Vinho: os tipos, os benefícios e os detalhes do seu processo de produção

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24/05/2019 Por
Vinho: os tipos, os benefícios e os detalhes do seu processo de produção

O vinho é uma das bebidas mais antigas da história e muito popular no mundo todo

O vinho é uma bebida versátil e que combina com frutos, queijos e muitos outros alimentos. Ele é a bebida ideal para confraternizações e também apreciado nos feriados santos. Além disso, foi utilizado e degustado por muitos séculos em diversas nações e religiões; entretanto, é destaque no cristianismo por conta da importância bíblica que representa. Por isso, a bebida é consumida em todas as épocas do ano e o seu comércio não costuma sofrer com as crises econômicas.

As melhores e mais conhecidas safras são europeias, por conta da tradição que esta parte do mundo tem com a bebida. São séculos utilizando o vinho em diversos campos da culinária, fazendo com o que a técnica de produção fosse cada vez mais aperfeiçoada. Para o produtores brasileiros é apenas o começo do mercado, pois ainda há muito para se aprender; desde os meios de produção até a forma de degustação da bebida.

O consumo do vinho, além de muito saboroso, pode agregar benefícios para a saúde. Segundo nutricionistas, uma taça da bebida do tipo tinto carrega vantagens para a manutenção da saúde do coração, pois contém propriedades antioxidantes. Além disso, ele conta com um baixo teor calórico, ou seja, não favorece o ganho de peso.

A bebida também pode prevenir algumas doenças como, por exemplo, a osteoporose e outros problemas cardiovasculares. Outra característica marcante é que o seu consumo reduz os níveis do chamado de “colesterol ruim” no sangue, o LDL. Entretanto, existem algumas indicações que devem ser seguidas para evitar problemas de saúde em função do seu consumo.

Uma taça de vinho diariamente pode ajudar na saúde do coração

O que é vinho?

O vinho é uma bebida alcoólica produzida por meio da fermentação do sumo das uvas. A forma de fabricação da bebida varia muito, principalmente de acordo com a região do mundo em que é feita. Na Europa, por exemplo, o vinho é obtido apenas pela fermentação parcial, ou total, de uvas frescas, inteiras e esmagadas. Já no Brasil, o vinho é produzido por meio da fermentação alcoólica de uvas inteiras, frescas e maduras. Além disso, não se pode chamar de vinho qualquer produtos que tenha sido obtidos por meio de outra matéria-prima que não a uva.

Embora o suco da fruta, por exemplo, seja tão forte quanto o vinho (e não tenham adição açúcar), ele não pode ser denominado de outra forma; mesmo o processo de fabricação sendo muito parecido. As duas bebidas podem conter um alto índice de benefícios relacionadas à fruta; entretanto, o suco de uva integral e orgânico é o mais saudável e recomendado por nutricionistas.

O mercado do vinho no Brasil ainda é considerado um iniciante em escala mundial. E inserir a bebida nos hábitos de consumo dos brasileiros ainda é um desafio para o mercado da bebida; até pelo preço elevado da bebida por aqui, que acaba prejudicando o acesso à ela.

Uma pesquisa feita no final de 2018 revela que a ingestão per capita anual do cidadão brasileiro é de 1,8 litro. Com isso, é possível observar que o país ainda tem um longo caminho quando comparado com o mercado e o volume de consumo europeu. Na França, por exemplo, esta média sobe para 46,4 litros por pessoa, no mesmo período.

Os tipos de vinho

Existem quatro tipos de vinho principais: o vinho branco, tinto, verde e rosé. A maior diferença entre eles é a forma como são fermentados. Os mais conhecidos e consumidos no Brasil são o tinto e o branco, pela facilidade de produção e, consequentemente, por serem mais baratos. Entretanto, o consumo dos tipos verde e rosé está começando a se tornar uma realidade em parte das confraternizações dos brasileiros.

Vinho tinto

É tipo que mais pode agregar benefícios para a saúde, quando consumido com moderação. Isso acontece por conta do processo de fabricação incluir as cascas de uvas, o que faz com que a bebida mantenha uma quantidade maior das características benéficas da uva. Além disso, é também um grande auxiliar para o controle do colesterol ruim (LDL) e da pressão arterial. Ajuda também a evitar o envelhecimento precoce e reduz a incidência de doenças de caráter inflamatório.

