A policultura e a sua influência nas questões ambientais

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20/02/2019 Por
A policultura e a sua influência nas questões ambientais

Com o intuito de não limitar-se somente a um tipo de produção, a policultura foi desenvolvida para que houvesse maior diversidade nas atividades da agricultura e da pecuária.

A policultura, voltada para a agricultura de subsistência, também é fator importante para a economia regional e nacional, além de permitir o sustento e renda dos pequenos produtores.

  1. O que é policultura?
  2. Vantagens e desvantagens da policultura
  3. Contribuição ambiental da policultura
  4. Exemplos de policultura
  5. Policultura e a economia
  6. Investimentos da policultura
  7. Origem da policultura
  8. Policultura como método de cultivo
  9. O cultivo de policulturas
  10. Benefícios da policultura
  11. As possibilidades da policultura

policultura

O que é policultura?

O significado de policultura consiste na produção agrícola de vários tipos de vegetais e na criação de diferentes espécies de animais em uma mesma área.

Esta prática é feita principalmente por pequenos agricultores em minifúndios (pequenas propriedades rurais), de forma simultânea ou fazendo o uso da técnica de rotação de culturas. É encontrada geralmente nas atividades da agricultura extensiva, como, por exemplo, agricultura de subsistência ou familiar.

As primeiras práticas da policultura foram realizadas por imigrantes europeus – da Alemanha, em especial -, nas regiões ocupadas pelas matas e florestas. Além disso, foi praticada principalmente por índios, durante o período de descobrimento do Brasil.

Os produtos mais cultivados são:

  • Feijão;
  • Milho;
  • Algodão;
  • Abóbora;
  • Mandioca;
  • Batata;
  • Fumo;
  • Frutas.

Vantagens e desvantagens da policultura

Esta forma de produção agrícola é praticada principalmente por pequenos agricultores e mini latifundiários em pequenas áreas rurais. Os produtores a utilizam como forma de obter sustento e renda. Dessa forma, possui vantagens e desvantagens particulares.

As principais vantagens da policultura são:

  • Necessita de um espaço menor para as produções;
  • Utiliza pouca tecnologia, principalmente para as irrigações;
  • Fortalece as plantas, fornecendo maiores nutrientes ao solo;
  • Possibilita estabilidade econômica aos produtores e familiares;
  • Maior variedade de culturas;
  • Combate natural e sustentável de pragas e doenças, ou seja, sem o uso de fertilizantes e agrotóxicos;
  • Não realiza desmatamento, protegendo a fauna, flora e os rios próximos;
  • Fornece descanso ao solo ao dar preferência a rotação de culturas.

Por outro lado, há algumas desvantagens:

  • Corre o risco de ter a lucratividade afetada por conta da cotação de produtos no mercado, já que a rotação de cultura é regra para a troca o plantio;
  • Custo relativamente alto de produção, devido a demanda da utilização de certos equipamentos em diferentes tipos de culturas;
  • Requer maior planejamento, análise e desenvolvimento das lavouras e da área.

Contribuição ambiental da policultura

Entretanto, diferente da monocultura, a policultura permite o descanso do solo e o previne contra o esgotamento e o empobrecimento nutricional.

Há alguns lugares do mundo, como os Estados Unidos, por exemplo, estão optando pela policultura uma vez que ela auxilia na recuperação do solo. Além disso, permite maior lucratividade e produtividade aos produtores, auxiliando no desenvolvimento da economia nacional.

Um exemplo disso é a cultura do milho e da cana-de-açúcar, sendo substituídos por outras culturas em determinado tempo para que o solo descanse, recupere seus nutrientes, tenha maior fertilidade e rápida produtividade.

Por ser praticada principalmente em agriculturas familiares, a policultura tem grande contribuição para a economia regional e, consequentemente, para a nacional. São adotadas práticas ecológicas que garantem a qualidade de vida da população em torno e do ambiente em que é realizada.

Dessa forma, a policultura coopera para a diminuição dos impactos ambientais, tanto da agricultura quanto da pecuária, evitando ao máximo a contaminação das produções. Por exemplo, abster-se do uso de substâncias químicas nocivas a saúde dos homens, das plantas e dos bichos.

