Capim colonião já foi um dos principais alimentos na criação de animais

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28/06/2019 Por
Capim colonião já foi um dos principais alimentos na criação de animais

O capim colonião é uma forrageira resistente, nutritiva e de rápido desenvolvimento. O capim colonião teve seu ápice de cultivo no Brasil e, durante alguns anos, pesquisadores trabalharam no seu desenvolvimento. Ele ainda é utilizado na alimentação do gado, assim como dos cavalos e ovelhas.

O capim colonião, contudo, pode se tornar uma planta invasora bastante competitiva. Cresce muito rápido e se espalha velozmente pelas culturas em produção.

  1. O que é capim colonião?
  2. O capim colonião pode ser um problema?
  3. Qual a história do capim no Brasil?
  4. Características do capim colonião
  5. Benefícios do capim colonião
  6. Como manejar o capim colonião?
  7. Quais herbicidas usar no cultivo?
  8. Como fazer o manejo em pós-emergencias nas culturas?
  9. Como conservar capim colonião?
  10. A ensilagem no Brasil
  11. Tipos de silos
  12. Espécies similares ao capim colonião
  13. Gramíneas tropicais
  14. Produtividade do capim colonião

capim colonião

O que é capim colonião?

Capim colonião é uma espécie de forrageira muito utilizada no Brasil. É bastante versátil, altamente produtivo e se adapta a diferentes tipos de clima. Também chamado de capim coloninho, ou capim colonhão, a espécie é um dos tipos de capim que merecem destaque na produção rural brasileira.

A espécie, chamada de Panicum maximum, foi muito utilizada na criação de gado, principalmente entre as décadas de 1960 a 1980. Além disso, a planta também apresentou bons resultados na criação de equinos, assim como para os ovinos.

O capim colonião pode ser um problema?

Sim, quando o capim nasce em uma área onde não é desejado, ele pode se transformar em uma planta invasora. Em uma cultura agrícola, por exemplo, ele pode competir por luz, nutrientes e espaço com as plantas cultivadas.

Como possui uma produção de sementes bastante elevada, ele pode se propagar rapidamente. Assim, algumas culturas que podem ser afetadas pelo capim, são:

  • Algodão;
  • Abacaxi;
  • Batata;
  • Cana-de-açúcar;
  • Feijão;
  • Eucalipto;
  • Maçã;
  • Mamão;
  • Milho;
  • Repolho;
  • Trigo;
  • Pera;
  • Mandioca;
  • Fumo;
  • Goiaba;
  • Soja

Qual a história do capim no Brasil?

O capim é uma planta nativa da África e, sendo assim, os primeiros indivíduos chegaram no Brasil há muitos anos. Acredita-se que sua chegada ao país aconteceu na época da escravatura.

Os navios que vinham da África, portanto, trouxeram alguns exemplares do capim, que acabou se alastrando rapidamente pelo país.

Com o passar dos anos, então, o capim foi estudado e aprimorado por empresas agrícolas e pesquisadores em extensão no campo. Com isso, ganhou algumas variedades de cultivares, como o Mombaça e o Tobiatã.

capim colonião

Características do capim colonião

O capim colonião é robusto, nasce em forma de touceiras e chega até dois metros de altura. Assim, é uma planta perene que se reproduz de diferentes formas, através de sementes ou de maneira vegetativa.

Devido a sua grande capacidade de adaptação, a espécie está presente em praticamente todo o território nacional. Contudo, não apresenta bons resultados em regiões frias e, consequentemente, não se desenvolve. Ele consegue sobreviver, preferencialmente em climas tropicais e subtropicais.

A sua folha tem o formato de lança e coloração verde clara. Já o caule é simples e reto, e fica ereto quando a planta está sadia. Sua cor, então, geralmente é mais escura do que as folhas.

É importante lembrar que, apesar de o capim colonião ser utilizado na alimentação dos animais, ele pode ser bastante agressivo em outras culturas. A espécie está presente em mais de 40 países e, assim, é uma espécie de difícil controle quando nasce em locais não desejados. Por isso é importante estar atento à sua disseminação e fazer o controle, quando necessário.

Benefícios do capim colonião

Mesmo que, conforme mencionado, o capim colonião possa ser prejudicial, ele apresenta, também, a característica de ser uma excelente forrageira. Com a finalidade de oferecer grandes quantidades de massa verde, sobretudo em regiões mais quentes e chuvosas, ele é uma excelente alternativa para a palatabilidade do gado.

