Agricultura

Uva niagara é um dos tipos de uva mais vendidos no Brasil

Uva niagara é um dos tipos de uva mais vendidos no Brasil

Uma das mais tradicionais variedades de mesa, a uva niagara é bastante aceita no Brasil. Ele é destinada em especial para o consumo direto e para a produção de sucos e geleias.

A uva niagara também é bastante utilizada no país para a produção de vinhos mais simples. Afinal, trata-se de uma variedade rústica e de mesa. A preferida para se transformar em vinho é a niagara branca. Ela é muito aceita pelos consumidores, em especial os da região sul.

Uva niagara

O que é uva niagara?

Uva niagara é uma variedade que tem origem nos Estados Unidos. Ela surgiu na segunda metade do século XIX como resultado do cruzamento das uvas concord e cassady.

Por se tratar de uma uva considerada de mesa, sua utilização é destinada em especial à fabricação de produtos. Assim, ela é apropriada para se fazer geleias, sucos e vinhos mais simples. O consumo in natura também é comum em nosso país.

Em contrapartida, a variedade não é própria para exportação. Isso acontece por ser um produto que estraga fácil. Essa uva, portanto, deve ser consumida ou utilizada em até poucos dias após a colheita.

A variedade é bastante cultivada nos Estados Unidos. Ela é encontrada sobretudo nos estados do Michigan, Pensilvânia, Ohio, Nova York e Washington DC. A uva niagara também é produzida em grande escala no Canadá e na Nova Zelândia.

O Brasil é outro grande produtor. Por aqui, os principais polos produtores de niagara são os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul.

Como plantar uva niagara?

Como todos os tipos de uva, antes de tudo é preciso saber se o clima da região é o certo para o cultivo. As uvas americanas são adequadas para áreas de clima quente e ensolarado. O ambiente preferido delas, portanto, é bem diferente das variedades naturais de países europeus.

A temperatura ideal para se produzir a niagara deve variar entre 15 °C e 30 °C. Isso deve ser observado durante todo o ciclo de cultivo. Além disso, é importante que a videira receba sol por seis a oito horas por dia.

Muita umidade ou pouca luz favorecem o surgimento de fungos. Alguns deles prejudicam muito a planta. Ao mesmo tempo, o calor em excesso também altera a qualidade da uva.

O cultivo da niagara varia entre quatro a cinco meses. Isso depende bastante da região onde ela está sendo produzida.

Deve-se preferir, ainda, o plantio durante os meses da primavera. Isso fará com que ela dê seus frutos no fim do verão.

A qualidade do terreno também merece atenção. O solo para plantar a uva niagara precisa de adubo. Nitrogênio, calcário e compostos orgânicos são importantes para garantir um crescimento saudável da planta.

Além disso, por se tratar de uma trepadeira, o plantio precisa vir acompanhado de um suporte. Ele servirá de guia para quando a videira crescer. Assim, os sistemas de suporte mais indicados são a latada e a espaldeira.

Tipos de uva niagara

Existem dois tipos de uva niagara: branca e rosada.

Em princípio, a uva niagara era apresentada apenas na variedade branca. Esse tipo, criado em 1868, também é conhecido como uva niagara verde.

Cerca de seis décadas depois que ela surgiu, todavia, apareceu a versão rosada. Esse tipo apareceu a partir de mutação da variedade original.

Os dois tipos de niagara têm uso semelhante. A produção das brancas, no entanto, é mais voltada a se transformar em vinho.

Uva niagara

Uva niagara branca

Devido ao seu aroma e sabor bem característicos, a uva niagara branca é bastante utilizada para a fabricação de vinho comum. Em menor escala, como dissemos, ela também é consumida in natura.

Seus cachos têm tamanho médio a pequeno, em formato mais cilíndrico. A baga – o popular “grão da uva” –, por sua vez, tem tamanho grande. Ela é redonda, de pele delicada e translúcida. A definição como branca vem do fato de ser de coloração verde, mas esbranquiçada.

Uva niagara rosada

Diferente da variedade branca, a niagara rosada é mais oferecida para consumo in natura. Isso porque sua cora é mais agradável aos olhos do consumidor brasileiro.

A uva niagara rosada tem vigor moderado. As bagas dessa uva têm tamanho grande a médio. Elas são redondas e apresentam pele delicada. A polpa da uva, mole, tem sabor doce e com aroma.

Uva niagara tem caroço?

Sim, as variedades dessa uva possuem caroço no interior dos seus grãos. Essa é uma das razões que não colocam esse tipo entre as preferidas das pessoas para consumo direto.

A presença do caroço, contudo, não é motivo para se preocupar. Afinal, mesmo que seja destinada para consumo direto, não há problema algum em engolir as sementes.

Uva niagara

Preço da uva niagara

Apesar de exigir muitos cuidados desde o seu plantio e de sempre depender de boas condições do clima, a produção de uva pode ser bastante lucrativa.

A partir do segundo ano de produção, em média é possível colher até cinco mil caixas, com seis quilos cada, por hectare.

O preço da uva niagara para a venda parte dos R$ 4 ao quilo para o produtor. Questões de oferta e procura, no entanto, podem fazer o valor aumentar ou ter queda. Fora do período de safra, a venda é ainda mais lucrativa.

Uva niagara no Brasil

A variedade niagara branca chegou ao país no fim do século XIX, mais precisamente em 1894. Ela se disseminou no interior de São Paulo, principalmente na região de Jundiaí. A grande colônia italiana no estado do sudeste contribuiu para o interesse no cultivo.

Foi na mesma cidade que, em 1933, foi criada a uva niagara rosada. Ela surgiu a partir da mutação da variedade branca. Rapidamente, o cultivo da rosada foi capaz de substituir a produção da variedade branca.

No Brasil, sem dúvida, o cultivo está bastante ligado a pequenas propriedades.

Assim como São Paulo, a região sul é outro polo produtor de uva niagara. Uma das razões é que também registra forte presença de italianos e descendentes. O principal estado é o Rio Grande do Sul, em virtude de ser um forte produtor de vinhos e espumantes.

ACESSO RÁPIDO
    Lucas Caixeta Vieira
    Diretor Geral da empresa AGROMATRIZ e Sócio-Proprietário da Fazenda 4L. Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), Mestre em Fitotecnia (Produção Vegetal) pela Universidade de São Paulo (USP/ESALQ) e MBA em Gestão de Negócios pela USP.

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