Taturana é o estágio larval de alguns insetos da ordem Lepidoptera

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30/10/2020 Por
Taturana é o estágio larval de alguns insetos da ordem Lepidoptera

O contato acidental com taturana pode ser altamente tóxico. O Brasil é um país com ampla biodiversidade, com muitos organismos vivos alheios ao contato humano, às vezes permanecendo desconhecidos na natureza, como a taturana. Fatores relacionados a questões antropológicas acabam favorecendo o contato entre seres humanos e tais organismos em algum momento, incluindo desmatamento, expansão de áreas urbanas, turismo e muito mais.

Nesse contexto, as propriedades desses animais, plantas e microorganismos têm a oportunidade de se tornar conhecidas. Em suma, esse é o caso de uma lagarta mariposa do gênero Lonomia, a conhecida taturana ou lagarta de fogo.

Taturana

O que é taturana?

Taturana é um tipo de lagarta venenosa, consistindo no estágio larval (lagarta) de alguns insetos da ordem Lepidoptera.

Em 1969, foi relatada diátese fibrinolítica hemorrágica em indivíduos que tiveram contato com cerdas de lagartas da família Saturniidae, na Venezuela.

No Brasil, desde 1989, uma alta incidência de síndrome hemorrágica tem sido relatada em áreas rurais dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Além disso, alguns casos foram relatados no estado do Paraná.

O contato acidental com taturana, ou taturana cachorrinho, as lagartas encontradas em árvores, tem sido implicado como causa. De fato, o envenenamento por taturana verde, causando distúrbios hemorrágicos, também foi descrito na Guiana Francesa.

Tipos de taturana

Os tipos de taturana envolvidos no relatório de acidentes na Venezuela e na Guiana Francesa, por exemplo, foram identificadas como Lonomia achelous (Cramer), enquanto no Brasil o envenenamento foi atribuído a Lonomia obliqua (Walker).

Ambas as espécies pertencem ao gênero Lonomia, da família Saturniidae, subfamília Hemileucinae e ordem Lepidoptera. Os lepidópteros são representados por borboletas, com hábitos diurnos, e mariposas noturnas.

Esse estágio larval também é conhecido no Brasil como taturana preta ou tromba de elefante.

Acidentes com lagarta de fogo

Acidentes graves e até fatais foram relatados como resultado do contato acidental com a forma larval, ou lagarta, da lagarta de fogo. Nesta fase de desenvolvimento, as lagartas permanecem juntas em grupos no tronco das árvores hospedeiras durante o dia, movendo-se para o final dos galhos para se alimentar das folhas à noite.

Esse comportamento favorece a ocorrência de acidentes devido à proximidade com o solo e o fato de eles permanecerem agrupados. Sem dúvida, isso também está relacionado à gravidade de envenenamento, já que o número de animais envolvidos pode ser alto.

Poucas espécies de mariposas e borboletas (ordem Lepidoptera) estão envolvidas no ambiente humano. Afinal de contas, as lagartas são as formas larvais de mariposas e borboletas.

As toxinas são geralmente encontradas nos cabelos e nas espinhas da lagarta com propósitos de defesa. A maioria dos encontros medicamente importantes com os lepidópteros ocorre com a exposição aos cabelos ou espinhos da lagarta, mas a hemolinfa também pode ter propriedades tóxicas.

Uma variedade de efeitos clínicos foram descritos, que dependem da família e das espécies envolvidas, variando de reações locais a sistêmicas.

Taturana

Causas do aparecimento da taturana cachorrinho

A remoção da cobertura vegetal relacionada ao desmatamento, a substituição de florestas nativas pela monocultura de grandes áreas, o uso de agrotóxicos e a redução de predadores naturais contribuem para o desequilíbrio ecológico.

De fato, esta última pode estar implicada como justificativa para o aumento da população da taturana cachorrinho em locais diferentes dos originais. O que, afinal de contas, pode favorecer a ocorrência de acidentes com seres humanos.

Características da taturana preta

O gênero Lonomia é um grupo de tamanho moderado de mariposas saturníides bastante enigmáticas da América do Sul.

Estas são famosas por suas lagartas altamente venenosas, responsáveis ​​por algumas mortes a cada ano, especialmente no sul do Brasil. Por isso, são assunto de centenas de estudos médicos publicados.

As lagartas são elas próprias extremamente enigmáticas, misturando-se contra a casca das árvores, onde as larvas geralmente se agregam. As larvas, como a maioria das hemileucinas, são cobertas de pelos urticantes. Essas lagartas, no entanto, possuem um veneno anticoagulante altamente potente.

Toxicidade da taturana verde

Um incidente típico de envenenamento envolve uma pessoa que, sem saber, se inclina, coloca a mão ou esfrega o braço contra um grupo dessas lagartas que estão reunidas no tronco de uma árvore.

Os efeitos de uma dose de várias lagartas podem ser dramáticos e graves. Podem incluir, por exemplo, hemorragia interna maciça, insuficiência renal e hemólise.

A síndrome médica resultante às vezes é chamada de lonomíase. A morte pode resultar rapidamente ou após muitos dias após o envenenamento.

Embora exista mais de uma dúzia de espécies do gênero, a espécie mais problemática é a Lonomia obliqua, e é nessa espécie que a maioria das pesquisas médicas se concentra.

Como os anticoagulantes têm algumas aplicações muito benéficas (por exemplo, prevenção de coágulos sanguíneos com risco de vida), a pesquisa é motivada pela possibilidade de derivar da toxina alguns produtos químicos farmaceuticamente valiosos.

Taturana

Como proceder diante de acidentes com taturanas?

De fato, na maioria das vezes, os efeitos adversos causados ​​pelas lagartas são autolimitados e podem ser tratados com antipruriginosos tópicos.

Entretanto, para o ambiente das lagartas sul-americanas de Lonomia obliqua, o soro antilonômico produzido no Instituto Butantan é o único tratamento eficaz para restabelecer os parâmetros de coagulação em pacientes envenenados e evitar as complicações observadas em casos graves, como hemorragia intracerebral e insuficiência renal aguda.

Em 1989, um surto de acidentes com esta espécie se tornou uma séria ameaça à saúde pública no sul do país, com altas taxas de mortalidade. Desde então, muitos estudos têm sido realizados para entender os mecanismos fisiopatológicos do envenenamento e para identificar as toxinas responsáveis ​​por reações adversas.

Acidentes com taturana no sul do Brasil

No sul do país, desde 1989, foram descritos vários casos de acidentes produzidos por contato involuntário com o corpo de lagartas venenosas da espécie mariposa Lonomia obliqua.

De fato, as lagartas de L. obliqua têm comportamento gregário e se alimentam das folhas das árvores hospedeiras durante a noite. Assim, ficam agrupadas no tronco durante o dia, o que favorece a ocorrência de acidentes com a espécie.

Essa lagarta tem o corpo coberto de cerdas que, ao entrarem em contato com a pele dos indivíduos, rompem e liberam seu conteúdo, inoculando o veneno na vítima. A constituição básica do veneno é a proteína e seus componentes produzem alterações fisiológicas na vítima, que incluem distúrbios na hemostasia.

A síndrome hemorrágica associada à coagulopatia de consumo, hemólise intravascular e insuficiência renal aguda são algumas das possíveis manifestações clínicas relacionadas ao envenenamento por taturana.

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