Camarão e a importância da carcinicultura para a economia nacional

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23/05/2019 Por
Camarão e a importância da carcinicultura para a economia nacional

O agronegócio do camarão no Brasil

Encontrado em toda a costa litorânea, o camarão é um dos frutos do mar mais “queridinhos”entre os brasileiros. Seja frito, empanado ou na moranga, ele caiu no gosto e no paladar do povo, tornando-se o prato mais procurado nos litorais.

O consumo e comercialização do camarão continua crescendo, mesmo em meio a crise. No entanto, os consumidores procuram as espécies mais baratas, enquanto os comerciantes conseguem grande parte do lucro nas épocas festivas. Há muitos tipos de camarão espalhados pelo Brasil, sendo o tipo de criação e o habitat dois dos principais fatores que os diferenciam.

Camarão de água doce

O que é camarão?

O camarão é um pequeno crustáceo que pertence à ordem dos decápodes, e pode ser tanto de origem marinha quanto água doce. Este tipo de crustáceo possui um longo abdômen, um corpo comprimido lateralmente e três pares de pernas desenvolvidos. É uma espécie pequena, com uma média de 3 centímetros de comprimento. No Brasil, sua pesca tem se intensificado e se expandido.

Tipos de camarão

De acordo com as classificações, há muitos tipos de camarão que vivem no mar e em água doce. Este crustáceo é encontrado de diversas formas e com características diferentes e, por isso, recebe uma série de nomeações que ajudam na sua diferenciação. No Brasil, por exemplo, é possível encontrar muitas de suas espécies.

Alguns dos principais tipos de camarão são:

  • Camarão d’água doce;
  • Camarão da Malásia;
  • Camarão de estalo;
  • Camarão de patas brancas;
  • Camarão de sete barbas;
  • Camarão limpador;
  • Camarão rosa;
  • Camarão cinza.

De acordo com a bióloga Gabriele Rodrigues, formada pela Universidade Federal do Rio Grande (UFRG), há no Brasil três tipos de camarões principais. “Os camarões mais importantes a nível econômico são os camarões estuarinos e marinhos”, afirma.

Características do camarão

Os camarões apresentam um corpo dividido em cefalotórax e abdômen, e um aparelho digestivo completo com boca e ânus. Seu sistema nervoso ganglionar recebe estímulos e os seus órgãos destacam sentidos bastante desenvolvidos.

As antenas servem, então, como receptores de estímulos externos – e seus olhos também são bastante eficientes na recepção de estímulos sensoriais. Dessa forma, eles respiram através de brânquias e têm um coração na parte da cabeça.

Os camarões possuem um exoesqueleto (esqueleto externo, mais conhecido como muda ou casca) constituído de quitina.

A bióloga afirma que, no processo de crescimento corpóreo desses animais, mudanças hormonais fazem com que essa estrutura seja perdida e reposta por uma nova; para dar mais espaço para o crescimento do corpo desses animais. Os camarões apresentam sexos separados (se distinguem machos e fêmeas) e sua reprodução é sexuada.

Camarão d’água doce

Incluídos na família dos palemonídeos, afídeos e sergestídeos, os camarões de água doce podem ser encontrados facilmente nas águas litorâneas com baixa salinidade e nas águas doces continentais; seus dois habitats principais. No Brasil, os mais conhecidos são:

  • Camarão pitu (Macrobrachium acanthurus ou camarão verdadeiro);
  • Camarão poti;
  • Camarão canela;
  • Lagosta de São Fidelis (Macrobrachium carcinus).

Todas estas quatro espécies são nativas do país e são as que têm maior valor comercial. Pertencente ao gênero Macrobrachium (Macrobrachium amazonium), a maior parte da criação é desenvolvida na região Nordeste brasileira.

Alguns deles, como o camarão canela, são utilizados para povoar açudes e ocupam cerca de 20 quilos de camarões por hectare anualmente.

Além disso, todos os camarões de água doce da família Palaemonidae se diferenciam dos camarões de água salgada, pois possuem o segundo par de pereiópodos (apêndices torácicos) mais fortes e maiores.

