Canchim: a origem e a importância dessa raça bovina

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20/03/2019 Por
Canchim: a origem e a importância dessa raça bovina

O canchim tem se tornado a melhor opção para os criadores em todo o Brasil. Raça rústica, adaptada às condições naturais brasileiras, com alta libido, bezerros precoces e carne de ótima qualidade: esses são os bois da raça canchim. Além disso, eles são conhecidos por atenderem muito bem às exigências do mercado e gerarem grandes lucros aos criadores.

Reconhecido como raça bovina a partir de 1972, cada vez mais o canchim tem se mostrado uma ótima opção para a pecuária. Ele une duas características importantes: a precocidade em ganhar peso e a rusticidade fundamental para viver nos pastos brasileiros.

  1. O que é canchim?
  2. Origem da raça canchim
  3. Canchim como raça sintética
  4. Critérios de escolha para criar canchim
  5. Raças sintéticas
  6. Blonde d’Aquitaine
  7. Brangus
  8. Bonsmara
  9. Limangus, montana e Santa Gertrudis
  10. Canchim com nelore
  11. Mercado do gado canchim no Brasil
  12. Potencial do gado canchim
  13. Futuro do canchim
  14. Mercado de bovinos no Brasil

Canchim

O que é canchim?

De modo geral, canchim é uma das raças bovinas. A fim de melhorar a carne produzida no Brasil, um trabalho científico deu origem à raça. Então, diferente das outras raças destinadas à produção de carne, o canchim se adapta melhor às condições naturais do nosso país, como, por exemplo, clima, parasitas e pastagens – principalmente em relação às regiões mais quentes, como Norte e Centro-Oeste, onde o número de canchim se concentra.

Em relação às raças zebuínas, a raça canchim produz a mesma quantidade de bezerros. A diferença entre as raças acontece no peso: o canchim é mais pesado. Desta forma, possui uma qualidade maior. Porém, quando comparamos com as raças europeias, os bezerros possuem o mesmo peso. Nesse caso, a diferença se dá na quantidade, que é maior na produção do boi canchim.

O canchim é um animal de porte médio. De modo geral, sua forma é cilíndrica, com certo volume na parte traseira. Sua pelagem pode ser vermelha, cinza ou branca. Seus pelos são curtos e normalmente brilhantes. As orelhas são de tamanho médio e seus chifres são ovais. Além disso, seu pescoço tem um comprimento médio e seus cascos possuem uma ótima base, podendo ser escuros, claros ou rajados.

Origem da raça canchim

A origem da raça canchim remete à inferioridade do gado zebu em relação às raças europeias, principalmente em relação à precocidade e rendimento da carne, e à baixa adaptação do gado europeu ao clima tropical (e, consequentemente, baixa produtividade).

Então, com isso, observou-se a possibilidade de realizar um melhoramento genético sobre os bovinos brasileiros. E, assim, dar vida a uma raça totalmente adaptada às condições do país, capaz de gerar lucros tão altos como as raças europeias em ambientes de clima temperado.

O canchim foi originado a partir do gado charolês, uma raça europeia. Ela foi escolhida por ser uma raça com um bom rendimento, especializada em corte e com boas condições de adaptação às condições brasileiras.

Mas também contou com a contribuição de raças zebuínas, como a Indubrasil, a Guzerá e a Nelore. Destas, a Indubrasil se destaca por estar presente em grande número e bons preços no país quando comparada às outras.

O mercado de gado canchim tem crescido. E isso vem acontecendo porque muitos pecuaristas têm entendido a qualidade dessa raça, principalmente devido a sua precocidade, que ajuda a reduzir os custos da criação, e ao seu peso, que impacta diretamente no aumento dos lucros.

Atualmente, fala-se também do cruzamento da raça canchim com nelore. Desta forma, o objetivo é obter um melhoramento ainda maior, extraindo todo o potencial das duas.

Canchim como raça sintética

A raça de gado canchim é uma raça sintética. É também denominada como raça composta. O que significa ser uma raça sintética ou composta? Quais as características desse tipo de raça e quais as suas vantagens em relação às tradicionais?

