Galináceos e a importância do seu papel no agronegócio brasileiro

Inicio » Pecuária » Galináceos e a importância do seu papel no agronegócio brasileiro
17/03/2021 Por
Galináceos e a importância do seu papel no agronegócio brasileiro

Os galináceos são um grupo que abrange uma série de aves, incluindo aproximadamente 70 gêneros e mais de 250 espécies diferentes.

Os galináceos, que também conhecidas como galiformes, são todos ovíparos. Dentre as espécies de galináceos mais conhecidas, podemos citar galinhas, perus, faisões, perdizes e galos, entre outros.

  1. O que são galináceos?
  2. Galinhas
  3. Perus
  4. Faisões
  5. Galinha caipira
  6. Galinha de capoeira
  7. Criação de galináceos no Brasil
  8. Alimentação de galináceos
  9. Reprodução de galináceos
  10. Habitat dos galináceos
  11. Galináceos selvagens
  12. Qual a diferença entre galináceos e galiformes?

galinaceos

O que são galináceos?

Os galináceos são reconhecidos por sua base alimentar simples e muito semelhante entre as espécies, contendo sementes e grãos. Galinha, peru e faisão são três espécies de galináceos que figuram entre as mais famosas e populares para consumo no Brasil – tendo papel de destaque no mundo do agronegócio brasileiro.

Galinhas

Originária do Sudoeste da Ásia, foi trazida pelos europeus em meados de 1500 para o Brasil. A galinha – em especial a galinha caipira – sempre foi muito bemadaptável ao clima e solo do país. Por isso, é considerada um dos principais animais explorados pela cozinha brasileira. Cada estado utiliza sua carne para o preparo de um prato diferente.
Na capital paulista a facilidade de se encontrar o filé de frango é grande para os que apreciam sua carne.

Embora a carne de frango também é utilizada em caldos medicinais. É comumente misturada entre temperos no arroz e também com massa italiana. A carne branca é uma boa pedida inclusive para os que estão em dieta, devido aos benefícios de ser uma grande fonte de proteínas e vitaminas.

No campo do agronegócio é conhecida como galinha de granja. Muitos agricultores deixam de investir em suas plantações para ingressar no mundo da criação de aves e da avicultura.

As vantagens são muitas, incluindo o baixo custo de alimentos para a criação. Ou seja, grande parte de sua alimentação é composta por grãos e sementes. A venda garantida – tanto dos animais quanto de sua matéria prima, como os ovos.

Perus

Encontrado em fazendas, currais e também em seu estado selvagem, o peru é de origem indiana. Foi trazido para a Europa pelos ingleses como uma novidade entre as aves galináceas. Portanto, o Brasil o conheceu a partir dos portugueses.

Ele é bastante conhecido por sua longa cauda. Em sua cauda se destaca uma plumagem chamativa que é utilizada para o chamado de acasalamento ou para afastar possíveis inimigos. Uma característica que poucos sabem é que este animal é um excelente caçador de víboras. Portanto, é vantajoso criá-lo em áreas com alto índice de répteis. Embora seu consumo não seja comum, sua carne é rica em nutrientes.

No Brasil, a procura pela carne do peru é mais intensa no final do ano, em dezembro. Devido as tradições natalinas do país. Assar o chamado “peru de Natal” e servir na ceia do dia 24 de dezembro é algo muito comum entre as famílias brasileiras. No campo do agronegócio, sua produção de ovos é farta e pode chegar até 800 ovos por ano, uma média de 2 por dia.

Faisões

Também originário da Índia (como o peru). O faisão foi trazido pelos americanos e europeus como forma de caça nas regiões. Este galináceo altivo se alimenta de raízes, verduras, insetos e folhas.

É um animal que sofre de dimorfismo sexual. Ou seja, não possui características físicas entre o gênero feminino e masculino bem demarcadas. Assim, é diferenciado pelo tamanho avantajado e as cores mais vibrantes: características predominantes nos machos.

No Brasil, a procura pelo faisão é justamente pelos machos e suas penas. As penas são utilizadas na confecção de fantasias para o carnaval.

No campo do agronegócio, muitos criadores investem na sua criação. Por razão das vantagens que sua carne e ovos apresentam. Portanto, seus teores baixos de colesterol e gordura são as principais e mais saudáveis características de sua carne.