Camarão pitu

Ao falar de pitu, fazer associação com a cachaça é quase que instantâneo. No entanto, por mais que a cachaça e o crustáceo estejam relacionados (já que o nome foi derivado do Engenho Pitú – voltado para a comercialização de aguardente onde camarões de água doce eram comuns por serem usados como tira-gosto nas degustações), o foco principal aqui é o próprio camarão.

O pitu está classificado como o maior camarão de água doce nativo do Brasil. Nos biomas nacionais, ele pode ser encontrado na:

  • Amazônia;
  • Caatinga;
  • Cerrado;
  • Mata Atlântica;
  • Pampas.

Ao contrário da maioria das espécies, este crustáceo pode atingir cerca de 50 centímetros de comprimento e pesar em torno de 300 gramas. Com um corpo liso e grandes garras, a sua forma adulta possui coloração marrom escura com manchas de tons mais claros.

Características do pitu

Suas características físicas não sexuais – também chamadas de dimorfismo sexual – são muito perceptíveis entre os diferentes gêneros. Os machos costumam ser maiores e mais fortes, com garras mais desenvolvidas. Enquanto isso, as fêmeas possuem uma câmara de incubação formada pelo tórax curvado e alongado.

O período reprodutivo do camarão pitu acontece entre o mês de junho e o mês de julho. A taxa alta de fertilidade e fecundidade faz com que a fêmea produza aproximadamente 100 mil ovos por período; e há casos em que pode cegar a produzir até 250 mil.

O desenvolvimento adequado das larvas desta espécie depende, principalmente, das condições da água salobra. A forma adulta, geralmente, busca água doce em locais com presença de correnteza, fundos arenosos ou rochosos.

A atividade de predação da espécie ocorre durante o período noturno, quando captura, de forma agressiva, alguns peixes e outros camarões. Em alguns casos, optam alimentar-se por animais mortos e algas.

Durante o período matutino, essa espécie de camarão sai em busca de abrigo, principalmente, onde há água com fluxo contínuo. Além disso, são difíceis de serem encontrados em locais com altitude maior que 200 metros.

Camarão da Malásia

O camarão da Malásia, ou Macrobrachium rosenbergii, é uma das espécies de camarão de água doce pertencente à família dos palemonídeos. No entanto, também chamado de lagostim de água doce e camarão gigante da Malásia, seu interesse comercial tem crescido nos últimos anos; tornando-se uma das espécies mais procuradas para a criação em viveiro.

Rios, lagos e reservatórios são os principais locais de proliferação deste camarão. Mas é nos locais com águas salobras que o desenvolvimento das larvas acontece. Seu comprimento pode chegar até 32 centímetros, podendo pesar cerca de 500 gramas.

O camarão da Malásia costuma se alimentar de:

  • Moluscos;
  • Verme;
  • Larvas;
  • Insetos aquáticos;
  • Algas;
  • Plantas aquáticas;
  • Sementes;
  • Frutos;
  • Folhas tenras.

Camarão de estalo

O camarão de estalo – ou camarão pistola – é o nome dado à nova espécie descoberta por cientistas brasileiros, norte-americanos e britânicos na costa litorânea do Panamá. Eles batizaram esta espécie com o nome de Sunalpheus pinkfloydi, pois eleproduz estalos com sua garra em bom e alto som. O barulho é tão alto que pode ser comparado com o som de um show de rock. Além disso, ele tem capacidade de matar peixes pequenos por meio desse estalo.

O termo Sunalpheus pinkfloydi foi empregado em homenagem a banda britânica Pink Floyd, devido a coloração da garra do camarão, que também é rosa (pink, em inglês).

Este camarão pertence, portanto, à família dos alfeídeos, e pode ser encontrado facilmente entre buracos ou em pedras. Ao produzir o estalo, ele também é capaz de gerar uma onda de choque, que atinge e mata sua presa, a tornando indefesa.

Camarão de patas brancas

O camarão de patas brancas, também chamado de Litopenaeus vannamei ou camarão branco do Pacífico, faz parte da subordem Dendrobranchiata. Essa espécie está entre as mais comuns nas práticas de pesca e é criada, principalmente, para fins comerciais. Na região do Pacífico oriental ao norte do Peru é a maior espécie de camarão criado em cativeiro.