Só para ilustrar, o capim colonião pode ser utilizado na fitorremediação (processo que usa plantas enquanto agentes purificadores de ambientes terrestres e aquáticos) dos solos com metais pesados. Com o intuito de realizar purificação, vale destacar que as novas plantas contêm cerca de 15% de proteína.

Como manejar o capim colonião?

Se você trabalha com o sistema de plantio baseado em soja e milho, deve saber como manejar o capim coloninho, como também é chamado, durante os períodos de entressafra. Entre os herbicidas que são aplicáveis em pós-emergência, destacam-se:

  • Glifosato

O Glifosato possui um bom controle (indo de 20 centímetros a 40 centímetros). Conforme as suas necessidades, ele pode ser usado nas primeiras aplicações dos manejos sequenciais (vinculados aos pré-emergentes). Como resultado, a dose indicada é de 6 litros por hectare (L/ha).

  • Haloxyfop

Esse herbicida apresenta um extraordinário controle, sobretudo, de plantas que chegam até aos 40 centímetros. Aliás, o Haloxyfop pode ser usado nas primeiras aplicações dos manejos sequenciais.

Igualmente, ele tende a ser associado ao Glifosato. A princípio, a dosagem indicada varia entre 0,5 e 1,2 L/ha. Inegavelmente, a adição de óleos minerais (de 0,5 até 1%) tem gerado bons resultados.

Posteriormente, você poderá considerar outros tipos de graminicidas disponíveis no mercado. Há diversos produtos com formidáveis desempenhos, seguindo a mesma lógica dos manejos habituais.

Ao serem misturados 2,4 D (ácido diclorofenoxiacético) e graminicidas, não se esqueça de elevar a dosagem destas em cerca de 20%. Por mais que seja importante ao manejo, convém lembrar que o Haloxyfop reduz sua eficiência.

  • Cletodim

Assim como o herbicida supracitado, o Cletodim possui características quase idênticas. Ou por outra, a dose aplicada não deve exceder a quantidade de 0,45 L/ha. Se acaso optar por ele, a quantidade de óleos minerais a ser aplicada é a mesma do Haloxyfop.

capim colonião

Quais herbicidas usar no cultivo?

Nessas ocasiões, o Flumioxazin é um dos mais indicados. Analogamente, sua ação residual é muito útil para controlar o banco de sementes. Seja como for, ele deve ser usado na primeira aplicação dos manejos outonais associados aos herbicidas sistêmicos.

Antes que você tome uma decisão, lembre-se de que a categoria de herbicidas sistêmicos inclui, por exemplo, o Imazetapir, os graminicidas e o Glifosato. De acordo com os especialistas, no cultivo de soja, a melhor dosagem varia entre 90 e 120 g/ha.

  • S-metolachlor

O S-metolachlor possui uma ação residual, enquanto herbicida, no banco de sementes. Por exemplo, no caso de plantios de soja, a dosagem recomendada é de 2,5 L/ha. Por consequência, ele não pode ser aplicado nos solos mais arenosos.

  • Trifluralina

No momento em que você tiver selecionado a Trifluralina, utilize dosagens que fiquem no intervalo de 0,9 e 4,0 L/ha. Isto porque depende da planta daninha que será controlada e, também, dos níveis de cobertura do solo, ela deverá ser aplicada em solos livres de torrões e úmidos.

  • Sulfentrazone

Tal como os demais herbicidas (Trifluralina e S-metolachlor), o Sulfentrazone é essencial para controlar o banco de sementes. Ele é usado nas primeiras aplicações dos manejos outonais associados aos herbicidas sistêmicos (por exemplo, o Glifosato).

Como se sabe, a dose ideal é de, no máximo, 0,5 L/ha, à medida que ele apresenta uma enorme variação no que diz respeito à seletividade dos cultivares de soja e, também, de milho.

Como fazer o manejo em pós-emergência nas culturas?

Visto que, para a rebrota de maiores ou o plantio de pequenas plantas na soja, há uma opção eficiente na utilização de graminicidas, como Haloxyfop, Cletodim e outros. Ademais, no caso das sojas RR (isto é, resistentes ao Glifosato), é preciso destinar atenção especial às áreas de grande infestação que serão utilizadas como herbicidas pré-emergentes (S-metolachlor e Flumioxazin).