Uma raça sintética é formada pelo cruzamento entre animais das espécies B. taurus e B. indicus. Ou seja, os criadores produzem uma nova raça por meio da junção de duas diferentes.

Portanto, essa nova espécie não surge de maneira espontânea. Não ocorre de forma natural. Há uma interferência humana decisiva que propicia o seu desenvolvimento.

A escolha dos animais a formar a nova composição não é feita de modo aleatório. O sentido no desenvolvimento de raças sintéticas está em produzir gado que seja mais produtivo, que se adapte melhor às condições de clima e solo de determinado lugar.

O caso da criação do canchim é bem ilustrativo. O desejo de melhorar a carne produzida no Brasil incentivou estudos para desenvolver um novo tipo de raça.

Foi percebido que o gado zebu era inferior em relação às raças de gado europeu, principalmente quanto ao rendimento da carne. No entanto, poderia ser aprimorado geneticamente.

O resultado foi o gado canchim, que se adapta melhor ao nosso clima e pastagens.

Canchim

Critérios de escolha para criar canchim

A escolha do gado para fazer a combinação de uma nova raça não é aleatória.

Por meio de estudo dos tipos de gado disponíveis, se analisa quais tipos se complementariam de maneira a criar uma espécie mais próxima da ideal, superior em vários aspectos às raças já existentes.

Para encontrar o par perfeito, tenta-se aliar alguns aspectos interessantes para a agropecuária.

Por exemplo, unir uma raça de boa musculatura com outra de ótima produção de leite. A união desses tipos, portanto, propiciaria uma espécie resistente a calor, parasitas, etc. Além de capacidade leiteira acima da média, claro.

Sem dúvida, um ótimo custo benefício.

Essa é a vantagem, o sentido, de se investir na produção desse tipo de bovino.

Raças sintéticas

Certamente, o canchim não é a única raça que se origina de cruzamento de outros bovinos. Uma vez que esse experimento teve sucesso e rendeu ótimos resultados, naturalmente houve incentivos para se produzir mais espécies do gênero.

Abaixo segue uma lista de raças como a canchim, com breves informações a respeito delas.

Um detalhe importante a se observar, entretanto, é o fato da cruza de gado não se restringir a apenas duas espécies. Mais de duas podem ser usadas para formar uma raça sintética.

Blonde d’Aquitaine

Essa raça se originou no sudeste da França. Os produtores combinaram 3 tipos de gado para criá-lo: Quercy, Garonesa e Rubia Gallega.

Suas características mais relevantes para a pecuária são a alta produção de leite e a musculatura desenvolvida.

Brangus

Assim como a raça canchim, essa versão de Brangus também foi criada em laboratórios brasileiros. Desenvolvida por meio de trabalho promovido pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária (Embrapa), é bastante famosa.

Sua origem foi em Ibagé, cidade do Rio Grande do Sul. É composta por Aberdeen Angus e por Nelore.

Os pontos altos desse gado são o bom crescimento, qualidade superior da carne e habilidades maternas.

Canchim

Bonsmara

É uma raça criada na África do Sul e é o resultado da fusão de dois bovinos:

  • Afrikander, também conhecido como zebu africano;
  • Britânico Hereford ou Shorthorn.

Suas principais qualidades são altas produções em regiões extensivas e rusticidade.

Caso esse último lhe pareça muito vago, uma breve explicação. Se trata da capacidade de resistência do animal às intempéries do tempo e do ambiente. Ou seja, quanto mais rústico, mais forte e resistente.

Limangus, montana e Santa Gertrudis

Limangus é uma raça de origem argentina. Ela é o resultado da associação de Limousin + A. Angus.

Suas características mais marcantes são a precocidade, facilidade de parto, rusticidade, rendimento da carcaça e qualidade da carne. A primeira significa redução da idade do primeiro cio. Ou seja, tem cria mais cedo do que outras raças. A segunda evidencia que seu ponto forte é a reprodução.