Os principais países produtores do camarão de patas brancas são:

  • Tailândia;
  • Indonésia;
  • Vietnã;
  • Equador;
  • México;
  • Brasil.

Segundo a ABCC (Associação Brasileira de Criadores de Camarão), o camarão de patas brancas tem um dos papéis mais importantes em meio a carcinicultura mundial. Ele representa aproximadamente 50% de toda a produção de crustáceos cultivados mundialmente.

Esta importância comercial se deve ao fato de estes camarões tolerarem variações extremas de salinidade, suportarem mudanças no cultivo e terem facilidade no ganho de peso; mesmo com pouca quantidade de proteína em sua dieta.

A alimentação desta espécie é baseada em fito e zooplâncton e, por isso, estes camarões são classificados como onívoros. Sua reprodução acontece em zonas marinhas e os ovos e larvas são consideradas planctônicos; dessa forma, são levados aos poucos em direção à zona costeira.

Na fase adulta, eles vão em direção às áreas de mangue ou às lagunas para a fase de reprodução. O macho pode chegar a 17 centímetros de comprimento e pesar em média 20 gramas. Enquanto a fêmea mede cerca de 23 centímetros e pesa em torno de 28 gramas.

Camarão de sete barbas

O camarão sete barbas (Xiphopenaeus kroyeri) é um dos mais encontrados no Brasil e nos Estados Unidos, e permanece em ascensão durante o ano todo. Ele é considerado a espécie com maior interesse e procura econômica.

Encontrado com facilidade em águas marinhas costeiras com até 30 metros de profundidade, o camarão sete barbas pode chegar a oito centímetros de comprimento e tem a cara pontiaguda, com a ponta voltada para cima.

Esta espécie é conhecida por ser um crustáceo bom de nado, já que nada com movimentos ritmados. O deslocamento é mais rápido quando feito com a parte final da cauda aberta, fator que também faz com que se movimente para trás. Já a sua alimentação é composta por pequenos animais e matérias orgânicas em estado de decomposição.

No período reprodutivo, costumam formar grandes grupos. Sua fecundação é externa, ou seja, o macho fecunda os óvulos após serem postos; e os ovos são deixados entre as pernas abdominais da fêmea, durante o período completo da incubação.

Tipos de camarão

Camarão limpador

Conhecido por ser hermafrodita – ou seja, por ter os dois órgão reprodutores- o camarão limpador tem a fecundação cruzada, envolvendo a copulação no processo. Mesmo que vivam de modo civilizado com outros peixes, ele costuma matar seres da mesma espécie em busca de acasalamento. Essa espécie é geralmente encontrada nos riachos e nos pequenos rios.

O camarão limpador costuma incubar seus ovos nos apêndices de seu corpo (da mesma forma como fazem as lagostas e os caranguejos) ou até mesmo nos chamados sacos oveiros. Além disso, geralmente ele se desenvolve na base dos apêndices torácicos. Sua alimentação é baseada em partículas em suspensão e animais e vegetais mortos ou em decomposição.

Na época de competição e da procura por parceiros, ele costuma produzir poucos óvulos e muitos espermatozoides. No entanto, quando estão unidos de forma monogâmica, eles passam a produzir mais óvulos porque não se encontram mais em estado de competição.

Os camarões limpadores recebem este nome porque costumam se posicionar em um local que alcance a vista dos peixes que passam por perto. Assim, eles ficam balançando suas antenas com coloração branca para chamar a atenção dos outros seres. Então, quando o peixe se aproxima, ele sobe nele e faz uma espécie de “faxina”, o chamado mutualismo.

O mutualismo consiste em uma associação entre populações diferentes em que ocorre o beneficiamento de ambas, já que elas podem estabelecer ou não um estado de interdependência fisiológica.

Camarão rosa

O camarão rosa é o mais famoso e apreciado no Brasil. Este camarão costuma viver em locais com pouca profundidade, como as regiões arenosas. É considerado um bom nadador, que também se movimenta para trás com a cauda aberta.

Sua alimentação é composta por matéria orgânica em decomposição e pequenos animais. Além disso, costuma ser sociável e andar em grupos, principalmente quando está na fase de reprodução.

Camarão cinza

O camarão cinza, também denominado de Litopenaeus vannamei ou somente Vannamei, é natural do Oceano Pacífico. No Brasil, ele é cultivado em viveiros de água salgada, as chamadas fazendas de camarão.

