoas em todo o mundo. Afinal de contas, os vermes chamados esquistossomos vivem em água doce, como lagos e rios localizados em regiões subtropicais e tropicais do mundo.

Existem três espécies principais de esquistossomos que causam a esquistossomose em humanos: Schistosoma japonicums, Schistosoma mansoni e Chistosoma haematobium.

Outras espécies de esquistossomas podem causar doenças em outros animais, por exemplo, o Schistosoma bovis, que infecta bovinos domésticos, prejudicando sua saúde e produtividade comercial.

Grupos de risco da esquistossomose

De fato, a esquistossomose é mais recorrente em comunidades acometidas pela pobreza, isto é, sem acesso à água potável, saneamento básico adequado ou disponibilidade médica.

Esses são os principais fatores de risco para desenvolver a doença. Na África Subsaariana, por exemplo, mais de duzentas mil mortes anuais ocorrem devido à doença.

Como é transmitida a esquistossomose?

Em suma, os pacientes são infectados uma vez que entram em contato com a água doce contaminada pelo parasita esquistossomo.

A água doce fica contaminada com o parasita quando os indivíduos infectados pela esquistossomose urinam ou defecam na água. Desse modo, estes liberam seus ovos, que posteriormente eclodem em larvas e iniciam o ciclo da esquistossomose.

As larvas do parasita, por sua vez, desenvolvem-se e multiplicam-se dentro de diversos caracóis típicos de água doce, tais como o Bulinus e Biomphalaria.

De fato, o parasita possui uma capacidade de sobrevivência de até quarenta e oito horas dentro da água. Durante esse tempo, nada pelos lagos e rios procurando por um hospedeiro. Uma vez que este é encontrado pelo parasita, o mesmo penetra em sua pele.

O amadurecimento do parasita demora cerca de algumas semanas. A partir de então, as fêmeas iniciam a produção de ovos. Alguns dos ovos produzidos podem começar uma migração para o intestino ou bexiga, onde seguem para as fezes e urina.

Os níveis mais elevados da transmissão da esquistossomose estão concentrados em comunidades e arredores de lagos e rios de água doce.

Contudo, na América do Sul e na África, a migração para áreas urbanas está introduzindo a esquistossomose em novos locais. Além disso, o aumento populacional também está elevando as taxas de transmissão à medida que a demanda por água aumenta.

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Sintomas da esquistossomose

Os sintomas da esquistossomose são causados ​​pelo sistema imunológico do corpo reagindo aos ovos do esquistossomo. Os ovos podem se alojar em várias áreas pelo corpo, causando inchaço e inflamação.

Estas inflamações tendem a formar massas teciduais conhecidas como granulomas – além da chamada fibrose. Esses colaterais, por sua vez, levam aos mais diversos sintomas, dependendo do órgão em que estão localizados.

Fases da esquistossomose

A doença é dividida entre fase aguda e fase crônica.

Fase aguda da esquistossomose

Na fase aguda, os sintomas são causados ​​pelo sistema imunológico que reage ao parasita. Geralmente, são leves e de curto prazo. Os sintomas da fase aguda podem se desenvolver semanas após o parasita entrar pela primeira vez na pele do hospedeiro. Estes sintomas são uma resposta aos primeiros ovos parasitas que ficam presos no fígado e no baço.

Em suma, os sintomas agudos são geralmente semelhantes à gripe, incluindo febre e dores musculares. No entanto, também podem incluir dor abdominal, tosse e erupção cutânea.

Em alguns casos, os sintomas da fase aguda podem ser tão suaves e fracos que passam sem ser percebidos.

Fase crônica da esquistossomose

Em áreas do mundo onde os moradores não têm acesso aos cuidados médicos e já têm um sistema imunológico fraco, a fase pode se tornar crônica. Isso significa que a doença persiste por muito tempo no corpo.

A fase crônica pode se desenvolver meses ou até anos após a primeira infecção, causando complicações de saúde a longo prazo. Os danos nos órgãos após infecção crônica, por exemplo, são irreversíveis.

Os sintomas da fase crônica causam inflamação em vários órgãos e tecidos. A reação é causada como uma resposta do organismo aos ovos de esquistossomas. Os sintomas mais comuns da fase crônica são os relatados a seguir.

  • Dor ao fazer xixi

Os ovos de esquistossoma alojados no trato urinário causam inflamação e resultam em sintomas semelhantes às infecções do trato urinário e da bexiga. Em casos raros, observa-se que isso predispõe os indivíduos ao câncer de bexiga.

Nas mulheres, infecções crônicas do trato urinário também estão associadas a danos ao colo do útero, trompas de falópio e à vagina.

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  • Sangue na urina

O sangue na urina é resultado de uma inflamação grave da bexiga causada por ovos alojados na parede da mesma.

  • Diarreia sanguinolenta

Os ovos de esquistossoma podem se alojar também nos vasos sanguíneos do intestino, causando inflamação e, consequentemente, diarreia.

  • Dor torácica

A dor no tórax é resultado de parasitas larvais que se movem pelo tecido pulmonar. Além disso, está associada aos esquistossomas que ficam presos nos vasos sanguíneos que irrigam os pulmões. Isso resulta em inflamação, formação de granuloma e fibrose.

  • Insuficiência hepática

A insuficiência hepática é a resposta aos ovos de esquistossoma alojados nos vasos sanguíneos que alimentam o fígado. Estes, por sua vez, provocam a formação de granulomas e tecido cicatricial.

Os mesmos podem, eventualmente, impedir que o fígado execute suas funções normais, levando a um acúmulo de toxinas no corpo.

  • Convulsões, derrame e paralisia

Essa combinação pode ser resultado dos ovos de esquistossoma alojados na medula espinhal ou no cérebro, causando inflamação.

Crianças que são repetidamente infectadas com esquistossomose podem desenvolver anemia, desnutrição e dificuldades de aprendizagem. A intensidade e a prevalência da infecção pela doença geralmente aumenta com a idade.

Isto é, a esquistossomose alcança seu pico em torno dos quinze aos vinte anos de idade. À medida que as pessoas envelhecem, embora a prevalência da infecção tenda a permanecer a mesma, o número de parasitas no corpo diminui.

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