Primordialmente, devem ser aplicados os herbicidas no sistema “aplique-plante”, a fim de reduzir os bancos de sementes e as quantidades de aplicações em períodos de pós-emergência.

Antes de mais nada, a inclusão dos pré-emergentes nas diversas fases dos manejos é imprescindível, principalmente, nos locais com grandes infestações. Sem dúvida, você pode controlar os distintos fluxos emergenciais gerados em função da dormência das sementes.

Desde que o controle do capim coloninho é mais complexo no milho (que é, também, uma gramínea), existem poucas alternativas seletivas. Assim, para controlar o banco de sementes, aplique herbicidas pré-emergentes nos sistemas de “aplique-plante” (tais como o Isoxaflutole, o S-metolachlor e a Trifluralina).

De maneira idêntica, para o controle das plântulas (embriões vegetais ainda encerrados em suas sementes) em fase inicial (até 30 centímetros), você tem duas boas opções:

  • O Nicosulfuron;
  • A mistura entre Mesotrione e Atrazina.

Tanto para o milho LL quanto para o RR podem ser usados, respectivamente, o Amônio-Glufosinato ou o Glifosato, para controlar as plantas daninhas durante a pós-emergência.

capim colonião

Como conservar o capim colonião?

Em princípio, a conservação das plantas forrageiras é realizada mediante o processo de ensilagem. No entanto, essa prática é bastante antiga. No Egito, foram encontradas pinturas que demonstram que os nativos da região dominavam a técnica desde o ano 1.000 a.C.

Todavia, na Europa Central, esse método foi empregado em períodos remotos, visando o aproveitamento de volumosos na alimentação de rebanhos nas estações áridas.

Em conclusão, os primeiros ensaios propriamente técnicos foram efetuados na Alemanha e na França, ao longo do século XIX. Embora o conhecimento acumulado tenha demorado para ser transferido à modernidade, foi possível armazenar os grãos de milho junto a fossos cavados diretamente no solo.

De fato, a partir dessa época, a ensilagem passou a ser difundida por toda a América e Europa. Assim como os atuais conhecimentos já são relativamente profundos, os resultados podem ser apreciados em recentes revisões que consideram diferentes aspectos dessa técnica de conservação das plantas forrageiras.

A ensilagem no Brasil

A fim de que se descobrisse o início da ensilagem em nosso país, os estudiosos no assunto se empenharam, porém, sem maiores sucessos. Seja como for, não há consenso acerca da data exata da introdução desse processo no Brasil.

Por analogia, é provável que tenha se iniciado a partir da segunda metade do século XX. Ou seja, a despeito de sua introdução ter se dado a um ritmo relativamente lento, a ensilagem obteve certa expansão ao longo das décadas de 1960 e 1970.

Mesmo que a disseminação da prática se deva, em grande medida, ao começo das atividades experimentais acerca dos processos fermentativos, a ensilagem é considerada, ainda, extremamente complexa.

Certamente, há múltiplos fatores que contribuem para isso, tais como as características físicas e químicas das espécies forrageiras, a exemplo do capim colonião. Nesse hiato, há que se destacar:

  • A existência de variações importantes na microflora (isto é, a flora que é composta por organismos de proporções microscópicas) das forragens;
  • Operações de ensilagem;
  • Condições climáticas;
  • A duração dos períodos de conservação e manejo depois da abertura dos silos.

Em virtude desses elementos, a ensilagem pode ser definida como uma técnica que visa a preservação das forragens via fermentação anaeróbica (sem oxigênio). Depois, seguem-se o corte, a picagem, a compactação e, por fim, a vedação em silos.

Desde que o produto da fermentação é chamado de silagem, podemos perceber que ela é obtida pela atuação de microrganismos sobre os açúcares presentes nas plantas. Como se sabe, essa ação provoca a queda de pH em valores próximos a 4.

Tipos de silos

Principalmente, a existência de silos dos mais diferentes tipos exerce influência significativa na fermentação e, portanto, na extensão de eventuais perdas. Só para exemplificar, essas perdas não ocorrem, logicamente, apenas em decorrência dos tipos de silo, como do teor de vedação, compactação e matéria seca (MS) da massa ensilada.

Entretanto, ao optar por um tipo de silo, você não deve considerar somente a eficiência em termos de preservação da forragem. Com efeito, leve em consideração algumas vantagens como a facilidade do manejo proporcionada pelos silos de superfície e de trincheira (os mais usados no Brasil).