Os principais Estados criadores de camarão cinza no Brasil são:

  • Rio Grande do Norte;
  • Ceará;
  • Pernambuco;
  • Paraíba;
  • Bahia.

Esta espécie é classificada como a mais produzida e processada pela Indústria Alimentícia brasileira. O camarão cinza recebe este nome em função da sua cor em estado natural. No entanto, ao ser cozido, a tonalidade se altera, adquirindo tons avermelhados.

Carcinicultura – Criação de camarões

Por mais que a pesca de camarões seja uma atividade antiga e com alto valor no mercado mundial, a carcinicultura – ou seja, a criação de camarão – é uma atividade recente que está ainda em desenvolvimento. Portanto, no que se refere a economia, exportar camarão ainda é o mercado principal para quem ingressa na carcinicultura.

Com pouco desenvolvimento, o cultivo de camarão era baseado em práticas extensivas. O processo de larvicultura praticada em laboratórios foi o ponto alto desta atividade. Assim, com o desenvolvimento tecnológico de reprodução, cresceu o cultivo em muitos países. Em porcentagem, 30% dos camarões comercializados são naturais de cultivo específico.

O produtor de camarão possui três grandes vantagens, portanto:

  • Preço elevado do crustáceo no mercado;
  • Cultivos com curta duração;
  • Boas condições climáticas para o cultivo.

No Brasil, o Nordeste é a região responsável pela maior produção, mais especificamente o estado do Rio Grande do Norte.

Dificuldades na criação do camarão

As espécies que mais se produzem mundialmente são as mesmas que ais toleram as variações de qualidade da água nos ambientes em que ocorre o cultivo.

“Um exemplo é o camarão branco do Pacífico, Litopenaeus vannamei, uma espécie que pode ser cultivada em distintas faixas de salinidade e que é bastante resistente. Outras espécies mais sensíveis podem apresentar alguma dificuldade para o manejo no ambiente de cultivo”, conta a bióloga.

De acordo com Gabriele, as enfermidades bacterianas e virais passaram a ser um dos problemas resultantes da intensificação dos cultivos, causando morte e perdas na produção. “A biossegurança é um fator essencial quando se pensa em iniciar um cultivo de qualquer espécie aquática”, ressalta.

Tipos de viveiro

Há muitos tipos de viveiro voltados para a criação de camarões e cada um deles influencia de modo significativo no desenvolvimento destes crustáceos.

De acordo com Gabriele, viveiros escavados que não são revestidos (ou seja, que estão em contato direto com o solo) podem ser interessantes, pois algumas espécies podem se alimentar do sedimento e dos organismos que se formam.

“Uma técnica que se utiliza em viveiros é a fertilização inorgânica, que permite o desenvolvimento inicial de fitoplâncton e de zooplâncton; já que eles podem servir como alimento para os camarões. Esses micro-organismos podem ser benéficos, mas também é necessário seu controle, pois eles podem consumir oxigênio dissolvido na água – que deveria ser disponível para os camarões”, explica.

No entanto, em caso de cultivos mais intensivos, o papel desses organismos é reduzido; já que há um grande número de animais sendo cultivados dentro de uma mesma área e o alimento natural não é suficiente para garantir seu crescimento. Dessa forma, se cria a necessidade de adicionar ração à mistura.

Viveiros escavados

“Em viveiros escavados, a presença de organismos como o fitoplâncton pode influenciar nas variações de oxigênio dissolvido de dia e de noite. Os processos de fotossíntese e respiração produzem e consomem oxigênio, respectivamente, e se um viveiro é dominado por fitoplâncton, essas variações podem ser muito grandes”.

De acordo com a bióloga, isso pode resultar em concentrações muito baixas de oxigênio durante a noite. Assim, são instalados sistemas de aeração para evitar essas flutuações e perdas na produção.

Para cultivos em tanques ou viveiros recobertos (geralmente cultivos mais intensivos) já não existe contato com o sedimento do solo; e o alimento artificial, que é a ração, é o fator mais importante para um bom crescimento dos animais.

“Atualmente, para a maior parte dos camarões cultivados, já existem alimentos adequadamente formulados e que garantam o bom crescimento desses animais”, comenta.