Vinho verde

Os do tipo verde são comuns em algumas regiões específicas de Portugal. Eles são derivados de outros vinhos, como o branco, rosé e até mesmo o tinto. Por conta disso, dependendo da origem, os benefícios podem mudar. Em seu processo de produção, as uvas são maturadas por um curto período. Da mesma forma, o tempo que permanecem descansando é relativamente menor do que o de outros tipos. Entre as suas características principais, podemos citar:

  • Baixo teor alcoólico;
  • Baixo índice de açúcar;
  • Sabor leve;
  • Uvas com sabor mais fresco.

Vinho branco

O método de produção do vinho branco do tipo seco exige que a uva seja separada da casca e da semente no momento do processamento da fruta. O ponto negativo de realizar esta atividade é que ela reduz a produção de fitonutrientes; desta forma, a concentração de antioxidantes também é menor. Embora o nível de calorias seja baixo – cerca de 80 por taça -, o vinho é doce, pois contém mais açúcar.

Vinho rosé

Este tipo de vinho está entre o tinto e o branco, e a forma de produção é a partir da prensagem direta das uva, sendo retiradas as cascas e a semente. Ele pode oferecer praticamente os mesmos benefícios que o tinto, mas em menor escala: fortalece o coração e contém propriedades antioxidantes. Outro ponto importante é que o rosé pode ser classificado como uma das versões menos calóricas da bebida.

A origem do vinho

A origem do vinho se deu há mais de 5000 anos antes de Cristo, em regiões como a Geórgia, Irão, Turquia e China. Algumas evidências arqueológicas apontam que os vinhedos foram iniciados em sítios do Oriente Médio, Suméria e Egito.

Os relatos mais antigos do surgimento da produção de vinhos na história são de origem grega, de 6500 A.C, e descreve a utilização de gesso desidratado antes do processo de fermentação; além de uma espécie de cal – óxido de cálcio – como forma de diminuir a acidez da bebida. O processo de transformar a uva em vinho é conhecido como vinificação, e foi iniciado na Grécia Antiga.

A bebida ganhou reconhecimento ao longo dos séculos e foi se aprimorando, chegando nos moldes que são vistos atualmente. As indústrias dos vinhos mais conceituados do mundo são localizadas na França e na Itália. Estas regiões foram as pioneiras na produção e no cultivo dos vinhedos, e perpetuam a bebida até hoje; servindo como referências no mercado produtor.

Em contraste com isso, o Brasil tem uma defasagem histórica muito grande neste segmento específico; e ainda caminha para uma produção de vinhos reconhecidamente de qualidade.

Origem do vinho no Brasil

Assim como em muitas outras culturas, o vinho foi introduzido no país por meio dos portugueses. A frota de Pedro Álvares Cabral, logo em 1500, oferecia vinhos para os tripulantes a cada missa diária, como forma de mantê-los calmos. Além disso, o vinho também era utilizado para higienização e preparação de alimentos como os pescados, por exemplo.

Poucos anos mais tarde, em 1532, a expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza trouxe para o Brasil suas primeiras videiras. Brás Cubas, que é conhecido por ser fundador de Santos, foi também o primeiro a cultivar vinho em terras brasileiras.

Séculos depois, em 1742, é considerado o renascimento do vinho no Brasil por conta da chegada de 70 casais açorianos e madeirenses no Rio Grande do Sul. Já em 1813, Dom João VI reconhece Manoel de Macedo oficialmente em seu plantio de videiras e produção de vinhos no Rio Grande. Anos mais tarde, em 1840, foi introduzido por Thomas Master, na ilha de Marinheiros, uma variedade americana conhecida por Isabel.

Em 1926, no Rio Grande do Sul, as videiras chegaram por meio do jesuíta Roque Gonzáles, que as plantava na Europa, em São Nicolau. O vinho virou uma necessidade para a utilização em missas. No entanto, a dificuldade de algumas produções se adaptarem às terras brasileiras se tornou um fator de impasse na disseminação da vitivinicultura.

  • Atraso no cultivo de vinhedos

Deste modo, é possível concluir que a defasagem do mercado do vinho do Brasil está associada com a forma de introdução que teve no país. Enquanto alguns países apresentam diferença de 200 a 500 anos do início entre uma produção e outra; o Brasil fica muito atrás, tendo um primeiro contato com a produção da bebida muitos séculos mais tarde, não contando com um mercado plenamente desenvolvido até os dias de hoje.