Por isso, O valor da carne do faisão chega a custar até R$ 40,00 por quilo. Dito isso, o mercado de galináceos se mostra vantajoso para os agropecuários que decidirem investir.

Galinha caipira

Sem dúvida, um dos galináceos mais distribuídos do Brasil. Aliás, a galinha caipira comum é a mais distribuída do país.

O motivo de sua popularidade certamente se deve à suculência e sabor de suas carnes nos mais diversos tipos de preparos e de cortes. Conta também que, em termos comerciais, se trata de um animal versátil e produtivo. Sua carne tem uso na cozinha e a mesma coisa acontece com seus ovos.

Cada galinha caipira pesa em média 3kg e produz uma média de 170 ovos. Seu custo benefício, portanto, é fabuloso.

Atualmente existem mais de 120 raças de galinhas conhecidas. No Brasil, as mais populares e difundidas são as raças de penas pretas e vermelhas.

As galinhas caipiras brasileiras são resultados de cruzamentos genéticos com outras raças. E esses cruzamentos ocorreram de forma não planejada, isto é, de forma totalmente espontânea.

Contudo, hoje há uma preferência por galináceos do tipo geneticamente aprimorado porque eles rendem mais. Assim, eles melhoram o custo benefício.

As raças de galinhas caipiras mais populares (além da comum):

  • Rhode Island de Jersey. Galinha nativa dos EUA, cuja função principal é a produção de ovos. Cada uma chega a produzir 250 ovos ao ano;
  • Gigante negra de Jersey. De origem norte-americana, cada uma chega a pesar 5kg. No Brasil, seu uso mais comum está voltado para o cruzamento de raças mais rústicas. A finalidade é aumentar a capacidade zootécnica;
  • Frango de corte colonial (Embrapa 041). Frango desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Pecuária (Embrapa) ao promover, por meio de estudos e testes, o cruzamento de raças da espécie. Seu objetivo principal privilegiou o corte. Pesa, em média, 2,5 kg;
  • Embrapa 051: Galinha aprimorada geneticamente pela Embrapa que goza de grande aceitação. Isto porque rende tanto na produção de ovos como no abate.

galinaceos

Galinha de capoeira

Muita gente pensa que se tratam de raças diferentes, contudo, isso é um erro. Galinha de capoeira pode ser da mesma raça de uma galinha caipira comum.

No entanto, apesar de pertencerem à mesma raça, às vezes ocorre de uma galinha caipira ser chamada de capoeira e, outra, não.

E por que isso ocorre? O que faz uma galinha ser chamada de capoeira e outra não? E, principalmente, qual a diferença dela em relação ao do tipo chamado de galinha caipira?

Sem dúvida, a diferença está na criação.

O método que se tornou mais comum, por ser mais rentável, volumoso e prático, foi o de criação em granja. Por isso, a galinha submetida a esse sistema de criação recebe o nome de galinha de granja.

Nesse método de criação, as galinhas ficam presas em gaiolas. Recebem alimentação, mas são impedidas de aproveitar o ambiente natural, de socializar ou fazer outras atividades agrícolas.

Sem dúvida, um sistema de criação pouco confortável e até cruel – e certamente isso conta para a decisão de alguns de optarem pela galinha de capoeira.

Entretanto, um dos motivos, se não for o principal, para se optar pela galinha de capoeira, é o sabor.

Está comprovado que animais criados em ambientes confortáveis, que não gerem tanto estresse, crescem melhor. Isso certamente influencia na qualidade de suas carnes.

A galinha de capoeira proporciona exatamente as condições mais favoráveis para o desenvolvimento saudável dos galináceos.

O motivo? As capoeiras.

Mas o que viriam a ser essas capoeiras?

O que vem à cabeça quando se lê esse nome é a arte marcial associada a um ritmo de dança conhecida como “capoeira”.

No entanto, a capoeira em questão se trata do fundo de quintal. Pequenos terrenos de propriedades com criação de animais, em especial galinhas, são chamados de capoeira.

Criação de galináceos no Brasil

As condições de bem-estar dos galináceos nas capoeiras se destacam porque permitem as aves desenvolverem suas aptidões naturais.

Elas são criadas em espaços abertos, soltas no quintal, na capoeira. Diferente do que ocorre no sistema de granja, como vimos. Isso permite, por exemplo, que os animais possam conviver em grupos, tenham espaço para se movimentar e se exercitar.

