Traíra é espécie agressiva e uma das mais comuns no Brasil

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24/04/2019 Por
Traíra é espécie agressiva e uma das mais comuns no Brasil

O traíra é um peixe de água doce, considerado muito agressivo e predador

Conhecido por características que em nada contribuem para uma boa fama, o peixe traíra habita águas doces. Ele pode ser encontrado em partes do Atlântico Sul, da bacia Amazônica e dos rios Araguaia e São Francisco, entre outros.

Embora seja uma espécie bastante agressiva, de dentes extremamente afiados e um corpo repleto de espinhos; a carne da traíra é bastante apreciada por ser sabor marcante. No entanto, o peixe não costuma ser explorado na piscicultura. Isso porque sua presença em tanques de criação é quase uma garantia de que muitos dos alevinos presentes sejam devorados.

Desenho de peixe traíra com seus dentes afiados aparentes

Peixe traíra

O peixe traíra é uma das espécies mais encontradas no Brasil. Entre as razões para isso, podemos citar o fato de ele se adaptar facilmente aos mais variados ambientes. Além disso, ele precisa de muito pouco espaço e oxigênio para viver. A espécie também é conhecida pelos nomes de lobó ou tararira, e a sua pesca costuma ser considerada mais como um teste de paciência do que como um desafio.

Apesar de não fazer parte do grupo dos peixes conhecidos pela agilidade do nado em longas distâncias; ele é um dos peixes de água doce que representa uma grande ameaça para as espécies menores. Isso porque, além de ser carnívoro, ele é bastante agressivo e dono de um ataque certeiro na hora da caça; com um nado curto e veloz que deixa poucas alternativas de fuga para as suas presas.

Características do peixe traíra

O traíra é um peixe de escamas que tem um corpo roliço e alongado, destacando nadadeiras de formato arredondado, com exceção da dorsal. Sua cabeça é bastante resistente e seus olhos são grandes, saltados e extremamente potentes; capazes de guiar o peixe para que os seus ataques noturnos sejam tão certeiros como em qualquer outro período.

A língua do traíra é bastante áspera e destaca dentículos, sendo que os dentes da espécie são muito afiados. Por isso, o seu manejo merece atenção e muito cuidados, já que o seu corpo escorregadio e liso favorece acidentes. Isso porque, fazendo jus ao seu nome, o territorial traíra costuma aproveitar qualquer oportunidade que tenha para morder ferozmente quem estiver por perto.

A coloração do seu corpo é puxada para o marrom ou cinza, geralmente manchado, e o seu dorso apresenta um tom mais escuro e negro. Pela sua aparência, ele costuma se esconder debaixo de troncos, pedaços de madeira e até latas caídas nas extremidades de lagos.

Podendo atingir um tamanho de até 1 metro de comprimento, a espécie chega a até cerca de 4 quilos de peso; e diz-se que, quanto maior e mais pesado o peixe, maior o seu perigo e voracidade.

Traíra

Habitat do traíra

O traíra pode ser encontrado em todo o Brasil, mas as áreas mais conhecidas em que está presente incluem a bacia Amazônica, a região do Tocantins e do rio Araguaia, bacia do Prata, o São Francisco e as regiões Sudeste, Sul e Nordeste do Brasil.

Seu habitat preferido é o de águas paradas e inclui desde lagos, lagoas e rios até remansos, brejos, represas, córregos e matas inundadas. Sua capacidade de viver em águas salobras e com pouco oxigênio é grande, o que favorece sua capacidade de caça e possibilidades de alimentação.

Alimentação do traíra

Assim como a piranha, o traíra é um peixe voraz. Solitário, ele costuma escolher áreas com plantas aquáticas, galhos e troncos submersos para se esconder; enquanto fica à espreita de possíveis presas. Dono de uma imensa capacidade de visão, ele combina este fato aos seus hábitos noturnos para facilitar a caça e a alimentação.

Embora costume se movimentar lentamente pelas margens de lagos e rios, o ataque do traíra é veloz e certeiro para se alimentar; agindo como uma espécie de torpedo de alcance curto e rápido para abocanhar seu alimento. Entre as suas presas se destacam outros peixes de tamanho menor, anfíbios como rãs e alguns insetos.

Como pescar traíra

Conforme citado anteriormente, o maior desafio na pescaria do traíra é a paciência e a escolha do método e dos acessórios adequados para a tarefa. Isso porque, para uma pesca bem sucedida, o maior problema é encontrar a maneira certa de atrair o peixe.

Levando em conta o fato de que este é um peixe bastante determinado e preciso na hora de abocanhar sua presa, há relatos de que ele chega a acompanhar a isca para fora da água em determinadas ocasiões. No entanto, até que seja atraído para o ataque, é preciso paciência e dedicação por parte do pescador.

Ao contrário de muitas espécies, o traíra não se assusta facilmente com o movimento das pessoas ou diferentes barulhos na água. Pelo contrário: esse tipo de situação costuma, inclusive atraí-lo – já que o seu ataque costuma ser direcionado para presas em movimento. Dessa forma, fica claro que encontrar uma boa estratégia é algo necessário para capturar o peixe traíra.

O anzol com iscas naturais, geralmente de peixe ou carne, são os mais indicados para a pesca do traíra; e miúdos de frango também costumam funcionar. Também é recomendado que se utilize chumbo por cima da isca, promovendo barulho no contato com a água para ajudar a atrair o peixe.

Traíra

Outra dica importante é encontrar iscas que tenham um grande poder de submergir para o fundo da água na hora da pesca. Isso porque o traíra costuma se esconder em diferentes estruturas e “tocas” debaixo d’água e; dessa forma, ao puxar a isca, há uma chance maior de que ela passe pelo peixe e chame a sua atenção para o ataque.

Diferença entre traíra e trairão

Embora os seus nomes sejam parecidos, há diferenças significativas entre os peixes traíra e trairão; a começar por por um aspecto arriscado de se conferir: a língua. Enquanto a língua do traíra é áspera e com dentículos, a do trairão é lisa; porém, como citado, essa não é a maneira mais segura de verificar qual das espécies está na sua mão.

O tamanho do peixe pode ser uma boa forma de validar a diferença entre traíra e trarão. Isso porque, enquanto o primeiro costuma atingir um peso máximo de 5 quilos; o segundo pode chegar até os 20 quilos. Embora a carne de ambas as espécies seja bastante saborosa, o trairão é o mais explorado na piscicultura.

Isso porque o seu peso e tamanho (de até 1,1 metro, geralmente) são maiores, e não por serem menos agressivos; já que tanto o traíra quanto o trairão são adeptos do canibalismo em relação aos alevinos quando confinados.

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