Itália, França, Portugal e Espanha são os países de maior tradição na vinicultura. O Brasil se envolveu com esse tipo de cultura somente com a imigração dos italianos, em 1870, no Rio Grande do Sul; na região que hoje é conhecida por Serra Gaúcha.

Assim, a nação ainda está caminhando para o aprendizado de como produzir um vinho de qualidade, olhando para os moldes europeus. Outro fato que é visto como empecilho para vitivinicultura são as condições climáticas brasileiras. A uva é uma fruta muito sensível e o clima tropical não é o ideal para o seu cultivo. Por isso, no Brasil, as melhores épocas para o plantio são entre julho e agosto, pois estes são os meses mais frios do ano.

O vinho é produzido a partir de uvas selecionadas

O papel religioso do vinho

O papel religioso do vinho teve início na mitologia grega, e a bebida era cultuada por meio de deuses, como o Dionísio. Entretanto, foi no cristianismo que a popularidade do vinho teve a sua grande expansão. O vinho representa um símbolo para diversos elementos da religião cristã. Além de fazer parte das comemorações, o vinho também participa dos feriados religiosos, como a Páscoa e o Natal.

Antes mesmo de Cristo, o vinho já era visto nessa cultura como um artigo indispensável e presente; o que se prova por meio do Velho e do Novo Testamento da Bíblia. Além disso, um fato curioso é que as pessoas preferiam beber vinho a beber água, por conta do tratamento que a bebida recebia.

Hoje e já há muito tempo, nas festas e confraternizações cristãs o vinho simboliza o sangue de Jesus, por isso, é uma bebida sagrada e consumida em determinados momentos da ceia. Outro ponto que intensifica a relação da bebida com a religião é o ato da transformação de água em vinho que Jesus teria realizado.

A história por trás deste evento tomou forma em uma das celebrações entre Jesus e seus discípulos em que, em um dado momento, o vinho de todos os barris havia acabado. Foi então que, segundo a bíblia, Jesus pediu que trouxessem baldes de água e, diante de todos ali presentes, transformou a água em vinho para que a celebração continuasse com a bebida.

Como é feito o vinho?

O processo de produção se inicia nas videiras, já que o momento da colheita é a etapa mais importante para garantir a qualidade do vinho. As uvas direcionadas para a produção da bebida são diferentes das que são encontradas comumente nos mercados. Além de não terem a caroço – como é o caso de muitas – elas também são mais doces e menores; conhecidas pela denominação Merlot.

Essas frutas não podem estar nem muito verdes e nem muito roxas, já que este fator pode influenciar na textura e no gosto da bebida. Para realizar uma boa colheita, é importante escolher as épocas específicas, pois um tempo com chuvas pode estragar os frutos e prejudicar o produtor. Desta forma, é aconselhável realizar este processo em dias quentes e ensolarados.

As uvas colhidas são transportadas de caminhão até a vinícola, onde se inicia o controle de qualidade. As frutas são selecionadas e os cachos das uvas são desfeitos para seguirem até local de fermentação. No momento da fermentação do vinho é que o tinto e o branco se diferem.

Na produção do vinho tinto, a fermentação é feita com as uvas ainda com a casca, para que ganhem a tonalidade avermelhada e a acidez típicas da bebida. Enquanto isso, na produção do vinho branco, o suco é retirado em uma bomba específica para que não tenha contato com a casca; e, na indústria do vinho, este produto extraído, de cor esbranquiçada, é conhecido por mosto.

A fermentação do vinho

A próxima etapa é a fermentação dos líquidos, e estes processos acontecem de forma diferente na produção de cada tipo de vinho. Contudo, quanto mais tempo o líquido permanecer nesta etapa, mais encorpado e repleto de sabor é o resultado final.

A fermentação do vinho é o processo em que alguns fungos sugam o açúcar da uva. Esta atividade o transforma em gás carbônico e em álcool. É por este motivo que o mosto – suco da uva sem a casca – se transforma em uma bebida alcoólica logo após esta etapa. Outro ponto importante é acerca dos fungos, pois eles não são originados no suco da uva, mas sim acrescentados ao processo pelos produtores. Estes fungos são também utilizados para outros processos de fermentação, como os que fazem parte da produção de pães e da cerveja.

Dentro deste processo, todo o gás que é formado na fermentação faz com o que o suco da uva se movimente nos tanques. Em termos técnicos, após fermentado, o produto já pode ser denominado de vinho. Entretanto, o líquido ainda não está finalizado para ser encaminhado para o mercado consumidor. Após engarrafado, o vinho precisa descansar por um período mínimo que varia entre três e cinco anos.