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Exemplos de policultura

Para compreender, de fato, o que é policultura, é importante observar alguns exemplos. Assim, é bastante comum ver exemplos de policultura no semiárido brasileiro, região onde as famílias cultivam diversas culturas diferentes a fim de melhorar as condições ambientais.

Portanto, é correto afirmar que a policultura favorece o fortalecimento das plantas, fazendo com que estas atinjam raízes mais profundas e firmes no solo. Isso faz com que as plantas se desenvolvam mais e atinjam tamanhos superiores.

Além disso, a variação nas culturas favorece a defesa natural dos vegetais, visto que, quanto maior a variação, mais abrangente é a variedade de substâncias naturais que repelem insetos, pragas e doenças. Isso é um dos maiores benefícios da policultura.

Dessa forma, podemos citar como exemplos de policultura o cultivo de feijão, algodão, abóbora, milho e andu. Assim, é possível manter o equilíbrio entre plantas arbóreas e plantas rasteiras, além de garantir a renovação dos nutrientes do solo.

Ao contrário da agricultura intensiva, a policultura explora a variedade de cultivos, fazendo com que o sistema orgânico das plantas atue como um defensor natural. Isso contribui também na preservação dos rios, da flora e da fauna de uma determinada área.

Entendendo melhor alguns exemplos de policultura, é simples perceber que a agricultura intensiva e extensiva varia conforme o produtor. Desse modo, o pequeno produtor geralmente opta pela policultura, enquanto o latifundiário utiliza a monocultura.

A monocultura e policultura se encaixam melhor segundo o tamanho da propriedade. Isso porque uma grande área de terra exige estrutura ampla e moderna. Porém, uma pequena área não exige muitos recursos, tornando mais cabível e exploração dos recursos naturais.

A policultura no Brasil se dá, principalmente, nos casos em que pequenos e médios produtores desejam contar com a natureza e evitar investimentos em recursos artificiais.

Policultura e a economia

Economicamente, é correto afirmar que a policultura está mais ligada com a agricultura de subsistência, além de indicar o caso de pequenos e médios produtores. Isso porque o cultivo variado favorece as condições naturais.

Em contrapartida, a policultura acaba exigindo maiores investimentos em mão de obra, além de que a produção nesse modelo acaba exigindo maior tempo de cultivo. Sem dúvida, a influência da policultura está mais ligada à microeconomia.

Já os impactos macroeconômicos estão relacionados com a monocultura, visto que esse modelo trata a produção em massa como foco. Assim sendo, como vimos, é correto afirmar que a grande parte dos produtores do país, principalmente os latifundiários, utiliza a agricultura intensiva.

Em larga escala, a policultura acaba sendo predominante em países com baixo desenvolvimento da agricultura, o que não é o caso do Brasil. Já a monocultura visa alcançar altos níveis de produtividade, explorando ao máximo a capacidade do solo.

Por conta disso, é necessário contar com a fertilização química, bem como a aplicação de agrotóxicos. Isso exige um maior investimento em tecnologia, seja com maquinários ou, então, com a utilização de irrigação artificial.

Em resumo, a policultura está totalmente focada na utilização dos recursos naturais e por isso seu uso não é predominante na priorização da produtividade e economia. Por outro lado, a monocultura utiliza muitos recursos artificiais e tecnológicos, já que visa maior produção.

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Investimentos da policultura

Ao contrário do que exige a monocultura, a policultura pede menos investimento em capital e em estrutura. Por isso é bastante comum observar pequenas e médias propriedades utilizarem o modelo da policultura como produção agrícola.

No entanto, a policultura acaba exigindo mais mão de obra, visto que a plantação deve ser cultivada e manejada de forma manual. Isso ocorre justamente pela variedade de culturas, impossibilitando o uso de certas máquinas e tecnologias.

Assim sendo, a policultura é uma alternativa comum nos casos de famílias numerosas, em que se pode contar com vasta mão de obra. Isso faz com que pequenos produtores rurais se dediquem nesse tipo de cultivo, sendo isso mais comum em tempos antigos.

Para que isso fique claro, basta observar alguns exemplos de policultura, principalmente por esse modelo ser livre de fertilizantes, herbicidas e defensores artificiais. É possível perceber que os gastos com a policultura são relativamente menores, por um lado.

