Bracatinga é árvore mais antiga do Brasil e popular pela versatilidade

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04/02/2019 Por
Bracatinga é árvore mais antiga do Brasil e popular pela versatilidade

Bracatinga é cultivada no Brasil desde o século XX, o que a colocou como uma das árvores mais importantes do país. A bracatinga é uma ótima árvore, visto que ela é capaz de recuperar áreas degradadas. Além disso, tem ótima capacidade de se desenvolver num curto espaço de tempo.

No campo, a bracatinga precisa de bastante espaço na raiz para ter um desenvolvimento sem danos. Porém, não é o que acontece geralmente. Na maioria dos plantios, a árvore é posta perto de outras, o que prejudica tanto o seu crescimento quanto a qualidade do tronco.

  1. O que é bracatinga?
  2. Mimosa scabrella
  3. Mel de bracatinga
  4. Lenha de bracatinga
  5. Madeira no Brasil
  6. Bracatinga como carvão
  7. Carvão vegetal
  8. Impactos ambientais
  9. Madeira de bracatinga na construção civil
  10. Uso da madeira de bracatinga
  11. Mel de bracatinga no Brasil

Bracatinga

O que é bracatinga?

A bracatinga, – ou Mimosa Scrabella, nome científico do plantio – é uma árvore natural do sul do Brasil. Considerada umas das primeiras árvores do país, é cultivada desde o século XX. Por não ser exigente nos cuidados para se desenvolver, a bracatinga acaba se tornando favorita entre os agricultores. Isso porque também tem características de suma importância para diferentes subprodutos, e chega a medir até 40 centímetros de diâmetro.

Entre os itens de produção mais populares advindos das árvores bracatinga, podemos citar:

  • Lenha: Conhecida pelo tronco maciço, a bracatinga desempenha bem como lenha, pois sua textura a torna altamente inflamável.
  • Carvão: Assim como no caso da lenha, este tronco é de bastante eficiente quando utilizado como carvão. Quando aplicado em churrascos, o carvão demora a apagar.
  • Construção: A rigidez de seu tronco faz com que ela seja frequentemente comercializada para construções.  A utilização de madeiras fortes para escoras – método de sustentar teto – torna o tronco requisitado tanto pelo comércio em geral como pedreiros.

Mimosa scabrella

Quando danificada por crescer em meio a pouco espaço, os agricultores costumam criar utilidades criativas para o seu tronco. Muitos poleiros para pássaros, portões de entrada da fazenda e até móveis rústicos de decoração podem ser feitos com a bracatinga.

Pequenas carpintarias também se interessam por essas madeiras danificadas, uma vez que seu uso pode gerar um comércio rentável. Trabalhada de uma maneira mais esteticamente bonita e profissional, acaba por ter a mesma utilidade na venda para os donos da fazenda.

Uma vitória importante para o Brasil aconteceu em 2013. Foi quando o bracatinga venceu como o melhor mel do mundo num congresso na Ucrânia.  Isso porque seu gosto e textura fizeram com que vencesse aproximadamente 86 países de todo o globo.

No Brasil, a empresa Prodapys é uma das principais exportadoras de mel no território nacional.  Hoje, o país produz cerca de 3 mil toneladas de mel de bracatinga por ano. De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina – PAGRI.

Em 2017, as vendas totais de mel do Brasil – incluindo o da bracatinga – cresceram aproximadamente 32%. Os Estados Unidos da América  são os maiores importadores do mel brasileiro; cerca de 86% ao ano. Os dados do Ministério da Indústria, Comércio exterior e Serviços.

Mel de bracatinga

Característico do Sul do Brasil, o mel da bracatinga é muito popular. Quando utilizada pelas abelhas na formação de colmeias, fica cercada de fios brancos e com caroços – como um colar de pérola. Após expelir este líquido viscoso, sua ordem natural é liberar as cochonilhas – insetos que sugam o líquido e expelem de volta o mel.

Ainda não muito popular no Brasil, o mel foi descoberto pelo alemães e rapidamente passou a ser importado por outros países.

Lenha de bracatinga

Conforme apontado acima, a bracatinga é muito utilizada como lenha por ter uma textura altamente inflamável.

