Olericultura é opção sustentável para a comercialização e consumo

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08/03/2019 Por
Olericultura é opção sustentável para a comercialização e consumo

As práticas da olericultura são importantes tanto para o consumo quanto para a economia do país. Usada para a comercialização e produção de alguns alimentos, a olericultura visa suprir as necessidades da sociedade a base do consumo saudável.

Alimentos naturais, livres de agroquímicos, benéficos para a saúde e de produção sustentável estão sendo inseridos nas atividades da olericultura. Isso porque a preocupação dos produtores e da população em relação às práticas saudáveis de alimentação vem crescendo exponencialmente.

  1. O que é olericultura?
  2. Olericultura orgânica
  3. Produtividade na olericultura
  4. O que é rotação de cultura?
  5. Planejamento da rotação de cultura
  6. Quais são as plantas mais utilizadas como adubo verde?
  7. Adubação verde na olericultura
  8. Qual a diferença entre olericultura e horticultura?
  9. Quais áreas fazem parte da horticultura?
  10. Mercado da horticultura no Brasil

Olericultura

O que é olericultura?

Olericultura é um segmento da horticultura que engloba a exploração e produção de legumes, vegetais e hortaliças. Produtos como o chuchu, alface, tomate, cenoura, couve e repolho, além de raízes, tubérculos, caules e frutos variados fazem parte da sua produção. A prática da olericultura tem ganhado credibilidade devido ao sistema de produção sustentável, uma vez que os ciclos biológicos são curtos resultando em mais de um cultivo anualmente.

Além do cultivo de vegetais e legumes, a Associação Brasileira de Hortaliças (ABH) inclui nos plantios alimentos como:

  • o melão
  • a batata doce
  • o inhame
  • o morango
  • a melancia
  • a mandioquinha-salsa
  • a batatinha

A olericultura no Brasil necessita de tratos culturais intensivos e maior uso da mão de obra durante todo o ciclo. Consiste em uma atividade econômica arriscada para o produtor rural que faz uso do sistema convencional, uma vez que as plantações ficam expostas a propagação de doenças e alterações climáticas, podendo ser prejudicadas pela variabilidade de preços durante a comercialização.

Olericultura orgânica

As produções da agricultura orgânica brasileira deram-se a partir do plantio de espécies de olerícolas. A necessidade de um solo fértil, com mais matéria orgânica, de ciclos rápidos feitos em áreas menores, de mão de obra familiar e com valor alto associado era latente. Dessa forma, fez-se importante a elaboração de uma agricultura orgânica que fosse benéfica para as plantações, meio ambiente e apta para consumo.

A olericultura orgânica foi uma das primeiras na comercialização de produtos voltados para a agricultura, vendidos inicialmente em feiras orgânicas e cestas domiciliares.

Antigamente, a comercialização destes produtos era feita a base da confiança entre produtor e consumidor. Isso porque os produtos deveriam estar em ótimas condições e com qualidade quando comparados com os produtos não-orgânicos vendidos.

Esta técnica orgânica utilizada na olericultura e horticultura tem o intuito de estabelecer sistemas agrícolas ecológicos e equilibrados no meio ambiente. Eles devem ser rentáveis em três escalas (pequena, grande e média) e  utilizar recursos naturais na produção.

Dessa forma, o resultado são alimentos mais saudáveis, com alto valor nutritivo, livres de agroquímicos e com qualidade para comercialização.

Produtividade na olericultura

Para manter a alta produtividade, as boas condições do solo, nutrir as plantações e controlar a propagação de pragas, a olericultura orgânica depende de:

  • Culturas rotativas
  • Restos de culturas
  • Estercos animais
  • Adubos verde
  • Resíduos orgânicos
  • Cultivo mecânico
  • Controle de pragas

Toda matéria orgânica utilizada na olericultura colabora para as propriedades biológicas e físicas do solo. Além disso, ela também é responsável por evitar a erosão ao reduzir o escoamento superficial.

Os adubos orgânicos são benéficos as raízes. Isso porque aumentam sua capacidade de absorver os nutrientes, as vitaminas, os minerais e os aminoácidos gerados pelo solo. Com isso, o resultado são plantas mais sadias e livres de ervas daninhas.