É por este motivo que a data que colocada na embalagem do produto se refere ao ano em que as uvas foram colhidas. A importância do produto maturar nas adegas diz respeito à sua qualidade. Quanto mais tempo passa descansando, menor a acidez e melhor será a textura do vinho.

Como funciona a produção do vinho no Brasil?

A região brasileira que produz os vinhos de melhor qualidade nacional é a de Vinhedo, em São Paulo. Além do clima e o solo favoráveis ao cultivo, o manejo das uvas também é muito conhecido pela cidade. O Vale dos Vinhedos é uma região demarcada, pois existem estudos profundos da área voltados para o setor agro-econômico.

Além disso, tudo o que o produtor necessita é, na região, focado neste comércio para favorecer a produção; seja em relação a equipamentos agrícolas ou mesmo insumos para plantação.

Os vinhos de caráter mais fino são destinados à uma espécie de caverna, também conhecida por barril de carvalho. Os barris são importados de países como França, Romênia e dos Estados Unidos. Antes de o vinho ser despejado, os barris são queimados por dentro. Este processo acontece para passar um pouco de gosto de tostado para o vinho. Neste caso, o resultado são vinhos mais encorpados, com um gosto mais forte e até amargo.

Os barris também servem para realizar a micro oxigenação do vinho, os tornando, portanto, bebidas mais suaves. Entretanto, não são todos os vinhos que seguem curso para o barril, apenas os mais bem trabalhados e, consequentemente, mais caros. O período do vinho dentro do barril pode durar de seis meses até um ano e meio. Após esse processo, ele é engarrafado e descansa por mais cinco anos.

Outro ponto importante sobre o armazenamento do vinho durante seu período de descanso está relacionado com a luz do ambiente. É necessário que a luz seja fraca e incandescente para não prejudicar o sabor da bebida. Da mesma forma, já engarrafados, eles devem permanecer deitados durante todo o processo, como uma forma de manter contato com a rolha.

Qual a melhor uva para a produção do vinho?

A uva ideal para a produção do vinho depende do tipo da bebida que será produzida. No entanto, as melhores são aquelas que podem ser processadas com a sua semente e casca, de modo que aproveite a fruta de forma integral. Além disso, realizar este processo faz com o que mais benefícios da fruta passem para a bebida.

Entre algumas das opções ideais (e mais conhecidas) para servir de matéria-prima na produção do vinho, podemos citar os tipos:

  • Tannat
  • Merlot
  • Cabernet

“Quando falamos em um grande vinho bordô, o Merlot é sempre a melhor escolha. Uvas boas podem produzir um vinho ruim, mas um vinho bom jamais pode ser produzido por uvas ruins”, explica o comerciante Ramon Andrade, proprietário da Banca do Ramon, localizada no Mercado Municipal de São Paulo e especializado na comercialização de vinhos.

O comércio do vinho no Brasil

O comércio de vinhos no Brasil vale à pena?

Apesar de o país ainda ser iniciante neste ramo, há muito espaço para o comércio do vinho; o que faz com que cada vez mais novos comerciantes entrem neste negócio. E a própria Banca do Ramon, do Mercadão Municipal, serve como um bom exemplo disso.

“O vinho tinto é o favorito de quem está aprendendo a gostar da bebida e, geralmente, essas pessoas vêm até aqui em busca das marcas brasileiras”, comenta o proprietário da banca, Ramon; que tem o quiosque ativo no centro comercial há mais de 53 anos.

Já no que se refere à qualidade, o comerciante enaltece a produção francesa e, tendo em vista a evolução da Europa neste ramo, ressalta a importância de o Brasil ter a mente aberta para aprender com os europeus.

Para abastecer a sua banca, Ramon não atua na produção da bebida, e conta com mais de 400 fornecedores, entre nacionais e internacionais. A divisão entre estes fornecedores engloba tanto componentes do ‘Mundo Novo’ como do ‘Mundo Velho’; incluindo produtos vindos de países como Austrália, África, Espanha, Chile, Argentina, Portugal, Uruguai e França.

O comerciante diz que a crise econômica brasileira não teve impacto sobre suas vendas; e acrescenta que o fato de a religião estar atrelada ao vinho faz com o que muitos religiosos consumam a bebida com certa frequência. Por conta disso, todas as épocas acabam sendo favoráveis para o negócio.

