Fibria é líder mundial na produção de celulose branqueada de eucalipto

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14/08/2019 Por
Fibria é líder mundial na produção de celulose branqueada de eucalipto

A trajetória da Fibria é marcada por fusões para assegurar o patrimônio nacional

A Fibria é resultante de um esforço entre a iniciativa privada e investimentos públicos. Tal esforço tem como objetivo impedir a falência de importante empresa nacional e fortalecer a economia interna.

Com a recente fusão entre Fibria e Suzano Papel e Celulose, líderes do segmento de produção de celulose no mundo, a empresa nacional passou a ser, folgadamente, a líder mundial do segmento.

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O que é Fibria?

Fibria é uma empresa nacional focada na produção de celulose de fibra curta. Foi fundada em 2009 após a fusão dos grupos Votorantim Celulose e Papel (VCP) e Aracruz.

A fusão de 2009

A fusão do Grupo Votorantim e Aracruz ocorreu sob o contexto da crise mundial de 2008. Essa crise levou gigantes do mercado financeiro à falência, como o banco Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, época considerada então o auge da crise.

A Aracruz não vinha bem das pernas, registrando perdas bilionárias com derivativos financeiros, assim como outras empresas brasileiras. A sua situação chegou a ser muito crítica, ficando à beira da falência.

Conforme suas perdas aumentavam, o quadro ficava cada vez mais irreversível. Foi obrigada, então, a negociar as suas dívidas com os bancos e colocar o negócio à venda.

Tal decisão viria culminar no nascimento da Fibria Celulose, mas não antes de enfrentar entraves proporcionados pela mesma crise que derribou a Aracruz.

Já era desejo antigo da Votorantim adquirir a Aracruz. Em 2008, a sua intenção de fazer uma oferta pela empresa era clara. No entanto, o prejuízo apresentado pelo empreendimento de interesse e a própria Votorantim, em razão da crise mundial, inviabilizou qualquer tentativa de compra naquele ano.

Empresas estrangeiras também estavam interessadas na aquisição da Aracruz, o que inevitavelmente teria ocorrido sem a intervenção do poder público.

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BNDES foi a chave

Se não houvesse tido o entendimento por parte dos gestores públicos a respeito da importância estratégica para a economia nacional manter sob seus domínios, em solo nacional, o controle de empresa de tamanha envergadura, a Aracruz certamente teria sido vendida para grupos estrangeiros.

Querendo evitar tal perda, o poder público acionou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para auxiliar a Votorantim na compra da Aracruz.

A fusão entre Votorantim e Aracruz propiciou a entrada de dinheiro novo na primeira, com aumento de ordem de R$ 4,25 bilhões. O BNDES entrou na fusão, injetando um aporte financeiro e emitindo títulos de dívida da companhia pelo banco.

Essa contribuição tornou o banco estatal controlador, junto ao Grupo Votorantim, da nova empresa que emergia desse negócio: a Fibria.

A ascensão de uma gigante

O resultado da fusão gerou uma empresa líder mundial na produção de celulose de fibra curta de mercado.

Até 2015, a Fibria Celulose tinha capacidade produtiva de 5,3 milhões de toneladas anuais de celulose. Mas em maio deste ano a empresa anunciou o projeto de expansão da unidade de Três Lagoas (MS), batizada de “Projeto Horizonte 2”.

Essa expansão, cujos resultados puderam ser notados no primeiro trimestre de 2017, culminou na ampliação da capacidade produtiva, fazendo a empresa produzir de 5,3 milhões de toneladas atuais para 7,25 milhões de toneladas.

Esse número fabuloso da Fibria ainda foi incrementado com a parceria entre ela e a Klabin S.A. Essas empresas, então, firmaram um contrato de compra de celulose da unidade da Klabin no estado do Paraná.

Pelos termos do contrato, a Fibria firma o compromisso de compra de 900 mil toneladas anuais produzidas na fábrica. Seu interesse nesse acordo foi o de vender essas toneladas adquiridas exclusivamente para o mercado internacional.

Com essa nova parceria, os números totais da Fibria anualmente alcançaram a incrível marca de 8,15 milhões.

Fibria e Suzano

O ano de 2018 foi um período de transformações e novidades na Fibria. Foi então que recebeu proposta de duas gigantes do agronegócio. Estamos falando da brasileira Suzano Papel e Celulose e da holandesa Paper Excellence.

O objetivo das propostas era obter o controle da companhia. Era preciso a aprovação tanto do grupo Votorantim como do banco BNDES, que partilhava o controle da empresa e ainda continua a ter participação nessa nova fase.

Apesar de as propostas terem alcançado números parelhos, o grupo Suzano, que no momento da oferta detinha a segunda posição no mercado mundial de produção de celulose, perdendo a primeira colocação justamente para a Fibria, fez oferta de R$ 12 bilhões. A concorrente holandesa, pelo controle da empresa brasileira, colocou na mesa R$ 11,4 bilhões.

O desempenho da Fibria em 2017 explica o porquê dessa disputa. Ou seja, fica fácil perceber por que se tornou uma aquisição tão valiosa, apesar de seu preço elevado.

A receita líquida da companhia de celulose atingiu a marca de R$ 11,65 bilhões com a venda de 6,2 milhões de toneladas de celulose. Esses números bateram o recorde da própria Fibria. Isso se deveu graças à referida expansão da unidade de Mato Grosso do Sul.

Essa expansão foi crucial para o bom desempenho da empresa. Antes, a Fibria tinha fechado o último trimestre de 2016 com déficit de R$ 92 milhões. Nesse mesmo período após o Projeto Horizonte 2, em 2017, o lucro líquido foi de R$ 280 milhões.

O fato de a expansão ter sido concluída antes do prazo inicialmente previsto foi benéfico. Isso, sem dúvida, permitiu o início precoce da produção. A fábrica expandida produziu 559 mil toneladas de celulose, superando a projeção inicial em 17%.

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A escolha pela Suzano

Segundo fontes próximas aos bastidores das negociações, o que levou a preferência do banco estatal pela Suzano Papel e Celulose foram dois motivos:

  1. Uma eventual vitória da companhia holandesa provavelmente retiraria a Fibria da Bovespa, a bolsa de valores de São Paulo. Essa saída poderia enfraquecer o mercado de capitais interno;
  2. Outro fator que contribuiu para a escolha da Suzano foi a falta de garantias, de financiamento, firme por parte da Paper Excellence.

Quanto a esse último motivo, diz-se no mercado que o banco estatal brasileiro requisitou à empresa holandesa a apresentação de documentos bancários que demonstrassem como sua oferta seria financiada.

A Paper Excellence fez a proposta de pagar multa de R$ 1,2 bilhão caso o financiamento não se concretizasse. Entretanto, o BNDES não ficou satisfeito com os termos. Desse modo, o martelo da venda da Fibria bateu favoravelmente ao grupo Suzano.

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