De acordo com a Secretaria da Agricultura e Abastecimento, a olericultura tende a crescer devido às necessidades da sociedade, fazendo com que produtores se especializem em diversas partes do segmento, por exemplo as olerícolas para consumo imediato. O que tem crescido é o uso de mini hortaliças e de mini olericulturas, com o cultivo de frutas vermelhas, permitindo maiores ganhos para o setor.

Olericultura

O que é rotação de cultura?

Uma das ações para manter a alta produtividade da olericultura orgânica é a rotação de cultura ou culturas rotativas.

Mas o que viria a ser essa rotação de cultura?

Trata-se de um sistema de cultura que implementa um rodízio de culturas vegetais diferentes em uma mesma área, ou seja, promove alternância de cultivos seguindo um planejamento.

Mas de que forma esse sistema contribui para aumentar a produtividade da olericultura orgânica e quais as vantagens desse sistema de cultura?

Primeiro podemos apontar o benefício em termos ecológicos, pois ao contrário da monocultura que empobrece muito o solo por nutri-lo com as propriedades de apenas uma única espécie cultivada, a rotatividade fornece uma alimentação muito mais enriquecedora.

Tal alimentação evita a deterioração irrevogável do solo e o protege contra a ação de pragas. Solos fortalecidos e protegidos garantem produtividade a longo prazo, o que dispensa a exploração de outras áreas para a mesma finalidade de cultura.

Isso ajuda a restabelecer o equilíbrio ecológico e tornar a produção ambientalmente mais sustentável.

Solo bem nutrido é garantia de produção mais célere e de qualidade, o que não costuma ocorrer com solos empobrecidos.

O fato de contribuir para proteger o solo da ação de pragas certamente colabora com a produtividade, pois diminui o risco de prejuízos com plantações perdidas.

Planejamento da rotação de cultura

Para implementar esse sistema de plantação, certamente a escolha do plantio não deve ser aleatória. Muito pelo contrário, deve atender um planejamento que visa manter bem nutrido o solo, recuperar e preservar a sua qualidade.

Também deve ser levada em conta a importância econômica das espécies.

Algumas regras da rotação de cultura são apresentadas em seguir.

Exigências nutricionais distintas

Os vegetais escolhidos têm que se caracterizar pela distinção das exigências nutricionais e que não apresentem fragilidades aos mesmos tipos de pragas.

Ou seja, para garantir a boa alimentação do solo, é indispensável o plantio de vegetais que se nutram e compartilhem de propriedades diversas. Portanto, devem ser diferentes.

Quanto a não apresentarem as mesmas fragilidades em relação a determinados tipos de pragas, a intenção é não tornar determinado local um alvo fixo por muito tempo.

Alternância entre espécies de sistemas radiculares diferentes

Esses sistemas radiculares fazem referência às raízes. A alternância de espécies de diferentes tipos de raízes é importante para se evitar a compactação do solo.

Também é necessário fazer a seleção e incluir no rodízio, no sistema alternado de plantio, ao menos uma espécie que seja capaz de produzir resíduos vegetais. Esses resíduos são importantes no trabalho de proteção do solo.

A questão comercial, como já dito, tem que ser levada em conta.

Ou seja, além de fazer a seleção de espécies vegetais que garanta a diversidade de nutrientes, de sistemas radiculares e de produção de resíduos vegetais, é preciso analisar quais das opções disponíveis rendem retorno comercial compensatório.

Ainda é necessário mais um filtro para seleção das espécies vegetais a integrar o rodízio: analisar a viabilidade do plantio no local, o que inclui análise do clima, umidade, qualidade do solo, etc.

Olericultura

Cultivo mecânico

Outra das ações necessária para manter em alta a produtividade da olericultura é o uso de cultivo mecânico.

O cultivo mecânico é a prática de realizar o trabalho de cultura de vegetais se valendo do uso de máquinas agrícolas para substituir o trabalho braçal no campo.

A grande vantagem do uso desse tipo de cultivar é o aumento da produtividade, pois se gasta menos tempo e mão de obra para realizar trabalho que normalmente demanda o esforço de vários indivíduos.

Não se usa apenas máquinas nesse tipo de cultivo. Também há a opção de mesclar maquinário com tração animal.

Desse modo, há duas categorias de cultivo mecânico. Para ter uma noção da produtividade que ambas as categorias acarretam, veja os seguintes números:

  • O uso de tecnologia com tração animal é capaz de fazer trabalho equivalente ao de 8 pessoas no cultivo manual;
  • A tração mecânica é capaz de fazer trabalho equivalente ao de 80 pessoas no cultivo manual.