“O comércio do vinho vale à pena a qualquer momento, no Brasil ou em qualquer parte do mundo. O inverno é a época de maior volume de vendas. No entanto, no calor compra-se os tipos com os quais é possível se refrescar, deixando para o inverno os melhores na função de esquentar”, comenta Ramon.

  • O mercado do vinho no Brasil

Tendo em vista que a produção do vinho no país ainda é muito baixa, quando comparada aos países referência; fica claro que o mercado nacional também não tem o mesmo nível de movimentação de regiões da Europa. E o fato de o consumo da bebida não estar enraizado na cultura brasileira da mesma forma que nestes outros países é um dos motivos para este cenário.

Prova disso é a média do volume de consumo por pessoa; e pesquisas apontam que o público francês bebe mais de 44 litros anuais de vinho a mais que os brasileiros. Com isso, o mercado acaba sofrendo com a falta de incentivo, fazendo com que a sua evolução ocorra de forma mais lenta.

As projeções para 2019, de acordo com dados da empresa Euromonitor, calculam um aumento médio de 4,9% no comércio da bebida por aqui; atingindo mais de 400 milhões de litros vendidos apenas em território nacional. Esse crescimento, no entanto, pode ser explicado pelo melhoramento do produto comercializado no Brasil; tanto na qualidade das safras quanto na variedade que o mercado oferece em razão das importações.

Para incentivar o consumo, o mercado tem planejamento a democratização do acesso ao vinho, além da profissionalização do trade do setor, buscando uma popularidade maior para a bebida no país. Isso porque, de acordo com um estudo realizado pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) – que comparou o consumo da bebida em Argentina, Uruguai, Chile e Brasil; o nosso país apresenta uma taxa de aproximadamente 24 litros abaixo da média.

As principais diferenças entre o vinho mais caro e o mais barato do mundo

O valor de comercialização dos vinhos depende de muitas características da bebida. Desde o momento do plantio até a colheita, as diferenças no manejo são perceptíveis no resultado final. O tempo que eles passam no vinhedo também é outra característica importante. Por isso, tanto a matéria-prima quanto o processo de produção são fatores que agregam para o valor da bebida.

Características dos vinhos mais baratos

Os fatores que fazem um vinho ser barato estão associados ao sistema de produção da bebida; e estes, geralmente, são desenvolvidos em vinhedos que produzem em larga escala. Em outras palavras, é provável que, quanto maior for a produção, menor será a qualidade.

No tipo de plantação voltada para vinhos mais simples, são cultivadas extensos terrenos de uvas. Após a colheita, o produtor não realiza a poda, nem das folhas e nem dos cachos. Para otimizar tempo e economizar nesta etapa, são utilizados maquinários para colher os cachos, sem uma seleção mais qualificada.

Quando chega nas vinícola, ou seja, na área de preparação da bebida, a matéria-prima passa por algumas poucas etapas antes da maceração (extração das propriedades) da fruta. O processo acontece de forma simples, rápida e mecânica. A fermentação acontece de maneira industrial e, durante a etapa, são feitas algumas correções na acidez da bebida.

Também são feitas correções a respeito da cor, estabilização do suco e filtração. Outra característica importante que faz o preço do vinho cair é a maturação e; neste tipo de vinho, não é comum dedicar muito tempo para o envelhecimento da bebida; o que faz com que sua tonalidade seja próxima de um vermelho pálido.

Dessa forma, o sabor pode se tornar muito ácido, muito doce e até mesmo adstringente; resultando em um produto em o equilíbrio e a estrutura esperados.

As principais características que tornam um vinho barato são:

  • Produção feita em grande escala; focada na quantidade e não na qualidade das uvas;
  • Lançamento no mesmo ano da produção;
  • Nenhum contato com barris de carvalho para maturação;
  • Colheita feita por meio de máquinas.

Características dos vinhos mais caros

Já no caso dos vinhos mais caros, conforme o preço sobe, também se qualifica o manejo com a colheita e a produção. Os vinhedos deste tipo de produção são significativamente menores. Por isso, desde o momento do plantio até a colheita, os cachos são selecionados um por um.

Este método faz com o que o produtor evite frutas estragadas, ou mesmo fora do período de maturidade. Um fato curioso é que existem safras que rendem uma garrafa por cada planta; visto que os cuidados no plantio são redobrados e observados com muita cautela em cada etapa.

