Coivara é técnica que divide opiniões no mundo da agricultura

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28/02/2019 Por
Coivara é técnica que divide opiniões no mundo da agricultura

Coivara é muito empregada por pequenos proprietários de terra, e tradicionalmente utilizada em comunidades quilombolas e indígenas

A coivara é também conhecida como agricultura de corte e queima. É uma técnica utilizada por milhões de pessoas ao redor do mundo. Acontece, principalmente, nas áreas de florestas tropicais.

Enquanto muitos especialistas afirmam que a coivara é uma técnica agrícola rudimentar que gera o esgotamento do solo de forma rápida, exigindo descansos que podem chegar até 12 anos; outros defendem que ela pode conservar florestas.

Coivara

O que é coivara?

De modo geral, o significado de coivara corresponde a uma agricultura itinerante. Nesse tipo de técnica, o plantio permanece por um breve período. E, depois dele, o solo passa um grande tempo sem produzir.

Ela é também chamada de agricultura de queima, já que é uma técnica que prevê as queimadas entre uma safra e outra. Quando a coivara é empregada, as etapas do plantio são: corte, derrubada e queima da floresta nativa e, então, rotação de culturas (que, geralmente, utiliza alimentos como milho, feijão e arroz). A plantação intercalada entre diferentes espécies acontece para melhorar a fertilidade do solo e eliminar as pragas.

Quando a coivara é empregada em grandes áreas de florestas tropicais, com pouca população e em que a terra passa por longos períodos de descanso, pode ser uma técnica ecológica e sustentável. E, principalmente, que não prejudica a fertilidade do solo.

Um exemplo é a Amazônia, cuja grande maioria dos tipos de solo são pobres – exceto a terra roxa e os solos antrópicos. Nos casos em que geralmente a terra não é tão fértil, a queima da biomassa acumulada durante a recuperação florestal age para aumentar os nutrientes do solo. E, assim, prepará-lo através das cinzas. Então, pode acontecer de as quantidades de potássio, cálcio e magnésio presentes naquele solo aumentarem em larga escala.

Consequências da coivara

Mas a coivara também pode trazer prejuízos ao solo. Confira, abaixo, alguns deles:

  • processos erosivos: quando acontece a queima da vegetação e, em seguida, o cultivo, o ciclo dos nutrientes se desestabiliza. O resultado disso é a perda de nutrientes, tanto do solo como da vegetação. Resultando, assim, na degradação do solo e gerando risco de erosões. Mas, como dito anteriormente, essa técnica aumenta os níveis de potássio, cálcio e magnésio presentes na terra por meio da queima da biomassa vegetal. Por outro lado, as quantidades de nitrogênio e de fósforo dependem da mineralização da matéria orgânica queimada.
  • perda da biodiversidade: a agricultura de queima é uma das causas do desmatamento. Gerando, assim, a perda de habitats e restringindo a recuperação de florestas secundárias. Com isso, a biodiversidade presente nesses ecossistemas tendem a se perder.
  • aquecimento global: além de ser uma das causas do desmatamento, a coivara aumenta a liberação de carbono e outros gases estufa. Assim, está diretamente ligada ao aquecimento global.

Coivara acontecendo, com fumaça aparecendo por cima de uma plantação.

Ou seja, essa técnica pode trazer impactos negativos ao solo, à biodiversidade e à atmosfera. Mas, além disso, a coivara pode também causar prejuízos econômicos para o agricultor. Como, por exemplo, as consequências geradas pelo fogo acidental. Sem contar o impacto social da fumaça gerada pela queimada, que pode afetar diretamente a saúde pública.

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