Outra vantagem relacionada a esse método de cultivo é que ele consegue promover a ruptura da crosta superficial do solo, que costuma favorecer melhor aeração das raízes, maior capacidade de absorção das águas das chuvas, bem como reduzir perda de água no solo por motivo de evaporação.

As condições necessárias

No entanto, para ser possível o implemento de força mecânica no campo é necessário que ele esteja em condições adequadas, específicas, para utilização bem-sucedida.

O solo deve ter pouca umidade, em especial se o terreno estiver dominado por ervas daninhas.

Aliás, essas ervas devem estar ainda na fase jovem, pois quando adultas atrapalham a operação e, quanto mais raízes no local, maior a profundidade necessária para que o cultivo seja feito.

Grande movimentação na terra pode proporcionar danos às plantas de feijão, seja pelos possíveis distúrbios provocados na raiz, seja pelo provável encobrimento das plantas.

Os contras da cultura mecânica

No entanto, apesar das vantagens, nem tudo são flores quando o assunto é cultura mecânica. Há desvantagens, principalmente quanto às ervas daninhas.

Uma das limitações desse método, especialmente quando não bem aplicado, é não fazer o controle do crescimento das ervas daninhas na linha de semeadura.

Outra limitação é só poder ser aplicado em covas bem alinhadas ou em sistemas de semeaduras em linha.

Quais são as plantas mais utilizadas como adubos verdes?

Na lista de ações para garantir uma boa produtividade na olericultura, está à aplicação de adubos verdes.

Quais seriam as plantas que se enquadram nessa categoria de adubo e quais são as mais utilizadas?

Sem dúvida, as leguminosas se encaixam nessa categoria. Elas são capazes de se associar a bactérias que vivem em raízes, onde se costuma formar nódulos.

Adubação verde na olericultura

A adubação verde consiste na prática de utilização de plantas como adubo. Elas crescem antes da plantação ou com ela. Após serem roçadas, essas plantas usadas são deixadas sobre a terra ou são misturadas.

Elas acabam servindo de alimento para minhocas e outros organismos conforme vão apodrecendo. Esses organismos liberam os nutrientes do adubo que acabam beneficiando as outras plantas.

Tal liberação de nutrientes proporciona alimentação diversificada e rica, fundamental para o bom e ágil desenvolvimento dos vegetais.

Além do trabalho de fornecimento de nutrientes importantes a organismos e, consequentemente, plantas, o adubo verde também é um ótimo aliado contra a ação de chuvas fortes.

Chuvas muito fortes causam o efeito conhecido como erosão, o arrastamento da terra na superfície. A chuva arrasta inclusive o solo enriquecido com nutrientes, o que naturalmente acaba provocando o empobrecimento da terra.

O adubo verde protege a terra ao formar uma cobertura, uma camada natural. Esse tipo de adubação também evita o crescimento das chamadas plantas espontâneas com potencial de abafar a cultura que se pretende investir na área posteriormente.

Olericultura

Qual a diferença entre olericultura e horticultura?

Costuma-se fazer confusão entre olericultura e horticultura por serem termos próximos tanto na pronúncia, na escrita, como pelos assuntos que abarcam. Contudo, apesar das várias semelhanças, há diferença.

Como vimos anteriormente, a olericultura se trata da produção e exploração de legumes, vegetais e hortaliças. No entanto, o produtor desse tipo de plantio irá trabalhar especificamente com um único tipo de planta comestível.

Já a horticultura é mais abrangente, pois trabalha com diversos tipos de cultivos, inclusive o de olericultura. Portanto, é certo dizer que a olericultura é um segmento da horticultura.

Imagine a horticultura como o tema principal, um capítulo, uma música. A olericultura seria um subtema, um tópico, um refrão.

Estão relacionadas quanto ao assunto que versam, mas são ramos diferentes com grau de importância distintos.

Quais áreas fazem parte da horticultura?

Além da olericultura, a horticultura engloba outras áreas e técnicas de cultivo. São elas:

  • Silvicultura;
  • Floricultura;
  • Fruticultura;
  • Cultivo de cogumelos (ornamentais e comestíveis);
  • Cultura de plantas medicinais;
  • Jardinocultura.