Com o aumento do consumo de combustíveis fósseis, o uso de lenha vem diminuindo nos últimos anos, entretanto, ainda é largamente consumida não só na geração de energia para setores estratégicos da indústria, mas também em residências domésticas.

No Brasil, por exemplo, tal consumo sofreu alta nos últimos anos, marcado por instabilidade econômica e aumento da desigualdade.

Estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, apontou que 14 milhões de famílias brasileiras estavam usando lenha ou carvão para cozinhar.

Esse número representou 3 milhões de famílias a mais em comparação a 2016.

A causa do aumento foi um conjunto de fatores, mas de origem comum:

  • O aumento do desemprego;
  • A elevação dos preços do gás de cozinha;
  • O aumento generalizado de preços de bens de consumo e de alimentos.

A crise econômica é a principal causa para o país quase chegar a 20% do total de famílias que recorrem ao uso de lenha e carvão para preparar seus alimentos.

Essa fatia da população faz com que o setor residencial lidere o topo de consumo, 30%, superando o setor industrial que consome aproximadamente 23% da lenha produzida no país.

Não à toa, é considerada como a “energia dos pobres” dos países em desenvolvimento, pois representa 95% da fonte de energia da faixa mais pobre da população desses países.

Bracatinga

Madeira no Brasil

Do total de lenha produzida, que certamente inclui a madeira extraída da bracatinga, 40% é transformada em carvão vegetal.

As maiores indústrias consumidoras de lenha são a de alimentos e bebidas, papel, celulose e cerâmica.

A madeira no Brasil tem como origem as florestas nativas e locais de reflorestamentos. É usada por sua combustão ou pela queima direta.

A principal fonte de fornecimento é o eucalipto.

Apesar de ser de origem australiana e contar com mais de 600 espécies, a árvore encontrou no Brasil condições ideais de desenvolvimento, se proliferando rapidamente em várias regiões do país e contribuindo enormemente para a produção de energia primária.

É em mudas de eucalipto que se baseia o principal recurso da ciência brasileira para implantar programas de reflorestamento e regeneração de florestas.

Investindo em tecnologia de ponta, é possível chegar a 45m³ de eucalipto por hectare e há alguns casos, restrito a plantações comerciais, em que se chegou à marca de 70m³/ha.

Contudo, apesar do eucalipto ser a principal fonte de fornecimento de madeira no Brasil, o país conta com tecnologia para manejo e exploração de florestas feitas a partir do uso de outras espécies de árvores, dentre elas, a bracatinga.

Além da bracatinga, destacam-se:

  • Farinha-secafaveira;
  • Timbó;
  • Angico-vermelho;
  • Angico-branco;
  • Angico-cascudo;
  • Táxi-branco;
  • Pau-darco-cabeludo;
  • Maricacanudo-de-pito.

Bracatinga como carvão

Outra forma de utilização da bracatinga no Brasil é a geração de carvão vegetal.

O país é o maior produtor de carvão vegetal do mundo, chegando a produzir mais de 5 milhões de toneladas anualmente, números que fazem esse material representar 8% de toda a matriz energética do país, muito diferente do que ocorre com a produção de carvão mineral.

Como apenas algumas das regiões do país são ricas nesse tipo de minério, sua exploração e consumo não a tornam viável, por exemplo, para a produção de energia.

A limitação é tão acentuada que faz o Brasil necessitar importar 50% de seu consumo anual de carvão mineral.

Como o carvão vegetal é extraído de fontes como a madeira, em abundância no território nacional e de fácil reprodução, podendo contar com várias espécies de árvores para tal produção, como a bracatinga, sua utilização para geração de energia e outras atividades que necessitam de muito de seu consumo é mais favorável em termos sustentáveis.

Prova disso é o uso de mais de 90% da produção nacional de carvão vegetal na indústria siderúrgica.

Carvão vegetal

Atualmente, no Brasil, mais de 80% da madeira usada para a produção de carvão vegetal é proveniente de florestas plantadas, o que sem dúvida é um aspecto positivo no tocante à preservação ambiental.