Impactos da carcinicultura no meio ambiente

Por mais que a carcinicultura tenha um grande valor econômico, seu rápido desenvolvimento tem gerado impactos muito negativos para a saúde do meio ambiente. ONG’s e ambientalistas advertem que a prática é um tanto quanto predatória, desagregadora em âmbito social e poluidora.

De acordo com a revista nacional Panorama da Aquicultura, os principais impactos causados ao meio ambiente são:

  • Impacto sobre os recursos hídricos;
  • Impacto sobre a diversidade;
  • Impacto sobre a ocupação do solo;
  • Impacto sócio-econômico;
  • Impacto químico.

De modo geral, todos estes impactos estão relacionados com a eliminação de manguezais, com a poluição da água por meio de fertilizantes, dejetos, rações e produtos químicos utilizados no cultivo. Estes fatores são, muitas vezes, prejudiciais tanto para a qualidade do próprio fruto do mar quanto para a saúde ambiental; e também para a saúde dos seres humanos.

Alguns ambientalistas advertem que a rede usada para a pesca também tem caráter prejudicial, uma vez que acaba por capturar outras espécies de animais marinhos além do camarão. Isso porque estes outros animais capturados são muitas vezes descartados mortos.

Sistemas de produção para o cultivo de camarão

Os camarões são produzidos em diferentes sistemas de cultivo. De acordo com Gabriele Rodrigues, a produção em cativeiro se iniciou na década de 70, mas somente duas décadas depois (nos anos 90) foi que este tipo de produção se intensificou.

“Basicamente, os cultivos eram realizados em viveiros escavados e em áreas próximas a fontes de água (bacias, rios e estuários, e também áreas marinhas). Esse foi e ainda é o tipo de produção mais comum para produção de camarões”, explica a bióloga.

De acordo com a ABCC (Associação Brasileira de Criadores de Camarão), os cultivos de camarões praticados nos dias de hoje podem ser divididos em três principais sistemas de produção:

  • Sistema extensivo: é um sistema formado pela estocagem de camarões em baixa densidade. A produção fica concentrada em uma média de 450 kg/ha/ano. Uma de suas características é a baixa necessidade de investimento, uma vez que não utiliza alimentação artificial e aeradores.
  • Sistema semi-intensivo: sistema com maior estocagem destes frutos do mar. A produção é inconstante, mas pode chegar a cerca de 10 toneladas/ha/ano. A necessidade de investimento é um pouco maior, pois faz uso da alimentação artificial. No entanto, também faz o uso de alimento natural (como o zooplâncton, por exemplo).
  • Sistema intensivo: faz uso de pequenos tanques que comportam taxas altas de estocagem. Utiliza-se alimento com qualidade alta e grandes taxas de renovação de água. Além disso, possui um custo de produção mais caro em relação aos outros dois sistemas.

Os viveiros de cultivo são caracterizados por ocupar grandes áreas de terra e, normalmente, necessitam de grandes volumes de água para manter as boas condições de produção. Isso ocorre, principalmente, se as renovações de água são necessárias para manter os parâmetros de qualidade; tanto do oxigênio, quanto do pH e da amônia.

“Nas últimas décadas, também cresceram os cultivos de camarões em sistemas fechados mais intensivos; ou seja, a água é reaproveitada mediante o controle e o tratamento das principais variáveis que afetam o crescimento e sobrevivência dos camarões. Assim, é possível cultivar maiores densidades de estocagem em unidades de cultivo menores”, complementa a bióloga.

Vantagens e desvantagens do sistema extensivo

As principais vantagens do sistema extensivo de produção são:

  • Custo baixo de operação e instalação;
  • Chances de utilização de policultivo;
  • Utilização de locais que poderiam não ser reaproveitados.

Já as desvantagens do sistema extensivo de produção, incluem:

  • Povoamento com baixa densidade;
  • Maior exposição à predadores;
  • Despesca com complicações;
  • Falta de controle populacional e da qualidade da água;
  • Produtividade menor que 500 kg/ha/ano.