Mercado da horticultura no Brasil

Por englobar as principais áreas de cultivo no Brasil, inclusive a olericultura, como pudermos ver anteriormente, é relevante avaliarmos o desempenho desse segmento da produção nacional e sua contribuição para a economia.

Assim, com base em dados do ano de 2016 fornecidos pela Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM), por ano, esse mercado chega a movimentar cerca de 55 bilhões de reais. A área de plantio ultrapassa os 800 mil hectares.

A produção anual de 18 hortaliças diferentes no país chega a 20 milhões de toneladas. Apenas a cebola, melancia e o tomate são responsáveis por 50% dessa soma.

Lembrando que esses números foram conquistados em cenário de recessão econômica, não muito diferente da situação de agora, embora a crise atual seja mais profunda em razão da pandemia provocada pelo novo coronavírus.

Tal desempenho, mesmo em tempo de crise, demonstra a profissionalização dos produtores e o contínuo investimento em tecnologia e novas variedades.

Uma amostra do potencial de mercado desse segmento é a soma do valor de produção do tomate e do alface representar o mesmo valor de produção do alimento mais presente na mesa dos brasileiros (há gerações): o arroz.

Empregabilidade

Dados mais recentes, estes de 2018, divulgados pelo relatório Cenário Hortifruti Brasil, desenvolvido e publicado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (ABRAFRUTAS), mais o programa Hortifruti Saber & Saúde, a respeito do mercado de trabalho gerado por esse setor, mostra mais uma vez a sua importância estratégica para o Brasil.

Apenas no setor de fruticultura, emprega-se 6 milhões de trabalhadores em uma área de mais de 2 milhões de hectares (joga-se luz que ainda não há dimensão do estrago no setor provocado pelo novo coronavírus, pois o desemprego, infelizmente, aumentou em todo o país no período de paralisação).

Quanto à olericultura, o número de empregos, até a data, chegava a 7 milhões distribuídos em área de aproximadamente 2,6 milhões de hectares.

Esse número significa que, a cada 10 hectares cultivados, seja com frutas ou hortaliças, há cerca de 25 pessoas empregadas.

Se compararmos com a soja, outro plantio de fundamental importância para o país, que gera apenas 1 posto de trabalho a cada 10 hectares cultivados, a diferença é significativa.

Esses dados apontam claramente a importância macroeconômica do segmento e também sua importância para a empregabilidade.

Uso de tecnologia

Pesquisas feitas sobre o setor constatam que a horticultura contribui para o avanço do emprego da tecnologia no campo. Nas culturas de mamão, melão e brócolis, por exemplo, se utiliza tecnologia em mais de 50% dos casos.

Nota-se também que produtores de culturas como limão, abacate, maçã, morango e manga têm perfil de alto a médio uso de tecnologia. O mesmo ocorre com hortaliças como pimentão, tomate e cebola.

Olericultura

Adversidades e segurança alimentar

O Brasil certamente figura como um dos maiores produtores agrícolas do mundo. No entanto, ao contrário do que muitos possam pensar, os produtores locais precisam trabalhar em cenário adverso. Tal afirmação costuma causar surpresa uma vez que nosso país é conhecido pela qualidade do solo e do clima.

Entretanto, se por um lado o clima favorece o crescimento saudável e célere de diversas plantas, também favorece o desenvolvimento e proliferação de pragas, como insetos e fungos.

Por isso, é preciso em grande escala utilizar a tecnologia, assim como contar com estudos apurados sobre o solo, clima e a interação das culturas com esses diferentes elementos.

Isso demanda altos investimentos em tecnologias modernas e engenhosas de irrigação, fertilizantes, defensivos agrícolas, entre outras.

Além, é claro, do tempo necessário de espera para se chegar a avaliações conclusivas sobre o solo e clima para plantio de determinadas culturas – e a viabilidade de emprego de tecnologias específicas.

A maior parte da produção de horticultura e olericultura é consumida internamente, isto é, comercializada no mercado interno.

Dessa forma, o setor pode ser apontado como um dos que mais contribuem para a segurança alimentar dos brasileiros, pois garante a liberação de alimentos seguros e saudáveis.

Importância, números, impacto social: tudo isso faz com que o setor de olericultura mereça destaque no país conhecido mundialmente pelo plantio e exportação de commodities.

Certamente, a fruticultura e olericultura são os segmentos mais relevantes da horticultura, pois são responsáveis pela esmagadora maioria dos alimentos in natura consumidos pelo brasileiro.

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