Quero-quero, de cor cinza claro, é do tamanho de uma perdiz

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13/10/2020 Por
Quero-quero, de cor cinza claro, é do tamanho de uma perdiz

Ave temperamental, o quero-quero é famoso por ser briguento em relação a intrusos. Chegando a habitar em geral áreas espraiadas de lagos e rios e as campinas úmidas sul-americanas, o singular quero-quero ainda tem preferência por criar seus ninhos em brejos, campos, praias, várzeas úmidas e mangues. Até porque seu habitat ideal precisa ter vegetação rasteira para ajudá-lo na procura por comida.

Por outro lado, o quero-quero fez fama mesmo por não tolerar nem a presença humana, nem qualquer outro tipo de espécie. Aliás, se você entrar em áreas urbanas e até mesmo um campo de futebol, procure tomar cuidado com seus rasantes. De qualquer forma, para saber mais sobre essa ave típica do nosso continente, continue conosco!

Quero-quero

O que é quero-quero?

Quero-quero é uma ave de porte médio, similar a uma codorna e que costuma apresentar uma tonalidade geralmente cinza e ornamentos pretos no peito, cauda e na cabeça. Além de ser encontrada principalmente na América do Sul, essa espécie conhecida cientificamente como Vanellus chilensis também apresenta asa com penas verdes e barriga branca.

Ele tem um penacho na região posterior da cabeça; o bico e as pernas são avermelhadas e tem um par de esporões no encontro das asas.

Em relação ao seu temperamento, o quero-quero tem o hábito de sempre alarmar a presença de estranhos próximo ao local dos seus ninhos. Essa ave tende a ser ofensiva e provocar rixas e brigas até mesmo com quaisquer outras espécies de animais que ameacem seus domínios.

Enfim, a alimentação de um quero-quero tem como base pequenos peixes e invertebrados aquáticos, além de moluscos e artrópodes terrestres.

Reprodução do pássaro quero-quero

Sobre seus hábitos, o quero-quero costuma viver em áreas cercadas por pastagens e regiões banhadas, já que é muito comum em propriedades como fazendas, estradas e campos de futebol. Como atitude usual, ele é o primeiro a alertar a presença de intrusos no seu habitat. Com isso, acabou ganhando a fama de ave briguenta.

Quem ganha com isso são espécies como a capivara, pois tiram proveito dessa atitude para ficarem também ficar alertas em relação a possíveis sinais de perigo em seu território.

Em outras palavras, o quero-quero é um ótimo “cão de guarda”, sendo inclusive adotado em muitas fábricas para sinalizar a presença de pessoas.

Já em relação à reprodução do pássaro quero-quero, ela costuma ocorrer na primavera, quando a fêmea chega a colocar entre três e quatro ovos. Esses, por sua vez, ficam em cavidades no solo e têm a forma de uma pera ou pião.

Para maior segurança dos filhotes, eles costumam rolar de forma a ficarem manchados e camuflarem-se com a terra. Aliás, esses filhotes tendem a abandonar seus ninhos poucos dias após o nascimento. Enfim, sempre que um quero-quero adulto fica estressado ou é espantado de seu ninho, o macho fica agressivo e pode atacar até mesmo o homem.

Quero-quero

Características do Vanellus chilensis

Uma das características do quero-quero é que a espécie não apresenta dimorfismo sexual. Além do mais, essa ave chega a medir entre trinta e quarenta centímetros de comprimento na fase adulta e pesar mais de trezentos gramas.

Pelo aspecto externo, sua plumagem é marcante pela presença de branco e preto na garganta e testa, além de uma ampla área preta brilhante no peito. Ainda assim, o quero-quero pode ser reconhecido pelo seu tom cinza-claro ou marrom dos lados do pescoço, dorso e topo da cabeça. Sem contar com a clássica penugem fina e cinzenta no alto da cabeça.

Enfim, sua cauda costuma apresentar uma faixa branca e fina na extremidade, enquanto seu bico vai do vermelho ao negro, as patas são avermelhadas e o abdômen é branco. Como marca registrada, ainda há a presença de esporões ósseos em suas asas, comumente exibidos durante o voo para afastar inimigos e rivais.

Aliás, esse esporão do briguento Vanellus chilensis pode ser usado tanto para defesa quanto para ações de ataque. Assim, o quero-quero pode manter sua fama deixando seus filhotes e território seguros. Esses filhotes, desde pequenos, já exibem a mancha típica negra no peito e o tom branco no pescoço, ventre e costas.

Curiosidades sobre o tetéu

Embora seja mais comum o nome de quero-quero, a versão popular tetéu também pode ajudar a abrir este tópico especial. Em seguida, vamos trazer algumas informações extras e certas curiosidades sobre a espécie:

  • É a ave-símbolo do estado do Rio Grande do Sul;
  • Ela tem ótima adaptação a áreas urbanas;
  • A ave prefere viver em regiões com baixa altitude;
  • Como grandes predadores, ele tem répteis, aves de rapina e até o próprio homem;
  • A população total de aves quero-quero ainda é incerta;
  • Está na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza;
  • Sua taxa de natalidade é de setenta por cento, mas apenas vinte por cento fica adulta;
  • Costuma passar maior parte do tempo no chão, embora voe muito bem.

Quero-quero

A ave quero-quero e a diversidade em risco no Brasil

Não é apenas a espécie de ave quero-quero que está em risco no Brasil. Afinal, além da presença humana e o grande número de desmatamentos, o tráfico de animais silvestres cresce a cada ano. Como resultado, hoje ele já é um dos maiores comércios ilícitos mundiais, perdendo somente para a venda ilegal de armas e narcóticos.

Com isso, a ONU estima que esse comércio ilegal deve movimentar quase vinte bilhões de dólares anuais. Pelo lado triste, a participação do Brasil deve ser de cerca de vinte por cento. Ou seja, em números, isso corresponde à retirada de mais de trinta milhões de animais silvestres por ano de nossas matas.

Claro que tudo isso é resultado do interesse que aves como o quero-quero despertam nos humanos, sem falar de canto e beleza. Prova disso são os vários animais que costuma ser negociados até mesmo nas feiras livres. Para isso, costumam ser transportados entre municípios, regiões e principalmente países.

Enfim, para fechar nosso artigo sobre o quero-quero, a notícia triste vem de estudos da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres. Isso porque pesquisas sobre o tráfico de animais silvestres no Brasil revelam que as aves são o produto mais comercializado entre todas as espécies da nossa fauna.

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