Sem dúvida, ter essas liberdades, esses privilégios, em comparação às galinhas de granja, proporciona uma qualidade de vida melhor.

As galinhas se sentem mais confortáveis. Elas experimentam sensações prazerosas por mais vezes, o que acaba refletindo na evolução física e emocional.

A criação de galináceos na capoeira é o tipo de criação mais tradicional no Brasil.

O principal motivo é a infraestrutura. Não precisa ser muito grande e nem muito elaborada para ter sucesso nesse tipo de criação. Claro que isso estará condicionado à quantidade de galináceos a se criar.

Mas a infraestrutura necessária geralmente não precisa de vultuoso investimento. Isso torna o negócio viável para pequenos produtores.

O sistema de granja necessita de uma estrutura ampla e mais elaborada, pois precisa pôr, em um mesmo ambiente, grande volume de aves. Também precisa fornecer o mínimo de conforto para que as aves possam se desenvolver bem para o abate.

Esse sistema se tornou popular em tempos recentes, com a entrada de grandes empresas alimentícias necessitando fornecer seus produtos para grande volume de pessoas.

Em 2018, o Brasil totalizou 1,5 bilhão de cabeças de galinhas, galos, frangas e frangos. A região Sul se destaca na produção nacional, sendo responsável por quase metade do total brasileiro.

No caso específico de galinhas, o país chegou a produzir 246,9 milhões de cabeças. Entretanto, o estado que teve maior destaque na produção foi São Paulo, responsável por 21,9% do total de galinhas no Brasil.

galinaceos

Alimentação dos galináceos

Do que é composta a dieta dos galináceos? Qual a melhor ração para oferecer aos animais da espécie? Muda muito em comparação aos tipos soltos na natureza?

Começando pela última, a resposta é não. Não importa se esse tipo de ave for domesticada ou não, isto é, livre na natureza. A alimentação não mudará muito no que diz respeito a gênero.

Certamente há diferença quanto à qualidade e quantidade, mas, quanto ao tipo de comida, não. Isso porque o galináceo se trata de uma ave onívora. Isso significa dizer que se trata de uma espécie de ave que se alimenta tanto de fonte vegetal como animal.

Sua dieta, portanto, é bem variada. Seu organismo consegue se adaptar bem a diferentes tipos de alimentos.

Para o produtor, isso é uma boa notícia, pois a oferta de alimentos que terá à disposição para investir não será tão pequena.

Caso sinta dificuldade para encontrar ou repor determinado alimento, poderá contar com outro mais acessível de momento.

A formação da dieta da ave envolve material vegetal, como restos de cultura, grãos e pequenos invertebrados. Sim, insetos, mas, no caso, alguns insetos.

Importante que a dieta seja balanceada para garantir o fornecimento de determinados nutrientes. Mas, caso não seja possível ofertar diariamente variedade, não há motivo de muita preocupação.

A maior parte dos nutrientes de que essas aves precisam é obtida na alimentação no pasto.

Contudo, para garantir crescimento saudável da ave, é melhor ter uma oferta diária de alimentação balanceada.

Reprodução dos galináceos

Apesar de serem muitos parecidos quanto espécie e terem hábitos alimentares comuns, a reprodução dos galináceos é variada.

Cada espécie tem uma maneira própria para se reproduzir. Ou seja, uma estratégia própria.

O ambiente em que vivem conta em cada processo. A adaptação a determinados ecossistemas, também. O mesmo quanto à estrutura social. Se vivem em bando, por exemplo, ou de forma isolada.

Enfim, não há um padrão universal para todas as raças existentes da espécie. Mas, sem dúvida, é possível listar as principais estratégias de reprodução dessas aves.

Uma delas é a reprodução em bando, quando andam em grupos. Outra é o oposto, ou seja, a reprodução solitária.

Alguns galináceos têm hábito migratório e, outros, são sedentários. A dinâmica de suas relações está sujeitas às situações geradas por esse estilo de vida.

Há também a reprodução conduzida de acordo com a hierarquia social.

Quanto à reprodução em si, a galinha não necessita do galo para produzir ovos. Isso não quer dizer, no entanto, que sua reprodução seja assexuada. O galo tem participação no processo, porém sua parte está focada na fertilização dos ovos.

O galo fornece o espermatozoide que se funde com o óvulo da galinha para gerar a fecundação.

Um detalhe curioso é que o tempo da maturidade sexual varia de galináceo para galináceo. E o modo de criação tem influência direta nisso.