Pois essas florestas são produzidas e gerenciadas de forma a fornecer a matéria-prima explorando determinadas áreas de plantio e evitando a necessidade de expandir a área de desmatamento.

Outra vantagem do fornecimento desse tipo de floresta é que é possível sempre melhorar a qualidade do plantio, investindo e experimentando técnicas mais aprimoradas.

Um exemplo de tais técnicas é o melhoramento genético da madeira, onde se busca criar clones mais produtivos.

E o que são esses clones produtivos? São cópias de espécies de árvores com maior resistência mecânica e rendimento gravimétrico, além de maior potencial energético, entre outros diferenciais.

Maior qualidade da madeira reflete na melhora da qualidade do carvão. Por isso, produzir clones específicos para a produção de material específico é a busca cada vez mais incessante por parte da indústria.

Tal percepção levou algum tempo até ser alcançada.

A indústria se concentrava apenas em consumir clones desenvolvidos pelo setor de celulose e papel, com características distintas em relação ao setor carvoeiro.

O foco da indústria estava concentrado na produtividade, mas sem dúvida outros fatores devem ser considerados para se alcançar um produto que prime pela excelência e longa vida útil.

Impactos ambientais

Apesar de boa parte do fornecimento de madeira para produção de carvão vegetal ter como origem florestas plantadas, tal fornecimento ainda não representa a totalidade, o que sem dúvida é um problema em termos de preservação ambiental.

Teme-se que o aumento da exploração ilegal de zonas protegidas ambientalmente para a produção de carvão vegetal tenha aumentado em razão da política ambiental adotada nos últimos anos.

Além disso, o processo de uso da biomassa da madeira para convertê-la em carvão exige a queima do material.

Estima-se que apenas 40% da madeira em forma de carvão vegetal seja aproveitada e que o restante seja lançado na atmosfera em forma de gases poluentes.

Bracatinga

Madeira de bracatinga na construção civil

Outra forma mencionada de utilização da madeira de bracatinga é na construção civil.

A madeira é um dos materiais mais antigos a ser usado em construções. No entanto, após a Revolução Industrial eclodida na Inglaterra do Século XVIII, passou a ser preterida pelo aço e concreto.

Entretanto, ainda continua a apresentar vantagens, algumas delas únicas.

A resistência é uma delas. A madeira pode apresentar a mesma resistência à compressão que o concreto, por exemplo. Além disso, não se desfaz ao ser submetida a choques bruscos. Claro, a depender do tipo de madeira e espessura.

Também vale pontuar a durabilidade do material. Não é raro que arqueólogos encontrem peças antigas de madeira ainda bem preservadas em escavações, tornando possível extrair informações valiosas sobre os povos que habitaram determinada região, principalmente pinturas e outros adornos.

Algumas dessas peças são sarcófagos, esculturas, utensílios domésticos, embarcações, entre outros objetos.

Isolante térmico e acústico

Outra vantagem da madeira é o fato de ser um isolante térmico e acústico natural. Tais qualidades são úteis em termos de economia de energia, pois dispensa a grande necessidade de equipamentos de climatização.

Segurança

Quando submetidos a altas temperaturas, materiais como ferro, concreto e metal acabam se deformando e se tornando uma ameaça às pessoas que estiverem próximas, além da perderem a capacidade de as protegerem das ações externas.

A madeira se diferencia por ser mais resistente às temperaturas elevadas, não perdendo a sua função estrutural.

Para exemplificar essa vantagem, em um incêndio, a temperatura pode atingir mais que 1000 °C. A 500 °C, o aço já perdeu 80% de sua resistência e o concreto inicia a perda de sua resistência aos 80 °C.

A madeira, sem dúvida, perde parte de sua capacidade ao ser testada por temperatura tão elevada, entretanto, não chega a perder sua capacidade de suportar o próprio peso e também os das barras de aço.

Pontos fracos

Sim, a madeira tem seus pontos fracos, do contrário não faria sentido voltar-se quase integralmente ao uso de aço e concreto em construções e deixá-la de lado, praticamente. No entanto, esses pontos fracos não inviabilizam o seu uso para construções, apenas requerem maiores cuidados e investimentos.