O caso da raça Montana é mais raro, pois seu nascimento se deveu ao esforço conjunto de duas nações. No caso, EUA, por meio do estado de Montana, e Brasil, via estado de São Paulo.

É composta por mais de 3 raças:

  • Britânica;
  • Continental;
  • Nelore;
  • Raças adaptadas.

Seus principais pontos fortes são a capacidade de adaptação em ambientes de clima tropical, precocidade, alta resistência a parasitas e qualidade da carcaça. Esse último analisa o valor biológico. Ele é medido de acordo com a porcentagem de proteína consumida e a quantidade retida pelo organismo.

Por fim, o Santa Getrudis é um gado sintético dos USA. Ela é resultado do complemento Shorthorn + Brahman.

Suas principais virtudes são a resistência ao calor e aos parasitas. Também tem habilidade materna, qualidade da carcaça e facilidade de partos.

Canchim com nelore?

Bem, o que pensar ao ouvir essa expressão, caso não esteja acostumado com esse universo de raças sintéticas?

Canchim com Nelore alude ao cruzamento de touro canchim com fêmeas Nelore (vacas).

Assim, os produtores criam uma raça com desempenho superior ao gado de origem europeia.

O peso da carcaça no abate é maior, por exemplo, e a idade de abate é reduzida para 6 meses. Também se observa melhor rendimento da carcaça e, sem dúvida, melhor qualidade da carne.

Canchim

Mercado de gado canchim no Brasil

Com a disseminação da prática do cruzamento industrial, outra forma de se referir às raças sintéticas ou compostas, mais pecuaristas se interessaram em investir nesse tipo de gado nas últimas décadas.

Certamente, os resultados positivos que essa espécie de gado proporcionou aos primeiros produtores foram um fator de influência.

Sem dúvida, outro fator a contribuir para o aumento do interesse foi o incentivo de instituições como a Embrapa. Por meio de seu programa de aperfeiçoamento genético de gado, ajudou muitos produtores a aderirem a esse movimento.

Estudos científicos e da tecnologia empregada na área beneficiaram o movimento.

Esse interesse não parou de crescer nas últimas décadas e a criação de canchim acompanhou esse ritmo.

Acima, listamos a série de vantagens que a raça proporciona aos seus criadores em comparação ao gado tradicional.

Porém, não vamos ficar restrito a uma afirmação sem apresentar qualquer tipo de dado. Pra demonstrar a expansão do gado canchim no Brasil, recorremos ao levantamento realizado pela Associação Brasileira de Criadores de Canchim (ABCCAN).

O gado canchim teve início no estado de São Paulo e por algum tempo ficou restrito à região. No entanto, não demorou muito para se expandir a produtores de outros estados.

Atualmente, se encontra criação de gado canchim em:

  • Minas Gerais;
  • Paraná;
  • Maranhão;
  • Tocantins;
  • Mato Grosso do Sul;
  • Goiás;
  • Pará;
  • Bahia;
  • Rio de Janeiro.

Potencial do gado canchim

A ABCCAN fez um mapeamento de regiões onde o gado canchim tem oportunidade de crescer. A principal característica dessas fronteiras é a temperatura elevada. Algumas dessas regiões são:

  • Rondônia;
  • Mato Grosso;
  • Tocantins;
  • Acre;
  • Pernambuco;
  • Pará;
  • Paraguai;
  • Colômbia;
  • Equador.

O total de rebanhos de raça canchim verificada em território nacional (esse levantamento foi feito em 2018) é de 50, o número de associados da ABCCAN.

Esses dados mostram que, apesar da expansão da criação de gado canchim no Brasil nas últimas décadas (considerando que a raça passou a ser desenvolvida somente nos anos 1940, foi um salto considerável), certamente ainda há muita oportunidade de crescimento.

Portanto, é um mercado promissor, o produto é muito vantajoso em termos de produção e lucro, conforme as características que verificamos anteriormente.

É um animal produzido pensado para superar as principais deficiências das raças de gado tradicionais em nosso território.