Por exemplo, em criação apenas comercial, onde se utiliza de aprimoramento genético para produção de ovos. Nesse caso, o tempo para se atingir a maturidade sexual varia de 20 semanas a 5 meses.

Em galinheiros simples, de capoeira, esse prazo dobra: 10 meses.

galinaceos

Habitat dos galináceos

Em termos técnicos, não existe galinha selvagem, pois há milênios a espécie é domesticada pelo Homem.

Contudo, a origem da ave torna possível ligá-la a um ancestral. No caso, uma ave selvagem no sudoeste asiático.

Estudando sobre essa ave, seus hábitos, alimentação, reprodução e principalmente o lugar que vivia, é possível traçar um habitat dos galináceos.

O local preferido, por exemplo, seria o de áreas de bosques e não de savana ou pastagens. Outra característica identificável: a preferência em caminhar pela sombra. Ou seja, galináceos preferem caminhar em ambientes frescos e com cobertura vegetal.

Porém, após milênios em ambiente doméstico, naturalmente houve adições e decréscimos quanto ao habitat de preferência. Hoje, certamente, é possível encontrar a espécie espalhada em praticamente todos os tipos de climas e ambientes da Terra.

Isso demonstra incrível capacidade de adaptação dessas aves. Atualmente, a maior parte dos galináceos no Brasil vive em cativeiros, sob o sistema de granja.

Contudo, conforme explicado mais cedo, por não ser a condição de criação ideal, a criação em capoeiras tem voltado a ganhar espaço.

No entanto, há um detalhe a se ficar atento. Apesar da ótima capacidade de adaptação em diferentes climas e ambientes, os galináceos não suportam extremos. Isto é, climas muito quentes ou muitos frios.

Desse modo, em regiões que lidam com esse tipo de temperatura, os criadores de galináceos precisam fornecer proteção às aves, construir abrigos adequados para aliviar o calor ou aumentá-lo.

Galináceos selvagens

Lembra da espécie primitiva de origem do sudeste asiático? Pois bem, voltará a ganhar destaque aqui, mas, dessa vez, recebendo o devido reconhecimento.

A ave ancestral da galinha, a qual seu estudo permitiu entender o habitat natural dos galináceos, é a Red Jungle Fowl. Em tradução livre, esse nome significa “Ave vermelha da selva”. Seu nome científico é Gallus, Gallus.

O curioso desse parente antigo da galinha é o seu temperamento. Sem dúvida, bem diferente em relação à espécie que temos familiaridade hoje.

O Gallus, Gallus tem um temperamento arisco. Está sempre pronto para se defender de eventuais ataques, pois costumava ser presa fácil em seu ambiente natural. Afinal, convivia no mesmo espaço em que circulavam tigres, leopardos e elefantes.

A floresta que o tipo costumava viver era diversa em vegetação, com árvores de diferentes portes, herbáceas e arbustos. Também havia grandes espaços abertos de clareiras que facilitavam a circulação.

Uma das explicações para viver em local rico em vegetação é a presença de cupins – além de outros insetos e frutos, todos grandes fontes de alimentação.

Quanto aos hábitos dos galináceos selvagens, eles costumavam dormir durante as horas mais quentes. Essas aves galináceas costumavam ficar empoleiradas em bambuzais nos períodos mais quentes.

Já nas horas mais frescas, aproveitavam para ciscar e pastejar. Essas horas eram do amanhecer até às 9hs, ou das 16h até o anoitecer.

galinaceos

Qual a diferença entre galináceos e galiformes?

Normalmente, quando se fala sobre galináceos, aparece em algum momento o termo galiformes. Seu emprego parece sempre se referir aos galináceos, como se fosse um sinônimo.

Sendo assim, é razoável supor que galináceos e galiformes são a mesma coisa?

A resposta é sim. Ou melhor, mais ou menos.

Galiforme se refere, de fato, às aves de pequeno a médio porte, onívoras. Os galináceos também se referem a esse tipo de ave, mas não somente.

Galináceo já é mais global. Faz referência à reunião de galinhas e aves parecidas, mesmo que apresentem característica diversa dos galiformes.

Galináceos, portanto, se trata de uma denominação científica obsoleta usada antigamente na zoologia para se referir à aglomeração de aves parecidas.

Compartilhe sua opinião

Agro20 | Portal Vida No Campo