E nem estamos falando da questão do desmatamento, impactos ambientais, que sem dúvida é um fator a se considerar, mas de outros pontos delicados e que devem ser avaliados na hora da utilização em construções.

Um deles é a fragilidade quanto a agentes externos como cupins e insetos. Por isso, toda madeira exposta deve receber proteção de verniz.

Além disso, é necessário tratar o solo do entorno da obra com material químico para evitar a atração de insetos que podem comprometer a estrutura do material.

A variabilidade do material é outro ponto a se considerar. Como se trata de um organismo em crescimento, há uma variação de tamanhos e espessuras. E se não for bem tratada, a madeira pode acabar absorvendo muita umidade, o que proporciona a sua dilatação.

Uso da madeira de bracatinga

Madeiras como as da bracatinga costumam ser usadas para diferentes finalidades na área de construções de edificações como prédios e casas. Veja algumas delas a seguir.

  • Assoalhos domésticos

A madeira utilizada para assoalhos domésticos é extremamente sólida e bem trabalhada para utilização em pisos.

  • Pesadas internas

Já as direcionadas para exercer função classificada como pesada interna se tratam de peças que são serradas. Também podem ser painéis laminados.

As pesadas internas são usadas como vigas, caibros, pranchas e tábuas (essas últimas, aplicadas em telhados).

  • Interna decorativa

É o que mais explora as texturas e variedades de cores da madeira. As internas decorativas são usadas como painéis, forros e guarnições.

  • Interna estrutural e leve externa

São utilizadas como tábuas de uso temporário nas construções. Exemplos de aplicações da madeira com essa função: andaimes e escoramentos.

  • Leve e esquadrias

Aplicação da madeira para formar portas, molduras, caixilhos e venezianas.

Mel de bracatinga no Brasil

Acima, informamos alguns dados sobre a produção de mel de bracatinga, o mel produzido pelas cochonilhas ao se proverem da seiva da árvore bracatinga.

Nos próximos tópicos, passaremos informações sobre o mercado de mel como um todo.

Bracatinga

Contexto global da produção de mel

A China, sem dúvida, lidera a produção mundial de mel natural. É responsável por 29.2% do total produzido no mundo.

O preço de mercado do mel chinês é o mais barato disponível do mercado. Um dos motivos é o baixo custo de produção, bem como a enorme capacidade industrial chinesa.

Apesar de vender seu mel a preço inferior à média mundial, a China importa pagando um dos maiores valores unitários.

A Turquia aparece na segunda colocação no ranking de produção de mel a nível mundial, sendo responsável por 6,2% do mel produzido no mundo.

No entanto, a participação desse país no mercado global não é tão expressiva, principalmente se comparado com o gigante asiático.

Na terceira colocação, aparece a Argentina. Mesmo o país passando por frequentes instabilidades econômicas e enfrentando dificuldades relacionadas ao clima, vem conseguindo boa performance na produção desse alimento.

A Argentina respondeu por 12% do volume total de mel comercializado no mundo (veja bem: volume comercializado não é o mesmo que volume produzido).

Tais números colocam os vizinhos sul-americanos como o segundo maior exportador mundial de mel.

Números sobre o mel no Brasil

Segundo dados do IBGE referentes a 2017, o Brasil produziu média de 41.594 toneladas. Apesar do bom desempenho, analistas do setor afirmam categoricamente que tal produção é bem aquém do potencial apresentado pelo país.

Tal potencial é medido pelas características de clima e da flora, que são muito favoráveis para a criação e reprodução de abelhas africanizadas, principalmente.

No país, se encontram vastas reservas florais (pastos) e floradas silvestres, ambientes que asseguram mel de altíssima qualidade, testado e aprovado em âmbito internacional.

O estado que se destaca na produção de mel no Brasil, sem dúvida, é o Rio Grande do Sul, que responde por 37 mil apicultores que juntos produzem 8,5 mil toneladas anuais de mel.

Os gaúchos concentram mais de 20% da produção do país e geram 487 mil caixas anualmente. Ademais, exportam para mais de uma dezena de países, sendo os principais: China, Canadá e Estados Unidos. Este último é o principal por ser o maior importador mundial de mel e também um grande consumidor do mel tipo bracatinga.

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