O cruzamento industrial conta ainda com apoio de órgãos governamentais que visam incentivar mais esse tipo de produção. O país conta com solo rico e clima adequado, com várias regiões que ainda não trabalham com esse tipo de produção pecuária.

Futuro do canchim

O uso da tecnologia para aumentar a produtividade é uma realidade e tendência em diversos segmentos. Na pecuária, não é diferente.

É uma prática que será cada vez mais utilizada, por isso não é exagero dizer que se trata do futuro do setor, o provável caminho que seguirá para aumentar a sua capacidade produtiva e seus lucros.

E o aumento da capacidade produtiva será um desafio presente para esse e outros setores da indústria alimentícia do Brasil e do mundo.

Conforme o aumento da população mundial, maior deverá ser a alimentação das pessoas. Assim, tem sido um desafio cada vez mais complicado conseguir fornecer alimentos para tantas.

Essa é uma preocupação presente da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Quais soluções adotar pensando no futuro? A capacidade produtiva atual mal consegue dar conta de alimentar a todos, milhões já passam fome atualmente, por uma série de fatores, mas que inclui a falta de oferta de alimentos.

Uma das apostas é investir em alimentos como a batata, de fácil reprodução, resistente a diferentes climas e solos e de baixo custo.

O cruzamento industrial na pecuária é o caminho mais provável no futuro para aumentar a produtividade e atender o maior número possível de pessoas, seja no plano interno ou externo.

Canchim

Mercado de bovinos no Brasil

E como está o panorama do mercado de bovinos em geral, atualmente, no Brasil?

O país se destaca na produção de corte de bovinos, pois figura entre os principais produtores no ranking mundial.

É dono do segundo maior rebanho do planeta, mais de 209 milhões de cabeças, e é o segundo maior consumidor de carne bovina no mundo (estima-se que cada brasileiro consuma 38,6 kg por ano).

Portanto, o seu desempenho no setor é um termômetro de como está o segmento como um todo.

Anualmente, o Brasil vem abatendo mais de 39 milhões de cabeças. Desse total, exporta aproximadamente 1,9 milhões de toneladas. Número que o coloca como o segundo maior exportador de carne bovina no mundo.

Por falar em exportações, essas já representam 3% das exportações brasileiras, faturando 6 bilhões de reais por ano. Representa também 6% do Produto Interno Bruto (PIB) e 30% do chamado PIB do agronegócio. Movimenta mais de 400 bilhões de reais.

Cerca de 80% da carne bovina consumida pelo brasileiro é produzida no território nacional. O parque industrial de processamento tem capacidade de abater quase 200 mil bovinos por dia.

Gado e os riscos ambientais

Todo esse crescimento enxerga no horizonte algumas ameaças. Uma é totalmente fora de controle, o coronavírus – fora de controle no sentido de não se saber quando o mundo voltará a seu ritmo normal. Porém há outros riscos que são controláveis, ou ao menos deveriam ser.

As queimadas na floresta amazônica, no pantanal e em outros biomas se intensificaram muito nos últimos anos.

Há fortes indícios de que muitas delas ocorreram de forma ilegal, com o objetivo de desmatar para, posteriormente, criar gado.

A resposta das autoridades quanto a esses incêndios criminosos, e também pelos provocados naturalmente pelo clima seco, tem sido débil, quando não muito tardia.

A repercussão no exterior tem sido negativa e há uma onda, ainda não tão significativa, mas crescente, de boicote aos produtos brasileiros em razão das queimadas relacionadas à produção agropecuária.

A política internacional do país também tem gerado preocupação nos setores produtivos que dependem muito das exportações.

Já foram vários os episódios em que o governo brasileiro causou mal-estar com o principal parceiro comercial do país, a China.

Sem dúvida, a crise ambiental e uma eventual ruptura por parte dos chineses para com as relações comerciais brasileiras, mesmo que não integralmente, tem potencial de provocar abalos sísmicos em praticamente todos os setores da economia. Situação que certamente prejudicaria o crescimento não só do gado canchim, mas do setor agropecuário como um todo.

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