Intolerância à lactose atinge cerca de 2 milhões de brasileiros por ano

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08/11/2020 Por
Intolerância à lactose atinge cerca de 2 milhões de brasileiros por ano

Entenda o que é a intolerância à lactose, quais são os seus sintomas e se há tratamento. Um problema que se tornado comum e extremamente incômodo para os brasileiros é a intolerância à lactose. Esse nome descreve a incapacidade de digerir de forma completa o açúcar presente em produtos de origem láctea, como o leite.

Essa condição tem incomodado muitas pessoas porque muitos alimentos do nosso dia a dia se enquadram nessa categoria. Neste artigo, vamos entender o que é a intolerância à lactose, seus sintomas, causas e se há tratamento.

Intolerância à lactose

O que é intolerância à lactose?

Intolerância à lactose é o nome dado à condição de incapacidade (completa ou parcial) de digerir o açúcar que existe no leite e em seus derivados.

Essa não é uma doença ou algo do gênero que demande preocupação ou cuidados médicos excessivos – embora precise de acompanhamento.

A intolerância à lactose acontece quando o organismo não mais produz (ou produz em uma quantidade muito pequena, insuficiente) a lactase, uma enzima digestiva importante para o processo de digestão.

É a lactase a responsável por decompor a lactose. Ou seja, o açúcar (mais precisamente o hidrato de carbono) presente no leite e seus derivados.

Como já foi dito, a intolerância à lactose não é considerada uma doença. Na realidade, essa condição se encaixa na categoria de distúrbio digestivo e está diretamente associado à baixa ou nenhuma produção de lactase pelo organismo – mais precisamente o intestino delgado.

Pesquisas revelam que pelo menos 70% da população brasileira possui algum tipo de intolerância à lactose.

As pessoas podem possuir graus de intolerância à lactose variados desde leve, até moderado e grave, de acordo com o tipo de deficiência apresentada.

Sintomas da intolerância à lactose

Os sintomas da intolerância à lactose podem variar bastante, especialmente dependendo do grau do distúrbio. Mas como eles são desencadeados?

Como o organismo é incapaz de digerir a lactose, essa substância chega praticamente inalterada ao intestino grosso. Nesse órgão, o açúcar acumulado é fermentado por micro-organismos do intestino (bactérias e outros) que fabricam gases e ácido lático.

Como consequência, o corpo passa a reter mais água (o que pode causar a sensação de inchaço) e o surgimento de sintomas como cólicas e diarreias. Contudo, há quem se queixe de muitos outros sintomas associados à intolerância à lactose.

Mas é importante não confundir esse distúrbio com a alergia ao leite, condição que ainda vamos explicar neste artigo.

Os sintomas da intolerância à lactose costumam aparecer minutos ou até horas depois da ingestão de produtos derivados do leite.

Entre outras manifestações, além das diarreias e excesso de gases (flatulências), podemos mencionar os seguintes sintomas:

  • Distensão abdominal (inchaço);
  • Cólicas;
  • Náuseas;
  • Ardor anal e assaduras (provocado pela presença de fezes mais ácidas);
  • Perda de peso;
  • Perda de apetite;
  • Apatia.

Intolerância à lactose

Intolerância à lactose ou alergia ao leite?

A alergia ao leite é uma condição diferente da intolerância à lactose.

Enquanto a última se refere à incapacidade de digerir o açúcar presente no leite e seus derivados, a alergia é uma reação imunológica contra as proteínas do leite.

Portanto, uma está relacionada ao açúcar (intolerância) e outra às proteínas (alergia).

A alergia, por muitas vezes, é bem mais grave e se manifesta imediatamente após o consumo de uma porção (mesmo que muito pequena) de qualquer derivado do leite.

O tipo de alergia mais comum é ao leite pasteurizado de vaca. Essa condição pode provocar sérias alterações no intestino, na pele (vermelhidão, coceira e inchaço) e no sistema respiratório (bronquite e tosse), onde muitas vezes a manifestação é grave.

Tipos de intolerância à lactose

Esse distúrbio possui algumas classificações de acordo com a sua origem no organismo.

Entretanto, não se trata de uma categorização estrita, sendo que uma pessoa pode acabar desenvolvendo a intolerância à lactose por diferentes meios.

Esse distúrbio é classificado da seguinte maneira:

  • Congênita: quadro em que o distúrbio é um problema herdado geneticamente, ou seja, o bebê já nasce sem a condição de produzir a lactase e digerir a lactose – uma forma mais rara, mas crônica do distúrbio;
  • Deficiência primária: situação em que ocorre a diminuição gradual e progressiva da produção da lactase, começando a partir da pré-adolescência e até a fase adulta – a forma mais comum do distúrbio;
  • Deficiência secundária: nesse cenário, a produção da lactase pelo organismo é afetada por algum tipo de doença intestinal, como síndrome do intestino irritável, doença celíaca, diarreias, doença de Crohn ou até mesmo a alergia à proteína do leite; para esse tipo de distúrbio, a intolerância pode ser temporária e desaparecer conforme a doença base esteja sob controle.

Portanto, a intolerância à lactose pode ter algumas dessas origens, mas elas pouco impactam no quadro geral da pessoa que a possui. Em geral, os sintomas são os mesmos, variando apenas no grau.

Intolerância à lactose

Tratamento para intolerância à lactose

Como esse distúrbio não é categorizado como uma doença, não existe um tratamento para intolerância à lactose. Entretanto, há formas de contornar os problemas gerados por essa condição para que o indivíduo tenha uma vida mais agradável.

O primeiro deles, mais básicos de todos, é suspender o consumo de leite e alimentos derivados. Dessa forma, evita-se o surgimento dos sintomas e sensações negativas ligadas a essa condição.

Recomenda-se a ingestão de produtos que sejam “zero lactose”. No mercado, há leites, queijos, iogurtes e muitos outros que já possuem essa classificação. Basta procurar e encontrar o mais interessante para você.

Outra alternativa válida é recorrer aos leites vegetais, como o leite de soja e o leite de amêndoas, por exemplo.

Contudo, vale ressaltar que há medicamentos que possibilitam a digestão da lactose pelo organismo nas pessoas que não possuem a enzima lactase. Mas esse é um procedimento paliativo, o que não livra completamente a pessoa desse distúrbio.

Para não sofrer com a deficiência de nutrientes presentes no leite, como o cálcio, por exemplo, recomenda-se a suplementação, sugestão que pode ser dada por uma nutricionista.

Ademais, é importante destacar que um portador da intolerância à lactose pode viver uma vida completamente normal, tendo apenas que adaptar um pouco os seus hábitos alimentares.

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