Vantagens e desvantagens do sistema intensivo

As principais vantagens do sistema intensivo de produção são:

  • Maior produtividade;
  • Facilidade no manejo, tanto na cria quanto no processo de engorda;
  • Despesca sem complicações;
  • Controle de mais de 80% da produção;
  • Crustáceos maiores e com mais qualidade;
  • Ciclo produtivo com menor tempo.

Já as desvantagens do sistema intensivo de produção, incluem:

  • Alimentação com alto custo;
  • Maior atenção e total controle.

Alimentação dos camarões

No Brasil, os sistemas de criação de camarões são baseados nos seguintes alimentos:

  • Alimentos de origem animal, como farinha de peixe e de camarão, por exemplo;
  • Sementes oleaginosas, como farelo de amendoim, soja, girassol e algodão;
  • Grãos de cereais e subprodutos, como farelo e farinha de trigo, farelo de arroz, de milho, sorgo, aveia, centeio e cevada;
  • Raízes, como farinha, polvilho e raspas de mandioca, batata, beterraba e batata doce;
  • Forrageiras, como farinha de leguminosas e gramíneas, moídas e secas;
  • Proteínas unicelulares, como leveduras desidratadas, algas, bactérias e fungos;
  • Aditivos, como, por exemplo, antioxidantes, corantes, areia, sal, fosfatos, calcário, emulsificantes, farinha de conchas, entre outros.

Todas as rações são oferecidas de acordo com o estágio do camarão; seja na fase de desenvolvimento, de condições de cultivo e intensificação.

Carcinicultura: criação de camarão

Camarão internacional: o camarão do Equador

No continente americano, o Equador foi o primeiro país a realizar o cultivo de camarão. Neste país, o setor camaroeiro tem uma alta dinamicidade entre as indústrias. Sendo assim, por ter sabor, textura e qualidade únicos, o produto equatoriano é reconhecido como o melhor no ranking de melhores camarões brancos do mundo.

Este fruto do mar vendido no Equador é considerado, praticamente, orgânico – devido a sua forma de cultivo, ao meio em que se desenvolve e a utilização de probióticos.

O setor é, então, conhecido por manter uma relação de cuidados com o meio ambiente. Entretanto, o país faz uso de áreas não adequadas para a produção agrícola para realizar os cultivos deste crustáceo.

Além disso, cerca de 2200 hectares de manguezais já foram reflorestados. Por conta do uso de larvas próprias e fortalecidas com probióticos, o Equador diminui em grande porcentagem o risco de aparecimento de doenças.

Além disso, eles optam por um sistema de cultivo único mundialmente, e isso faz com que os animais sofram menos estresse e tenham uma excelente qualidade quando comparados à outros animais; provenientes de outros tipos de cultivo.

A troca de água neste sistema é regulada, principalmente, pelo fato de as fazendas de camarão estarem próximas ao Golfo de Guayaquil. Dessa forma, isso também garante que haja fornecimento de matéria prima fresca.

O país consegue, então, realizar cerca de 3,5 colheitas anualmente, devido a localização e climas favoráveis. Assim, a consequência é o reconhecimento do país como o melhor fornecedor mundial – especialmente por conta das atividades sustentáveis.

Intensificação da pesca e aquicultura

Dentro das espécies produzidas em aquicultura e pesca, os camarões têm um valor elevado e importante no mercado. Sendo assim, interessar-se neste mercado e focar neste ramo de produção é interessante para um pescador ou um aquicultor que está em busca de rentabilidade.

“A pesca é um setor que sofre constantes flutuações, já que é influenciado por fenômenos naturais e períodos de venda. Ele também pode causar impactos ambientais negativos, já que boa parte dos estoques pesqueiros mundiais se encontra em situação de super exploração. A aquicultura surge, então, como uma alternativa; já que garante uma produção constante e segura ao longo de todo o ano, se realizada de maneira correta”, explica Gabriele.

Intensificar este tipo de cultivo é uma tendência em todo o mundo; no entanto, a bióloga afirma que isso não é algo tão simples quanto os leigos imaginam.

“É uma tendência, já que se pretende produzir a máxima quantidade de animais dentro de áreas cada vez mais reduzidas. Porém, para intensificar, é necessário investir em estruturas e equipamentos que permitam crescer de maneira ordenada e segura”, comenta.