Por outro lado, os gasto com a policultura acabam sendo maiores, já que existe uma necessidade de mais mão de obra. Dessa forma, não existem equipamentos tecnológicos para auxiliar o trabalhador rural, que acaba tendo que agir, em grande parte, manualmente.

Por isso é bastante comum encontrar na agricultura de subsistência esse tipo de produção, visto que a família inteira acaba se dedicando ao trabalho rural.

Nos casos de produtores latifundiários, o uso da policultura acaba sendo um tanto inviável. Isso porque vale mais a pena investir em tecnologia do que contratar mão de obra para trabalhos manuais.

Sem dúvida, a utilização da mão de obra manual exige uma grande quantidade de pessoas e, evidentemente, acaba produzindo menos do que com o uso da tecnologia.

Origem da policultura

Ao que tudo indica, a origem da policultura no Brasil remete aos primórdios da organização da sociedade contemporânea. Ou seja, já era possível observar exemplos de policultura nas sociedades indígenas, logo no descobrimento do Brasil.

Da mesma forma, existem evidências de policultura nas sociedades andinas, bem como em todas as colônias e organizações da América do Sul. Por isso, é correto afirmar que a policultura é mesmo um modo primitivo e rudimentar de agricultura.

Dessa forma, as famílias de pequenos produtores se utilizam até hoje desse modelo de produção rural, dada a sua comodidade e uso de recursos naturais. Isso faz com que a produtividade seja limitada, além de exigir maior mão de obra humana.

Já a monocultura apresenta indícios de uma origem mais moderna, apesar de já ser utilizada nas épocas coloniais. No entanto, a sua aplicação veio dos países europeus e, posteriormente, foi implantada nas colônias americanas.

Nos primórdios do século XVI, uma das formas predominantes de monocultura no Brasil era a produção de cana-de-açúcar. Em suma, produtores utilizam a monocultura quando o foco está na exportação, dada a quantidade produtiva acentuada desse modelo de cultivo.

O crescimento da monocultura a nível mundial se deu inicialmente na década de 40, atingindo grandes impactos nos anos 60 e 70. Assim, surgiu o processo denominado Revolução Verde, ampliando mundialmente a produção agrícola.

A chamada Revolução Verde surgiu de forma semelhante à Revolução Industrial. Portanto, ambos os processos surgiram no período pós Segunda Guerra Mundial, visando atender as demandas de uma sociedade totalmente desestruturada e depredada pelas batalhas.

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Policultura como método de cultivo

Sabendo que a Revolução Verde acentuou o método da monocultura como produção agrícola, a policultura acabou se tornando menos ocorrente. Porém, algumas famílias, principalmente em países menos desenvolvidos, mantiveram esse modo de cultivo.

Por isso, a policultura acabou se tornando um método obsoleto nos países mais desenvolvidos. Evidentemente, isso causou muitas adversidades e endividamentos por parte daqueles produtores rudimentares que decidiram utilizar empréstimos para modernizar seus modos de produção.

Em contrapartida, países menos desenvolvidos continuaram com a policultura predominando, ainda mais nos casos de pequenos produtores. Isso permanece até os dias atuais, visto que o emprego de tecnologia e recursos artificiais exige alto investimento inicial.

Além disso, é natural que o uso de fertilizantes, herbicidas e agrotóxicos acabem prejudicando a cobertura vegetal dos solos e causando desequilíbrio ecológico. Isso acaba danificando a biodiversidade natural dessas propriedades.

Por conta disso, a policultura no Brasil é vista como uma boa opção de cultivo para pequenos produtores, já que favorece as condições naturais e não exige altos investimentos em tecnologia. Isso faz com que muitos produtores optem por manter esse método de cultivo.

O cultivo de policulturas

Sabendo o funcionamento da policultura, é simples perceber que esse método não exige grandes transformações na área de terra ou muitos investimentos. Desse modo, basta realizar o plantio de acordo com um bom planejamento, sem remover completamente a cobertura do solo.

Isso melhora as condições hídricas, já que evita que o solo se torne arenoso. Portanto, utilizar a policultura consiste em uma maneira simples e eficiente de manter a fertilidade da terra, garantindo um bom cultivo, sem a agressão intensa de pragas e doenças.