Após a colheita, as uvas são transportadas para a vinícola e, novamente, selecionadas uma por uma. Isso acontece para evitar a produção com uvas que possam ter sido prejudicadas no transporte ou mesmo selecionadas por engano.

O método de prensagem é de extração a frio, e todo o processo de vinificação ocorre de uma maneira muito natural. Eles passam por um período adequado de envelhecimento; tanto na própria garrafa como em tanques de inox ou barris.

Os cuidados com a bebida são percebidos no resultado final. A coloração é mais intensa e vibrante, do mesmo modo que o líquido é mais límpido. Outro ponto de destaque é o aroma da bebida; já que, quanto maior o tempo de descanso, mais saboroso e agradável o vinho se torna. Em âmbito geral, são bebidas de caráter equilibrado, encorpadas e com sabor delicado ao paladar.

As principais características de um vinho caro são:

  • Poucas garrafas são produzidas por safra;
  • A produção dos cachos é controlada por pé de colheita, não por hectare;
  • Ele é lançado cerca de seis anos após a colheita;
  • Descansa por longos períodos em barris de carvalho ou na própria garrafa;
  • A colheita da uva é feita manualmente e com diversos critérios de seleção.

Qual país produzir os melhores vinhos, e por quê?

“O vinho francês é o melhor do mundo em termos de qualidade na produção, textura das uvas e suavidade da bebida. Quando falamos em um bordô francês, estamos trabalhando com um grande vinho, de uma qualidade que o Brasil ainda desconhece; e é preciso humildade para reconhecer que ainda estamos engatinhando nesse aspecto”, explica Ramon.

A história da França com o vinho começa em meados de 600 A.C, a partir da vinda dos gregos para Marselha, onde iniciaram o comércio da bebida para os nativos. Por outro lado, o surgimento dos vinhedos em si, para que a produção ganhasse força, foi feito pelos romanos, que impunham o vinho como cultura obrigatória entre as regiões em que passavam.

Os primeiros vinhedos foram instalados em Bordeaux e, logo em seguida, partiram para Bergonha e outras regiões francesas. O vinho francês mais antigo é o Saint Emilion, originário da região de Bordeaux. Além disso, ele é considerado um dos mais robustos do mercado, pois atinge a maturidade mais rapidamente que qualquer outro.

Outro vinho muito conhecido pelos franceses é o Médoc. Assim como o anterior, é também tinto e provindo das margens do Rio Gironde.

Verdades e mitos sobre o consumo de vinhos

Existem muitos mitos sobre o consumo do vinho como, por exemplo, se a bebida é recomendada para diabéticos, para pessoas que sofrem com problemas no coração e, até mesmo, se a bebida pode ajudar no processo de emagrecimento.

“Tomar uma taça de vinho diariamente pode ajudar a manter a saúde do coração mas, como nutricionista, não recomendo. Ingerir a uva in natura, no entanto, pode beneficiar neste e em outros aspectos muito importantes para o organismo humano. Além disso, a fruta é rica em flavonoides, o que pode ser muito útil para tratar doenças cardiovasculares”, comenta a nutricionista Michelle Antunes.

É também dito que o vinho pode ser um grande auxiliar para quem sofre com a diabetes, por conta do baixo nível de açúcar.  E, de acordo com Michelle, “é verdade que o vinho não eleva os níveis de glicose no sangue e, portanto, atua como auxiliar no controle de açúcar no organismo”.

Além disso, é importante lembrar que cada tipo de vinho pode atuar de uma forma específica no organismo. Os vinhos considerados mais populares contém uma taxa de açúcar elevada por conta da pouca maturação no vinhedo. Já os vinhos mais refinados, são conhecidos pela alta qualidade das uvas selecionadas e maturadas durante o processo.

O vinho emagrece?

Na questão sobre o processo de emagrecimento, é importante lembrar que o fator que mais influencia no acúmulo de peso relacionado ao vinho é o seu teor alcoólico. Em apenas 1 grama de álcool existem 7 calorias. Uma taça de 150 ml (o modelo mais comum de consumo), portanto, pode conter de 80 a até 130 calorias.

Com isso em mente, fica claro que o  consumo da bebida feito com moderação não altera muito o processo das dietas, assim como também não as fortalece. Quanto maior for a graduação alcoólica, maior será o valor calórico. Isso acontece por conta das bactérias responsáveis pela fermentação do vinho, que consomem naturalmente o açúcar das uvas.