Comércio do camarão

O camarão é um dos frutos do mar mais procurados para a comercialização. O seu comércio é considerado nobre, uma vez que este crustáceo possui alto valor de nutrição. Além disso, o padrão de qualidade é classificado entre os excelentes; principalmente em função da procedência das operações de cultivo controladas.

Para a comerciante Renata, 47, a venda do camarão sofreu algumas mudanças nos últimos anos. “Devido a crise ela tem abaixado. Mas, ainda assim, a melhor época para comercialização são as principais festividades, como o Natal, Dia das Mães e a Páscoa”, afirma.

Renata trabalha na banca Rei do Camarão, localizada no Mercado Municipal de São Paulo, mais conhecido como Mercadão. “A comercialização baixou em relação ao que era normalmente, mas nas festividades continua muito forte e procurada. Inclusive, é isso o que salva a gente aqui no Mercadão”, declara.

Os criadores de camarão costumam realizar a venda direta ao consumidor, às redes de supermercados e aos restaurantes, entre outros. No Mercadão de São Paulo, por exemplo, a maioria dos camarões comercializados vêm de viveiros e outras formas de produção; porém, poucos vêm da natureza.

“O camarão que mais vende por aqui é o de viveiro, pois ele é menor e mais barato. Já o camarão selvagem, que vem do mar, é melhor – porém, mais caro. Então, devido a economia do país e a situação financeira dos consumidores, o de viveiro acaba saindo mais”, conta a comerciante.

Comercialização do camarão no Mercadão

O Mercadão é um dos maiores centros comerciais de alimentos do Estado de São Paulo. Localizado na capital, ele vende desde frutas exóticas até pescados, queijos, vinhos, carnes, aves, massas, doces, legumes, verduras e especiarias. Ou seja, é um lugar amplo para quem procura os mais variados produtos e com qualidade.

O comércio de camarão dentro do Mercadão é muito amplo. Nele, os consumidores e frequentadores encontram diversos pontos de venda do produto. Para Renata, uma das funcionárias do local, a venda deste fruto do mar no Brasil vale a pena; principalmente para quem trabalha em grandes centros comerciais, como é o caso do Mercado Municipal.

“Os mercados municipais espalhados pelo Brasil são diferenciados, em comparação aos das feiras e dos mercados tradicionais. Os consumidores procuram qualidade no produto, ainda mais por ser um pescado, que precisa estar sempre fresco. É por esse motivo que sua comercialização continua sendo viável, tanto para a clientela quanto para os vendedores”, afirma a comerciante.

Em São Paulo, por exemplo, o tipo de camarão mais procurado pelos consumidores é o camarão cinza, tanto pela praticidade na hora de preparar quanto pelo valor do quilo. No entanto, o preço do camarão rosa e do camarão pistola são os mais elevados, mas isso tende a mudar de acordo com as temporadas mais adequadas de venda.

Comércio de camarão

Culinária: nutrientes do camarão

Além de ser importante para o agronegócio e para a economia nacional, o camarão possui muitos nutrientes que auxiliam diretamente a saúde e funcionamento do corpo humano.

A nutricionista Michelle Cristina Antunes listou alguns dos principais nutrientes e benefícios deste alimento. Entre eles, podemos citar, por exemplo:

  • Fonte de selênio;
  • Fonte de vitaminas do complexo B, como a vitamina B12;
  • Rico em vitamina D;
  • Fonte de vitamina E;
  • Fonte de ômega 3 e -3;
  • Poucas calorias;
  • Rico em proteínas;
  • Fonte de fósforo;
  • Fonte de magnésio;
  • Fonte de cálcio;
  • Fonte de cobre;
  • Fonte de iodo.

Benefícios do camarão: as diferenças

Por conter muitos nutrientes essenciais, o camarão traz muitos benefícios para quem o consome. No entanto, de acordo com Michelle, os benefícios variam de um tipo de camarão para o outro.

“Os tipos de camarão destacam benefícios diferentes devido ao seu habitat, seja de água doce ou de água salgada. As fontes de alimentação são diferentes, e isso acaba diferenciando um camarão de outro porque os minerais ingeridos alteram o sabor dos camarões”, afirma.

