Intemperismo e seus processos físicos, químicos e biológicos

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25/04/2019 Por
Intemperismo e seus processos físicos, químicos e biológicos

Entenda como ocorre o intemperismo

Os processos do intemperismo podem ser observados nas quatro regiões brasileiras. Ele acontece de acordo com as condições e características das regiões, sejam elas mais frias ou mais quentes. No entanto, quando acontece, é visível a transformação química e física que ele ocasiona.

O intemperismo está diretamente ligado às transformações das rochas. Cada rocha tem sua particularidade e, por isso, ele acontece em três diferentes formas, seguido de alguns fatores que possibilitam e favorecem sua ocorrência. Estes fatores também possuem particularidades que determinam a intensidade do processo.

Intemperismo: desgaste das rochas

O que é intemperismo?

Intemperismo – também chamado de meteorização – consiste em um processo de mudança das rochas por processo físico (como a desagregação) e por processo químico (como a decomposição) de suas estruturas. Esses processos dão origem à sedimentos e interferem em processos sedimentares, como, por exemplo, a diagênese, a erosão e a pedogênese (ou seja, a formação do solo).

Ao serem afloradas na superfície, as rochas se tornam expostas ao agentes exógenos ou externos de transformação do relevo, como, por exemplo, a força dos ventos e a água.

Assim, eles sofrem desagregação por processos de oxidação ou uma espécie de “lavagem” de sua cobertura. Além disso, essa rochas também ficam expostas às oscilações de temperatura.

Sendo assim, o intemperismo é dividido em três tipos determinados. São eles:

  • Intemperismo físico;
  • Intemperismo químico;
  • Intemperismo físico-biológico.

Veja, a seguir, o que representa e como se apresenta cada um desses tipos de intemperismo.

Intemperismo físico

O intemperismo físico consiste na desagregação da rocha, transformando-a em material irregular, frágil e quebradiço. No entanto, existem alguns fatores que influenciam direta e indiretamente a ocorrência deste tipo de intemperismo.

O primeiro fator é a expansão térmica e pressão. A variação de temperatura durante o dia (pela insolação) e durante a noite (pelo resfriamento) têm papel significativo na desintegração das rochas, em especial nas regiões semi áridas e áridas.

Elas se quebram em pedaços granulares ou em escamas de diversos tamanhos; tudo depende das características litológicas (ou seja, características da rocha) e da força e intensidade do fenômeno. As rochas mais escuras, quando estão em climas desérticos, podem atingir temperaturas de até 80°C, com variações de até 50°C.

O segundo fator é o de congelamento da água (pressão/térmica). As regiões frias e temperadas têm grandes mudanças de temperaturas diárias, seguidas de congelamento e descongelamento, e isso faz com que sejam eficazes no processo de desagregação das rochas.

As rochas são desintegradas e, muitas vezes, transformadas em pó. Por ser um material muito fino, este pó é levado pelo vento e é responsável por formar os depósitos de Loess – sedimento fértil de cor amarelada.

Intemperismo físico

O terceiro fator é o crescimento de cristais. Ele se dá nas fissuras e nas fendas das rochas, favorecendo a sua desintegração. O crescimento de cristais ocasiona uma pressão nas rochas, resultando, também, no aumento das fraturas.

Além disso, a ação de cristalização de sais também é notada no Nordeste do país, na região semi árida, onde há formação de salitre e de cloreto de sódio.

O quinto e último fator é o da abrasão mecânica. Abrasão consiste em um processo físico de friccionamento, raspagem ou polimento, em que as partículas de rocha são desgastadas pela fricção da água corrente, dos ventos, das geleiras, das correntes marinhas, entre outros. Ou seja, as rochas são desgastadas por abrasão mecânica quando deslizam uma sobre a outra ou pelo impacto dos grãos que são transportados contra o substrato no solo.

Intemperismo químico

O intemperismo químico consiste na atuação sobre os minerais das rochas por meio químico, envolvendo variáveis como, por exemplo:

  • Dissolução;
  • Hidratação;
  • Hidrólise;
  • Carbonatação;
  • Oxidação e redução;
  • Quelatação;
  • Atividades inorgânicas e orgânicas.

Assim, essas reações mudam a composição das rochas, resultando em uma nova formação de substâncias. Neste processo, as propriedades químicas e físicas da água possuem papel essencial. A tensão superficial deste composto é maior do que a de qualquer fluído.

O processo de dissolução é a primeira etapa do intemperismo químico. Alguns minerais e rochas são dissolvidos facilmente pela água, como, por exemplo, a dolomita, a calcita, halita, calcário e o gipso.

Os sais minerais são facilmente solúveis na água, já o quartzo é praticamente insolúvel. A solubilidade dos minerais é geralmente incentivada pelo aumento de temperatura.

No processo de hidratação, água é adicionada a um mineral e transforma sua estrutura física e química; e os minerais aumentam de tamanho. Já na desidratação, o mineral perde água e, então, seu tamanho é diminuído.

A hidrólise é a reação química entre a água e os minerais. A decomposição de alguns silicatos, como, por exemplo, micas, augita, feldspatos, entre outros, é processada por meio da hidrólise, da água dissociada.

A carbonatação é a reação de uma solução ácida – resultante do gás carbônico – dissolvida na água (também chamado de ácido carbônico) – mais os minerais. Assim, toda a água que entra em contato com o ar possui gás carbônico dissolvida em sua composição.

Na oxidação e redução, a água junto ao oxigênio dissolvido entra no subsolo. A oxidação, então, processa-se nos primeiros metros da superfície, resultando na cessão total do lençol freático.

Neste processo, o oxigênio reage com os minerais que contêm ferro, enxofre e manganês. A oxidação é propiciada pela presença de umidade; já na ausência de água ela é pouco eficaz.

Um dos exemplos de intemperismo mais comum é a transformação de alguns tipos de minerais em argila ou a perfuração de rochas pela água.

Intemperismo físico-biológico

O intemperismo físico-biológico consiste na transformação das rochas por meio da ação de seres vivos, como alguns animais e, principalmente, as bactérias. Neste processo estão inclusas:

  • As ações das bactérias;
  • As raízes das árvores;
  • A decomposição de organismos;
  • Excrementos, entre outros.

Intemperismo químico: perfuração nas rochas

Fatores que influenciam o intemperismo

O principal fator do intemperismo é o clima, principalmente pelo aquecimento do sol e pelo resfriamento pelas chuvas, logo em seguida. Dessa forma, as rochas ficam contraindo e dilatando sem parar, sofrendo a fragmentação.

Mas o relevo também é um desses fatores. Ele interfere diretamente no fluxo da água das chuvas, causando maior ou menor infiltração no solo.

No locais mais inclinados, o contato da água das chuvas com as rochas é menor, prejudicando as reações químicas que são responsáveis pela fragmentação do solo. Já em áreas mais baixas, o acúmulo de água é maior, o que favorece o intemperismo das rochas.

Outro fator importante para o intemperismo é o tempo cronológico. Por exemplo, quanto maior for o tempo de exposição das rochas às condições atmosféricas, maior será a intensidade do processo sobre elas.

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