Benefícios do vinho

Uma das vantagens mais conhecidas do vinho é que ele ajuda a reduzir o LDL, conhecido como colesterol ruim; além de aumentar o HDL: o colesterol bom. Considerado um grande aliado para quem deseja ter uma vida longa e saudável, a bebida ainda oferece outros benefícios para a saúde do consumidor.

O vinho tinto contém substâncias antioxidantes e a uva contém o resveratrol; que atua no combate de doenças cardiovasculares e previne o envelhecimento precoce. E o consumo de uma média de 50 ml diários desta versão da bebida pode ser feito tranquilamente, e sem que haja complicações para o organismo. Entretanto, é preciso atentar-se para manter o seu consumo moderado para evitar os malefícios que o excesso de álcool pode provocar na saúde.

O vinho contém entre 200 até 300 substâncias nutritivas; sendo que estas características variam de acordo com o tipo da bebida e a forma como é produzida. Outro ponto importante é que a bebida é facilmente digerida pelo organismo; por isso, tomar uma taça após o almoço ou jantar pode facilitar a digestão.

Entre os principais benefícios do vinho, podemos citar:

  • Contém antioxidantes;
  • Combate doenças;
  • Previne a osteoporose;
  • É um anticoagulante natural;
  • Previne doenças cardiovasculares;
  • Pode diminuir o colesterol;
  • Bom para os diabéticos;
  • Ajuda na saúde do cérebro.

Combinações de alimentos com vinhos

Na época da Páscoa, por conta das tradições do consumo de peixes, a opção mais popular entre os brasileiros é o vinho branco. Isso porque os tipos que contém uma acidez mais elevada, como este, podem ser facilmente  combinados com pratos que levam peixes. No entanto, a bebida caiu no gosto popular e passou a ser consumida muito além da Páscoa.

Parte do motivo disso é o fato de que muitos restaurantes incentivam a harmonização de seus pratos mais especiais com vinhos específicos; oferecendo uma experiência mais elaborada de refeição e combinação de sabores na hora da alimentação.

Assim, o vinho foi incorporado no dia a dia de muitas pessoas, servindo também como uma forma de relaxar após um dia cheio de trabalho. Entretanto, é importante lembrar que não são todas as pessoas que se beneficiam com a bebida. Os indivíduos que sofrem de arritmia cardíaca, por exemplo, podem evitar o consumo, pois a tendência é agravar os sintomas.

Quais são as contraindicações do vinho

Apesar de a bebida ser fonte de muitos benefícios importantes para o organismo, sendo auxiliar de pessoas que sofrem um colesterol alto e reduzindo os níveis de açúcar no sangue; existem uma parcela da população que deve evitar o seu consumo para que não causar danos à saúde.

A ingestão de vinho é contraindicada para:

  • Mulheres gestantes;
  • Indivíduos que fazem o uso de remédios de uso contínuo e controlado;
  • Pessoas que estão no processo de emagrecimento ou controle do peso;
  • Pessoas com problemas no fígado e também no pâncreas;
  • Os diabéticos, que devem preferir a versão tinta da bebida; pois alguns outros tipos podem ser prejudiciais para quem tem a doença.

O vinho em venda no mercadão municipal

O melhor tipo de vinho para a saúde

Entre o seco e o suave, o mais recomendado para a manutenção da saúde é o seco. Este tipo de vinho contém 4 gramas de glicose por litro; ou seja, a sua concentração de açúcar é baixa quando comparado com o suave.

Outro ponto importante são as uvas utilizadas para a fabricação da bebida que, por serem frutas mais nobres e, agregam na qualidade. Além disso, o vinho seco contém mais antioxidantes em sua composição. Desta forma, ele pode ser considerado mais benéfico para o organismo.

Outro ponto importante sobre a qualidade do vinho é a safra consumida. Um vinho mais simples e de valor mais acessível pode não ser muito recomendado para a saúde; já que as uvas e o processo de produção não são os mais bem desenvolvidos.

O vinho mais barato é produzido tendo as máquinas como grande parte do processo, que é feito em grande escala; diminuindo a qualidade do produto. Por outro lado, uvas mais finas, de caráter puro e uma linha produtiva cautelosa implicam em um preço mais alto; pois a seleção pela qual os vinhos mais refinados passam na  produção qualifica o produto, e consequentemente, os torna mais saudáveis.

*Artigo escrito com colaboração de Marilia Gouveia.

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