É provável que, devido à necessidade de que a pecuária de corte aumente seu grau de competitividade por meio de uma maior produtividade e redução de custos, a silagem do capim colonião ocupe cada vez mais a preferência dos produtores.

Eventualmente, a utilização da silagem de capim colonião para a alimentação bovina não é recente no Brasil. Ou seja, desde os anos de 1960 passou a existir uma enorme difusão do capim como fonte de forragem. Em suma, era utilizado, inicialmente, como capineira e depois para a ensilagem propriamente dita.

capim colonião

Espécies similares ao capim colonião

Surpreendentemente para muitos estudiosos, o capim colonião continua tendo o seu espaço nesse cenário. Em primeiro lugar, a busca por espécies que apresentem manejo mais facilitado do pasto deveria, em tese, viabilizar métodos de cultivo que permitam a implantação de outras sementes, além da Panicum maximum.

A saber, os cultivares recentemente lançados tendem a apresentar algumas vantagens em relação ao capim colonião. Acima de tudo, esses benefícios ocorrem em relação, por exemplo, à fermentação e ao teor de MS nos momentos mais elevado das colheitas.

Antes de mais nada, o teor dos carboidratos solúveis é substancialmente inferior em espécies como a Brachiaria. Por certo, a silagem das gramíneas tropicais, enquanto alternativa rentável às culturas mais tradicionais, oferece benefícios adicionais, como a possibilidade de aproveitar os excedentes de produção nas pastagens e o fato de ser uma cultura perene.

Produção por área

Por causa de ser a característica principal dessas espécies, a grandiosidade da produção por área denota claramente as diferenças entre a idade das plantas e os cultivares.

Outrossim, diversas gramíneas forrageiras contam com alto potencial para ensilagem e, como tais, são objetos de estudos acadêmicos. Assim também, no Brasil, as pesquisas para a ensilagem das gramíneas tropicais assumiram, mais recentemente, três direções básicas:

  1. Associação das áreas exploradas para a produção de silagem e pastejo rotacionado;
  2. Uso de outras variedades, tais como Mombaça e Tanzânia;
  3. Aplicação de ativos durante o processo de ensilagem.

Só que, na década de 1990, houve uma forte retomada nas ensilagens de capins tropicais. Similarmente, isso ocorreu dentro dos sistemas agrícolas à medida que, na época, faltavam máquinas apropriadas ao corte de plantas com altos potenciais de produção. Por consequência, o corte era, até então, realizado com equipamentos especificamente projetados para as colheitas.

Gramíneas tropicais

Para a ensilagem, as gramíneas tropicais devem ser colhidas em seu estágio vegetativo mais precoce. No entanto, a digestibilidade e teor de proteína, por se manterem elevados, fazem com que sua umidade seja maior, comprometendo a qualidade das fermentações das silagens.

Por outo lado, os baixos índices de carboidratos solúveis podem prejudicar a conservação desse material. Desse modo, é provável que surjam fermentações secundárias que reflitam acentuadamente em perdas de MS.

Produtividade do capim colonião

Se acaso forem realizados quatro cortes por ano, a produtividade do capim colonião pode chegar a 12 toneladas de matéria seca por hectare, com teores de proteína variando entre 7 e 11%.

Nesse meio tempo, o potencial de fermentação das plantas forrageiras vincula-se à relação existente entre os teores de umidade e de carboidratos solúveis. Porquanto os capins tropicais tenham baixos índices de carboidratos solúveis e alta umidade, as correções necessárias devem ser efetuadas mediante a adição de açúcares.

Logo, essa medida aumenta os teores de matéria seca e acelera a fermentação inicial. Certamente o pH apresentará, nessas condições, um declínio mais acelerado. Em contraste com essa tendência, os teores de matéria seca desempenham um papel crucial na confecção das silagens, aumentando a concentração dos nutrientes.

Com toda a certeza, isso facilita enormemente os processos fermentativos, além de reduzir a capacidade dos clostrídeos. Do mesmo modo, entre os problemas centrais da ensilagem de materiais com baixos níveis de matéria seca, destacam-se:

  • Os animais que apresentam menor consumo de matéria seca das silagens mais úmidas;
  • A grande produtividade de efluentes;
  • As perdas em termos de valores nutritivos do material e, também, em MS;
  • A inibição do desenvolvimento clostridiano;
  • A necessidade de atingir valores menores de pH no capim colonião.

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