Outro fator importante no cultivo de policulturas é o fato de que não é necessário desmatar as áreas de terra. Assim, preserva-se muito das condições naturais do solo, garantindo maior fertilidade e menos ataques de pragas e doenças.

Portanto, é correto afirmar que a policultura é uma forma de agroecologia. Isso significa que esse método de produção agrícola protege o meio ambiente, evitando a devastação de vegetações e garantindo que os próprios agentes naturais favoreçam os ciclos.

Sem dúvida, esse fator influencia diretamente na saúde dos seres humanos, como veremos mais à frente, visto que o consumo de vegetais e hortaliças cultivados sem agrotóxicos evita uma série de intoxicações e outros problemas no organismo humano.

Além disso, o simples fato de a policultura evitar danos aos rios, à flora e à fauna já é um fator que torna esse sistema produtivo bastante positivo. Caso o foco esteja na qualidade dos produtos, a melhor opção é apostar na policultura.

Um dos maiores exemplos de policultura é a agricultura de subsistência, onde os produtores normalmente são famílias que produzem uma variedade de culturas para garantir a sobrevivência de um determinado grupo.

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Benefícios da policultura

Sem dúvidas, uma das coisas que mais chamam a atenção no cultivo de policulturas é justamente o uso de recursos naturais. Dessa forma, produz-se alimentos denominados orgânicos, ou seja, livre de agrotóxicos e de modificações genéticas.

Esse tipo de alimento passa por uma procura crescente por uma parcela pequena da população brasileira, que visa elaborar uma alimentação mais saudável. Portanto, é correto afirmar que uma das maiores vantagens da policultura é o benefício para a saúde.

Isso porque muitos agrotóxicos presentes nos vegetais consumidos diariamente pela sociedade são causadores de doenças como câncer, problemas respiratórios, neurológicos, entre outros. Por isso, a policultura é vista como uma alternativa muito benéfica.

No entanto, a policultura acaba sendo menos produtiva, se comparada com a monocultura. Isso faz com que a grande maioria dos produtores opte por investir na tecnologia e estrutura necessárias para a produção de monoculturas.

Porém, a policultura é uma forma de garantir uma alimentação mais saudável e ainda fazer a economia girar, possibilitando que os recursos cheguem também aos pequenos produtores que, geralmente, são os menos favorecidos pelos planos do Governo.

Em casos extremos, graves intoxicações e até óbitos podem acontecer por decorrência do consumo de agrotóxicos presentes nos alimentos. Esse é um fator que torna a policultura um método interessante e bastante promissor para aqueles que pretendem oferecer produtos mais saudáveis.

Vale lembrar que, atualmente, está crescendo o número de feiras ecológicas pelas cidades, onde pequenos produtores de policulturas oferecem suas produções para a sociedade. Desse modo, as pessoas mais preocupadas com a saúde e qualidade de vida acabam procurando essas feiras.

As possibilidades da policultura

Sabendo que a policultura pode oferecer alimentos orgânicos e mais saudáveis, algumas pessoas acabam optando por esse tipo de produto. Por isso, apostar na policultura pode ser uma forma de explorar um novo nicho de mercado: o de produtos orgânicos.

Essa é, sem dúvida, uma possibilidade que abre muitas portas para os pequenos produtores que ainda não investiram nisso. Um agricultor que puder oferecer seus produtos orgânicos diretamente nas feiras da sua cidade certamente terá uma boa procura e uma margem de lucro interessante.

No entanto, é preciso averiguar bem essa possibilidade, procurando as autoridades municipais e constatando a existência ou não de feiras ecológicas na cidade. Caso ainda não exista, é uma boa sugestão procurar criar esse tipo de comércio.

Com a onda crescente do veganismo e vegetarianismo, uma boa forma de agronegócio pode estar surgindo. Dessa forma, pessoas preocupadas com a saúde e qualidade de vida certamente serão um bom público-alvo para a comercialização de produtos oriundos da policultura.

Essa possibilidade pode favorecer até mesmo aquelas famílias produtoras de subsistência, já que seus produtos serão muito bem aceitos pelo público. Portanto, vale levar essa possibilidade como uma boa forma de inovar.

Por fim, vale mencionar que a policultura é uma forma de oferecer mais saúde para os consumidores e para o meio ambiente, garantindo que todos ganhem nessa relação: o produtor, o consumidor e a natureza.

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