Por outro lado, a nutricionista alega que todos possuem muitos benefícios. Ela também listou alguns dos principais benefícios do camarão, como, por exemplo:

  • Ajuda no combate a artrite e à artrose;
  • Auxilia na prevenção de doenças cardiovasculares;
  • Ajuda no combate a hipertensão;
  • Previne o câncer;
  • Ajuda na prevenção do aparecimento de doenças neurológicas.
  • Ajuda a manter a saúde e funcionamento do sistema imunológico;
  • Auxilia na recuperação de lesões;
  • Neutraliza os efeitos danosos dos radicais livres, que são as principais fontes do câncer e de algumas doenças degenerativas, por exemplo;
  • Ajuda a manter o fortalecimento dos ossos e dos dentes;
  • Auxilia no bom funcionamento do cérebro;
  • Colabora para a formação e maturação das células presentes no sangue;
  • Ajuda a aliviar os sintomas da síndrome pré-menstrual, famosa TPM;
  • Evita o surgimento de coágulos no sangue;
  • Ajuda a evitar o desenvolvimento de Alzheimer.

Além disso, de todos os benefícios, a nutricionista conta a principal diferença nutricional entre os camarões de água doce e os de água salgada.

“O camarão de viveiro não produz ômega -3, pois ele precisa estar solto em água corrente e livre para realizar esta produção, diferente do camarão selvagem”. Segundo ela, os camarões selvagens conseguem produzir mais nutrientes e satisfazer a demanda que o corpo humano precisa.

Contraindicações do camarão

O camarão é um dos alergênicos mais comuns. Dessa forma, muitas pessoas quando entram em contato com este crustáceo, podem sofrer algumas reações como coceira, dor de barriga, placas vermelhas espalhadas pelo corpo, sensação de mal estar, inchaço na boca, garganta, lábios, olhos, congestionamento nasal, entre outros.

Além disso, este alimento possui alto teor de sódio e é rico em colesterol. Por isso, segundo a nutricionista, seu consumo em excesso pode ocasionar o aumento do colesterol ruim. Ele é capaz de elevar também o ácido úrico presente no corpo. Sendo assim, torna-se um alimento não indicado para hipertensos e para quem tem colesterol alto.

Camarão na moranga: a história

A fama do camarão na moranga se iniciou nas regiões litorâneas do Brasil. O prato é, então, típico da culinária desta região e muito consumido pelos moradores locais – e caiu no gosto do povo pelo litoral a fora. Consiste em camarões servidos e preparados com a abóbora do tipo moranga, recheada com uma mistura de requeijão e os pequenos crustáceos.

Este prato surgiu por acaso, na Ilha Anchieta, localizada em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Em 1945, havia na Ilha um presídio político que recebeu um grupo de presos políticos japoneses. Então, por fazer parte da tradição oriental, estes japoneses passaram a cultivar verduras e legumes no local.

No entanto, devido a falta de higiene, ao consumo de peixe cru e o costume de andarem descalços, estes homens acabaram contaminados por várias doenças comuns entre as pessoas que trabalham na zona rural, como a esquistossomose. Ao receberem o diagnóstico da doença, o grupo passou a plantar abóboras, pois acreditavam que suas sementes continham um vermífugo eficiente para resolver o problema.

Camarão na Moranga: o sucesso

Assim, o caso fez muito sucesso entre os moradores da região, que passaram a ir até a ilha comprar as abóboras; tendo como objetivo comer as sementes torradas e usá-las com fins medicinais.

No entanto, durante uma das viagens da ilha para o continente, um dos compradores deixou uma abóbora cair no mar. O fruto afundou imediatamente, pois continha um furo no lugar do talo. Dessa forma, depois de algumas semanas, a abóbora apareceu a cinco quilômetros de onde afundou; sendo encontrada por uma cozinheira, dona de um restaurante na Praia da Enseada.

A cozinheira não hesitou e colocou o fruto inteiro para ferver. Mas, quando abriu a abóbora, viu que dentro dela havia mais de dois quilos de camarão sete barbas. Então, ela retirou as sementes e acrescentou tomate, cebola, folha de coentro, cheiro verde e alho. Assim, foi descoberta e inventada uma das comidas típicas da culinária litorânea: o camarão na moranga.

*Artigo escrito com colaboração de Thalia Lins. 

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